5.2 C HROMATOGRAPHIC STUDIES
5.2.5 Spontaneous imbibition after substitution at 130°C
Este estudo teve como objetivo examinar a percepção dos especialistas em projetos de estabelecimentos assistenciais de saúde acerca do processo de humanização hospitalar. Para tanto, além das entrevistas com os arquitetos, a construção deste estudo contou com outras evidências empíricas, como conversas com profissionais de saúde e a
participação em encontros e seminários sobre o assunto. A partir da reunião dessas informações, foi possível refletir sobre as circunstâncias que deram origem a todo esse processo e de que forma está sendo trabalhado atualmente no Brasil.
Humanizar não significa somente “tornar humano”, apesar de merecer tal definição em algumas situações. O ato de humanizar no contexto médico e hospitalar envolve uma série de aspectos que perpassam pelas discussões a respeito das práticas de saúde e das atitudes dos profissionais frente aos processos saúde-doença e às relações estabelecidas com seus pacientes. Essa é a idéia mais explícita quando relacionamos os trabalhos realizados em saúde e os propósitos do PNHAH. O fim último da humanização é o atendimento prestado ao paciente e não há referência à arquitetura do ambiente como requisito para uma assistência de qualidade. Conforme explicitado anteriormente, parece não haver ainda, nas ciências médicas, a crença nos benefícios sócio-espaciais para o restabelecimento dos pacientes.
Os arquitetos entrevistados, por sua vez, destacaram o atendimento e também a estrutura física do edifício, como os elementos definidores da humanização hospitalar, ou seja, como os principais elementos que colaboram no restabelecimento do paciente. Apesar destes serem os aspectos mais visíveis, a humanização envolve questões políticas, econômicas e administrativas, agregadas aos interesses de provedores de assistência à saúde, empresários e governantes.
Os entrevistados se reconhecem como participantes do processo de humanização, acreditando que seus trabalhos traduzem parte desse movimento. A outra parte estaria nas mãos dos profissionais de saúde, que ainda não conseguiram humanizar o atendimento prestado à população. Vimos que, quando os arquitetos se colocam no papel de pacientes ou acompanhantes e relatam alguma vivência pessoal em hospitais, a falta de “acolhimento” e “calor humano” no atendimento, são suas maiores queixas.
A esse respeito, gostaria de enfatizar um comentário feito por uma enfermeira, no IV Encontro por uma Medicina mais humana, no dia 31/05/2003. Lembro-me muito bem quando ela expressou sua decepção ao ver que todo esse movimento nada mais era do que a busca de algo que é uma obrigação dos profissionais da saúde. Segundo seu comentário, as atitudes humanas no cuidado ao paciente é um dever dos que trabalham nessa área. De fato, como vimos neste trabalho, o termo parece óbvio, mas seu uso vem de um movimento de resposta ao afastamento entre o profissional e seu paciente; de resposta ao modelo biomédico concentrado exclusivamente em órgãos doentes e de resposta à ausência de uma assistência que considere as fragilidades de cada pessoa. Óbvio, mas necessário.
Outro fator interessante foi a constatação, pelos entrevistados, de duas tendências de humanização: uma nos estabelecimentos públicos e outra nos particulares, o que reforça as contradições do sistema de saúde. É importante mencionar que a procura e a identificação de estabelecimentos que sejam exceção a essa regra, demandaria a realização de um outro trabalho. Contudo, poderíamos pensar que num país no qual não há um sistema único e igualitário, também não pode haver uma humanização que se apresente em todos os aspectos.
