O estudo de caso foi realizado em uma empresa coreana do setor de serviços bancários, por meio de três Comunidades de Prática existentes na organização. O sistema de gestão do conhecimento foi implantado na empresa no ano 2002, e as CoPs iniciaram em 2006.
Segundo os autores, medir o impacto das CoPs não é uma atividade fácil, a considerar que muitos ainda observam o conhecimento como intangível. Soma-se à dificuldade inicial a suposição de alguns membros e administradores de grupos comunitários no sentido de que os resultados de uma prática alicerçada no conhecimento também seriam intangíveis.
A pesquisa propõe um modelo de avaliação voltado a estabelecer o grau de maturidade das Comunidades de Prática. Segundo a concepção dos pesquisadores, mediante a constatação do grau em que se encontram, as CoPs e as organizações podem usufruir de alguns benefícios: amadurecer as atividades ainda inconsistentes no interior da Comunidade; alinhar as perspectivas comunitárias à visão estratégica da empresa; auxiliar na mudança de status da Comunidade com êxito; e, por último, auxiliar os líderes a organizarem as CoPs de forma sistemática.
O modelo de avaliação criado pelos autores, primeiramente, propõe os graus de maturidade (construção, crescimento, adaptação e encerramento) que serão utilizados para análise. Em seguida, estabelece os fatores críticos de sucesso às CoPs; após, determina a importância relativa de cada um destes por meio do método “Processo de Hierarquia Analítica” (Analytic hierarchy process), e, por fim, determina o estágio de maturidade da CoP.
No quadro 11, a seguir, pode-se observar as correlações entre os estágios de maturidade das CoPs, os FCS e as possíveis atividades a serem verificadas em cada estágio.
Quadro 11 – Estágios de evolução das Comunidades de Prática, FCS e verificação de atividades.
Estágios Fatores Críticos de Sucesso Verificação de atividades
Estabelecer a visão e os objetivos da Comunidade Definir o domínio e as questões de interesse Formar um grupo e eleger o líder Obter o número adequado de membros Criar um código de ação e filiação Ter frequentes reuniões Envolver gerentes senior Padronizar os processos de trabalho Construir um repositório do conhecimento Instituir as melhores práticas
Fortaler o nível individual Aplicar os conhecimentos nos casos reais Capacitar-se Trocar conhecimento tácito
Criar um programa de orientação - mentor Criar um programa de aprendizagem para os novatos Implantar um sistema de comunicação sistemático Torná-la legítima Confirmar o papel da Comunidade na organização Comunidade influente Mensurar o valor da Comunidade
Visualizar os sucessores do núcleo
Estabelecer relacionamentos fora da Comunidade Consultar especialistas
Patrocinar novas Comunidades Identificar novas tecnologias Criar conhecimento inovador Implantar as boas ideias no trabalho real Perder membros
Transformar-se em um "clube social"
Divider-se em CoPs distintas ou mesclar-se com outras Tornar-se um departamento institucionalizado Declínio
Transformação
Encerramento
Focar na inovação Estender as redes humanas
Consolidar a adesão Crescimento Adaptação Construção Criar iniciativa Organizar a estrutura Criar um ritmo para a CoP Ativar a criação do conhecimento
Fonte: Traduzido de Lee, Suh, Hong (2009, p. 2676).
Apesar de o estudo indicar um rol interessante de fatores, entende-se que, para fins da pesquisa dos autores, eles são secundários e prestam-se como meio para a indicação do grau de maturidade das CoPs. Deste modo, a preocupação aqui se centra em um fator principal, que segue:
FCS:
1. Identificar o grau de maturidade da CoP e apontar qual o correspondente estágio. Tal atitude proporciona uma visão peculiar sobre o seu funcionamento e oferece subsídios para intervir, visando ao seu bom desenvolvimento.
3.10 ZBORALSKI (2009)
No intuito de analisar os fatores antecedentes às interações dos membros nas Comunidades de Prática, a autora consultou 222 membros pertencentes a 36 CoPs vinculadas a uma empresa multinacional. A consulta utilizou questionários e foi mensurada por meio de técnicas estatísticas.
No estudo, Zboralski reafirma um entendimento, já mencionado na literatura, que define as CoPs como entidades semiformais em que a participação dos indivíduos é principalmente voluntária e ligada sobretudo a motivações pessoais intrínsecas. Assim, declara que intervenções forçadas por parte das organizações, com o propósito de proporcionar a adesão dos membros em Comunidades, correm sério risco de não obterem êxito – o papel organizacional deve restringir-se a facilitar/encorajar a participação, e não motivar, diante da própria natureza individual do elemento motivação.
Segundo a autora, três níveis de análise podem ser considerados para a compreensão dos antecedentes à interação comunitária: do membro, da comunidade e da organização. Decorrente de cada grau, emerge um fator, que, respectivamente, são: 1. motivação dos membros; 2. líder da comunidade; e 3. apoio da organização.
Por sua vez, cada fator é composto por alguns elementos que foram examinados com a finalidade de indicar a sua influência na participação dos integrantes nas CoPs. O fator “motivação dos membros” é composto por seis pontos, que são: aprender novas coisas; compartilhar conhecimento com os outros; ascensão na carreira; avançar em alguns projetos; realizar os trabalhos com mais facilidade; e melhorar o contato com os colegas. O fator “líder da comunidade” avaliou em que medida as atividades do líder podem influenciar na participação dos membros, e é constituído por: motivar os participantes; planejamento e organização da comunidade; treinamento e suporte; comunicação/informação; e conhecimento especializado sobre o domínio da CoP. Por último, o “apoio da organização à Comunidade” foi capturado por quatro itens: consciência da importância dos trabalhos comunitários à organização; fornecer recursos (tempo a fim de se dedicar às atividades, espaço físico para as reuniões, infraestrutura técnica, cultura organizacional de compartilhamento do conhecimento); falar positivamente a outros sobre as atividades do grupo; e apoio do supervisor direto aos seus comandados a participarem das CoPs.
Após a avaliação dos elementos constitutivos dos fatores “motivação dos membros”; “líder da comunidade”; e “apoio da
organização”, alguns foram referendados como importantes à participação dos membros em CoPs, que seguem:
FCS:
Motivação individual
1. A expectativa de maior celeridade e de racionalização do trabalho influenciou positivamente para a participação dos membros;
2. A perspectiva de criação ou de solidificação de uma rede de contatos dentro da organização impulsionou as participações dos indivíduos;
3. A visualização de ascensão profissional motivou os membros a integrarem das CoPs;
Influência do líder
4. O nível de conhecimento dos líderes sobre os domínios das CoPs exercem forte impacto na qualidade das interações dos membros;
5. Os níveis de inserção e do poder de influenciar dos líderes auxiliaram no estabelecimento da frequência de participação das pessoas;
Influência do apoio organizacional
6. O suporte da organização (recursos) influenciou na frequência das interações dos membros nas Comunidades;
7. A demonstração pública, por parte dos gestores, da importância das atividades das CoPs para a organização fomentou as participações.