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Algumas das características gerais da população pesquisada foram obtidas por intermédio dos dados existentes no Acompanhamento Funcional da GMF. Por exemplo: faixa

34 Os adolescentes cidadãos pesquisados entraram na GMF em Julho de 2009 e permanecerão no Projeto até

dezembro.

35 Os aprendizes desistentes foram encaminhados à FUNCI e as informações não foram repassadas para o

Acompanhamento Funcional da GMF.

36 Estavam indo para a Guarda Municipal, até a finalização dessa pesquisa, sete adolescentes. As outras

entrevistas foram obtidas através do contato direto que a pesquisadora fez com os pesquisados, indo para suas casas para aplicar o questionário. Como alguns não atenderam as ligações, só foi possível aplicar o questionário com quinze adolescentes.

etária entre 16 e 20 anos, cursando, no mínimo, a oitava série do Ensino Fundamental. Contudo, os critérios utilizados para admissão e seleção destes jovens no Projeto por si só não seriam suficientes para se analisar o perfil sócio-econômico e a condição familiar dos seus 22 integrantes. Daí a necessidade de enfatizar, inicialmente, no questionário, dados sócio- econômicos para a obtenção de uma caracterização mais detalhada e condizente com a diversidade de situações dos adolescentes pesquisados.

No que se refere a faixa etária e ao gênero, dos 22 jovens do Projeto, todos têm entre 16 e 20 anos, sendo 14 adolescentes do sexo masculino e 8 do sexo feminino. Tais informações corroboram com o que coloca Sposito (2005), que afirma que não se pode subestimar as diferenças entre os sexos quando se pensa nas relações entre juventude, escola e trabalho. As mulheres jovens são mais afetadas pelo desemprego do que os homens e integram majoritariamente a população que está fora do mercado de trabalho. Ainda segundo a autora, de cada dez jovens inativos, seis são mulheres, conforme o gráfico 03. Não porque esses inativos sejam apenas estudantes, mas porque poderão, sobretudo, estar no trabalho doméstico.

Gráfico 03: Relação trabalho/sexo

65% 43% 38% 35% 57% 62% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120%

Trabalho Desemprego Não faz parte da PEA

Homens Mulheres

Fonte: Sposito (2005), Perfil da Juventude Brasileira

A partir dessa parte da pesquisa, os dados colocados são baseados na aplicação dos questionários, ou seja, mediante a pesquisa com quinze adolescentes.

Dos adolescentes pesquisados, 14 nasceram em Fortaleza e somente 1 nasceu no interior, sendo que, os pais de 8 adolescente nasceram no interior e o de outros 6, na capital. Todos são solteiros e sem filhos. Com relação à religião, 10 se consideram católicos e 5

evangélicos. Em se tratando de raça, 6 se consideram brancos, 5 se acham pardos e 4 negros, sendo importante os mesmos se afirmarem como pardos e negros, deixando de lado o preconceito de raça, pelo menos de acordo com os pesquisados.

Com relação a moradia, todos afirmaram morar em casa própria e quitada com mais de 4 compartimentos. O pai é o mantenedor da casa de 7 adolescentes; na casa de outros 7, quem mantém a casa é a mãe e 1 jovem afirma que ele mantém a casa com o dinheiro da bolsa que ganha. Todos têm irmãos, sendo que quatro jovens têm mais de quatro irmãos, 5 têm entre 1 e 2 e outros 5 têm entre 3 e 4; todos afirmando manter um relacionamento bom com os irmãos. Quando se perguntou se eles teriam planos de morarem sozinhos ou com outra pessoa, longe dos pais, 9 afirmaram que não têm planos de saírem da casa dos pais e 6 colocaram que esperariam mais um tempo para mudarem.

Quanto à situação familiar, 8 adolescentes moram com os pais e 7 só com a mãe. Percebe-se que o tipo de família da população pesquisada é majoritariamente nuclear. Nenhum dos integrantes do Projeto mora somente com o pai, o que enfatiza a situação, quando da separação dos pais ou destes não morarem mais juntos, de os filhos ficarem sob a guarda da mãe.

A renda familiar varia de menos de 1 salário mínimo para 1 jovem (este é o jovem que mantém a casa com o dinheiro da bolsa); de 1 salário mínimo para 12 adolescentes e de 1 a 2 salários mínimos para 2 entrevistados. Levando-se em consideração a relação entre renda familiar e a situação de moradia com os pais, observou-se que entre os doze cuja renda familiar é de 1 salário mínimo, 6 moravam com os pais e 6 só com a mãe. Em se tratando daqueles cuja renda é de 1 a 2 salários mínimos, todos moram com os pais:

Quadro 04: Renda familiar x residindo com responsáveis

Renda familiar Morando com os responsáveis

Com os pais Só com a mãe Outros

Meio salário 1

1 salário 6 6

1 a 2 salários 2

TOTAL 8 7 15

Constata-se que é maior a quantidade de aprendizes que moravam com os pais e possuíam renda familiar maior. Observa-se que a única resposta onde a renda é de meio salário mínimo, o pesquisado mora com a mãe.

Referente ao relacionamento familiar, percebeu-se a diferença entre os adolescentes que moravam com o pai ou não. No tocante à figura paterna, 2 adolescentes afirmaram que o relacionamento era ótimo com o pai, dentre eles, 1 mora na mesma casa e outro não mora. Para 7 jovens o relacionamento com o pai é bom, todos residem com o pai. Dos sete adolescentes que não moram com o pai, seis não deram resposta quanto ao seu relacionamento com o genitor.

Referente ao relacionamento materno, só há respostas “Ótimo” e “Bom” entre os 15 adolescentes pesquisados, sendo 10 afirmando ser “ótimo” e 5, “bom”. O quadro 05 explicita a relação entre pais e filhos, tanto na relação de moradia como no relacionamento familiar.

Quadro 05: Relacionamento familiar

PAI Ótimo Bom Regular Ruim Sem reposta TOTAL

MORANDO SIM 1 7 8

NÃO 1 6 7

TOTAL 2 7 6 15

MÃE Ótimo Bom Regular Ruim Sem reposta TOTAL

MORANDO SIM 10 5 15

NÃO

TOTAL 10 5 15

Fonte: Pesquisa direta

Observa-se, diante dos dados, que a mulher é o elo da família, não só por assumi-la em sete casos, como pelo fato do relacionamento entre mãe e filho ser mais marcante. Percebe-se o papel da mulher como fundamental na manutenção familiar.

De posse das características acima, é necessário, agora, avaliar qual o valor da experiência do primeiro emprego no cotidiano destes jovens, tanto no que diz respeito ao decorrer do processo na GMF como as possíveis mudanças que tiveram em suas vidas, sua visão com relação à Segurança Pública e qual a relação do Projeto Adolescente Cidadão.