Essa observação me faz lembrar de algumas visitas que realizei a estabelecimentos públicos de Natal, a fim de delimitar o objeto de estudo deste trabalho e ver de perto o que eu só ouvia falar sobre o PNHAH. O acesso a esses hospitais é praticamente livre e a quantidade de pacientes e funcionários circulando pelos corredores é um aspecto marcante. O ritmo das pessoas parece mais acelerado do que nos estabelecimentos particulares, talvez pela falta de espaço disponível para tanta gente. De qualquer modo, caso o visitante não se incomode, vários procedimentos médicos, incluindo os de caráter não emergencial, podem ser realizados na sua presença
e na de quem estiver no local. Nesse caso, o que não compreendi foi como um atendimento dito “humanizado” pode ter sido feito sem que a equipe médica e de enfermagem me pedisse para sair ou perguntasse ao paciente se ele se incomodava com a presença de tantas pessoas ao seu redor. Até que ponto o atendimento é de fato “humano”? Ou o fato de prestar assistência, sob qualquer circunstância, significa “humanização”?
Aqui, cabe uma ressalva. A princípio, poderíamos dizer que o hospital, assim como qualquer outro estabelecimento dessa categoria, não é condição para a promoção da saúde. Dessa forma, a humanização que trago à tona também não deveria ser da “assistência hospitalar”, mas da “saúde”, termo de maior abrangência e não limitado a determinados locais, mas às atitudes dos profissionais. Porém, como o PNHAH surgiu em circunstâncias nas quais o atendimento ou a assistência oferecida nesses estabelecimentos necessitava de mudanças, é nesse aspecto que concentraram-se inicialmente suas ações e nada impede que continue funcionando com essa denominação.
Entretanto, nós, arquitetos, necessariamente precisamos da existência desse local para realizarmos nosso trabalho. Vimos no decorrer deste estudo que o edifício de atenção à saúde passou – e ainda passa - por diversas mudanças ao longo do tempo e teve seu funcionamento repensado em função dos avanços científicos da área e das discussões acerca das práticas de saúde ali implementadas. O uso do termo “humanização” em Arquitetura, surge como resposta a um momento em que as pessoas tinham sido escondidas pela tecnologia, pelo excesso de funcionalidade dos edifícios e pelos modelos universais, como se todos tivessem mais ou menos o mesmo padrão. De construções baseadas exclusivamente na eficiência das atividades a serem desempenhadas, o edifício hospitalar passa, mas ainda em pequena escala no nosso país,
para um tempo em que o projeto contempla a opinião de todos os usuários do edifício, inclusive do paciente. Enquanto fora do Brasil a palavra healing define espaço e assistência diferenciada, aqui a palavra “humanização” expressa um movimento que ainda tem muito a crescer e a ser discutido.
Num primeiro estágio de reflexão sobre as entrevistas, a partir das quatro grandes categorias ou blocos apresentados e discutidos anteriormente, foi possível estabelecer relações entre a percepção dos arquitetos acerca do processo de humanização e as informações provenientes da literatura da área. Também foi possível enumerar elementos que devem ser contemplados na construção dos edifícios de atenção à saúde para auxiliar no processo de recuperação dos pacientes e proporcionar bem-estar a todos os usuários do ambiente. Mas não é só isso. Quando, por exemplo, os arquitetos e a própria literatura destacam a visão da cidade, do dia ou da noite pela janela do hospital como o mais adequado, não há justificativas.
Num estágio posterior de amadurecimento sobre as informações da literatura e das respostas dos entrevistados, percebi que os elementos de ligação entre os blocos que foram contemplados na análise das entrevistas e a humanização do ambiente, eram as “sensações” provenientes de um conjunto de aspectos, tais como ambiente “agradável” e “acolhedor”. Sendo assim, a humanização não se justifica apenas pela existência de uma “receita de como deve ser decorado o hospital”, mas de outros componentes encontrados na relação pessoa-ambiente. Tal constatação não veio diretamente da resposta do arquiteto como especialista, mas indiretamente das respostas do arquiteto como pessoa, como paciente ou acompanhante e das reticências do seu discurso. Portanto, não é só a composição de um ambiente, nem seus elementos construtivos que determinam sua humanização, mas as respostas dos usuários a todo esse conjunto, cenas dos capítulos de um futuro trabalho (ver Figura 2).
Humanização Hospitalar Respostas ligadas à humanização do ambiente físico: Bem-estar Agradável Aconchegante Hospitais Públicos e Privados Passado e Presente Projeto Arquitetônico