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Technical study, mathematical model

10.8. SPLIT NEIGHBOURHOOD

Wackernagel e Rees (1996) propuseram uma ferramenta de análise da sustentabilidade que busca representar um espaço ecológico necessário para que um determinado sistema ou unidade possa se desenvolver. O modelo proposto enfocou a avaliação da dependência humana frente ao ecossistema. Os autores procuraram desenvolver uma ferramenta que, além de propiciar a análise da sustentabilidade, também auxiliasse na tomada de decisão e transmitisse consciência pública a respeito do meio ambiente (VAN BELLEN, 2002).

O Ecological Footprint ou “Pegada ecológica” é uma ferramenta que visa contabilizar a capacidade de carga de um sistema (WACKERNAGEL e REES,1996; CHAMBERS et. al., 2000), ou seja, o espaço físico necessário para o desenvolvimento de uma população em um dado ecossistema. Assim sendo, a ferramenta objetiva mensurar a área de um ecossistema necessária para provimento de energia, recursos naturais e absorção de resíduos rejeitados por a sua população.

O propósito principal da ferramenta é medir o grau em que as sociedades estão utilizando os recursos naturais de forma mais rápida do que o tempo necessário para sua regeneração. Nesse contexto, conforme Wackernagel e Rees (1996) e, posteriormente Wackernagel, Chambers e Simmons (2000), a pegada ecológica de uma população está relacionada à totalidade de espaço biologicamente produtivo que a mesma necessita para a produção de recursos para seu consumo e à sua capacidade de absorver os recursos os quais descarta, tendo como base a tecnologia utilizada no mesmo período de tempo. Em

complemento, tendo em vista que todos consomem recursos naturais, a pegada ecológica total da humanidade é relativa à soma total de todas das áreas independentemente de sua localização.

Assim sendo, dentro do contexto da ferramenta proposta, ao estimar a necessidade de utilização de terra para a produção, é possível então estimar a área necessária para suportar o consumo de uma determinada sociedade. Contudo, devido a restrições para a análise da demanda de todos os recursos, algumas categorias de indicadores são elencadas:

 Alimentação: inclui a área de cultivo, prados e pastos, pesca e áreas florestais indispensáveis para manter o consumo de uma sociedade, ou seja, o espaço necessário para a criação de animais, pesca, culturas vegetais e outros.

 Habitação: refere-se à área utilizada pelas zonas urbanas em relação ao consumo de energia, infraestrutura e outros.

 Bens e Serviços: são bens e serviços selecionados para a análise, como roupas, ferramentas, equipamentos eletrônicos, comunicação, eletrodomésticos, distribuição de água e esgoto, educação, assistência médica, serviços financeiros, turismo serviços governamentais e outros.

 Transporte: exemplos de transportes elencados são: ônibus, carros, trens, bicicletas, assim como a infraestrutura necessária, tal como: infraestrutura rodoviária, fabricação de veículos e outros.

Outras abordagens, como a da WWF - World Wildlife Fund. (2006), utilizam categorias referentes aos territórios; são elas: território de biodiversidade, território

construído, território de energia, território bioprodutivo. Já, Wackernagel et al. (2002),

em uma abordagem mais abrangente, subdividem os territórios em:

 Áreas agrícolas: cultivo de alimentos, forrageiras, fibras, oleaginosas e borracha;  Pastagens: produção de carne, leite e lã;

 Áreas florestais: extração de madeira, carvão e celulose;

 Áreas de pesca e captura de peixes: piscicultura, captura de peixes e outros;  Áreas construídas: acomodação de infraestruturas de habitação, transporte e

indústria;

 Áreas de sequestro de carbono ou de reposição de combustíveis fósseis: emissão de CO2, efeito estufa e outros.

Várias críticas à ferramenta foram surgindo, conforme foram expostas distorções em seus conceitos e aplicações. Uma delas é a de que, segundo o Global Footprint Network

(2006) e WWF (2006), a pegada ecológica não permite a realização de análises sociais e econômicas. Tais considerações foram levantas devido à forte concentração do indicador na dimensão ambiental. Além disso, a ferramenta é capaz de levantar questões para a análise da relação entre a capacidade e a demanda ambiental; contudo, não permite apontar algum tipo de alternativa para minimizar ou alterar essa relação.

Van den Bergh e Verbruggen (1999) acreditam que a análise em nível regional proposta pela ferramenta induz a distorções levadas pela agregação de valores. Além disso, para os autores, a ferramenta observa o uso hipotético, e não o real, da terra, na medida em que a mesma desconsidera que as unidades de terra podem possuir mais de uma função. Outro ponto indicado pelos autores é que o Ecological Footprint não reconhece as vantagens da concentração espacial e especialização, mas propicia a constatação de que a ferramenta é parcial e contraria o livre comércio, o que permite aos autores concluírem:

Tal viés comercial pode facilmente levar à estranha conclusão de que o “déficit ecológico” só pode ser reduzido mediante expansão territorial (mais terra) ou uma política populacional extremamente restritiva (como na China) [...] Em conclusão, a EF é inadequada como uma ferramenta para a formulação de políticas: ela pode suportar opções políticas insustentáveis, ineficientes e até mesmo imorais (VAN DEN BERGH e VERBRUGGEN, 1999, p. 71).

Apesar das críticas, a ferramenta Ecological Footprint mostra seu valor na medida em que é capaz de demonstrar e conscientizar a sociedade a respeito da relação de baixa sustentabilidade entre os padrões de consumo e produção com os recursos naturais disponíveis. Outro aspecto importante, é a verificação de que a maneira de utilização da natureza pode ser um limitante do desenvolvimento para países ou regiões e, ainda, conforme Van Bellen (2002), a pegada ecológica é um indicador que possui grande campo para aplicação prática, tendo em vista que o mesmo pode ser utilizado para análises globais, continentais, nacionais, regionais, organizacionais e individuais.

O Quadro 21 (Resumo Ecological Footprint, p.56) exibe um resumo contendo as dimensões e suas respectivas descrições, necessárias para a realização do cálculo do Ecological Footprint:

Quadro 21 - Resumo Ecological Footprint

Dimensão Descrição

Áreas agrícolas Cultivo de alimentos, forrageiras, fibras, oleaginosas e borracha.

Pastagens Produção de carne, leite e lã.

Áreas florestais Extração de madeira, carvão e celulose.

Áreas de pesca e captura de peixes Pesca e captura de peixes.

Áreas construídas Acomodações das infraestruturas de habitação, transporte e indústria.

Áreas de sequestro de carbono ou de reposição de combustíveis fósseis

Sequestro de carbono ou reposição de combustíveis fósseis.