Beregning av energiforbruket
13 T står for ters og betyr at enheten skal multipliseres med 10 12
7.3. Spesifikt energiforbruk
Neste sentido, Freud vai caminhando para uma reformulação da perversão. Não se trata de ser pré-edipiana, mas, ao contrário, da posição do sujeito frente ao complexo de castração. Nestes casos, a reposta frente à ameaça não seria o recalque – Verdrangung - nem a rejeição (forclusão) – Verwerfung - , mas a renegação , o desmentido – Verleugnung, ou seja, um duplo posicionamento frente à castração – há o reconhecimento da falta e, ao mesmo tempo, uma renegação dessa percepção. É disso que a perversão vem falar: da indiferença sexual – as mulheres são dotadas do falo. É importante marcar que ‘desmentir’ só é possível se há, no sujeito, a marca do desejo, isto é, da falta no Outro; não se desmente o que não se tem. Há que se ter uma inscrição inicial para que, assim, o sujeito possa vir a recusar. Neste sentido, pode-se pensar nos quadros psicóticos como estruturas em que esse momento primeiro nem chegou a se realizar. Não há inscrição, não há metáfora; trata-se de algo que atravessa, que se encontra fora do circuito.
Lacan, a partir de uma re-leitura freudiana, irá dispor as estruturas clínicas a partir do sistema real, simbólico e imaginário. Se, inicialmente, Freud faz uma leitura partindo da realidade empírica - ausência do órgão peniano na mulher - Lacan vai traduzir isso e afirmar que não se trata do real, mas do falo simbólico e imaginário.
Em seu artigo “O Falo e a Mãe Insaciável”, in seminário IV (1956-57) , Lacan inicia sua fala afirmando aquilo que a frustração não é, ou seja, ela não se constitui como a recusa de um objeto de satisfação, sendo satisfação algo articulado à noção de necessidade. É bem verdade que a idéia de necessidade não engendra a manutenção do desejo. Nenhuma relação pode ser garantida entre frustração e permanência do desejo. É importante afirmar que Freud nunca mencionou o termo frustração. Ele vai falar de Versagung, podendo ser traduzida por denúncia.
Conforme mencionado no início, a frustração não diz respeito à recusa de um objeto que venha satisfazer a necessidade do sujeito. Pode-se pensar que, inicialmente, a frustração é articulada a recusa do dom, como sinal de amor. Afirma Lacan,
O dom implica todo o ciclo da troca, onde o sujeito se introduz tão primitivamente
quanto possam supor. Só existe dom porque existe uma imensa circulação de dons
que recobre todo o conjunto intersubjetivo. O dom surge de um mais-além da
relação objetal, já que ele supõe atrás de si toda a ordem da troca em que a criança
ingressou, e só pode surgir deste mais-além com o caráter que o constitui como
propriamente simbólico. Nada é dom se não for constituído pelo ato que,
previamente, o anulou ou revogou. É sobre um fundo de revogação que o dom surge,
é sobre esse fundo, e como signo de amor, inicialmente anulado para ressurgir em
seguida como pura presença, que o dom se dá ou não ao apelo (Lacan, 1956-57, p.
185).
Diz-se de apelo, pois aí está o primeiro momento em que a palavra se dá. É o instaurador da ordem simbólica. Sendo assim, tem-se que o dom se mostra ao apelo; e o apelo se faz escutar na ausência do objeto (Idem). Quando o objeto encontra-se presente, ele se mostra essencialmente como dom, como signo de amor, e não como objeto de satisfação. É importante mencionar que toda satisfação posta em causa na frustração surge sobre o caráter de decepção no campo simbólico.
A dialética presença-ausência do objeto constitui uma relação de grande importância para o sujeito, à medida que aniquila, na satisfação, a insaciedade original que marca essa
É preciso pensar, neste momento, o que ocorre no instante em que a satisfação da necessidade é transformada em satisfação simbólica. Pela substituição, em si, já ocorre uma transformação. A ênfase e o caráter simbólico são dados à atividade, ou seja, ao modo de apreensão, que coloca a criança como possuidora desse objeto.
É assim que a oralidade se torna o que é. Sendo um modo instintual da fome, ela é
portadora de uma libido que conserva o próprio corpo, mas não é somente isso.
Freud se interroga quanto à identidade dessa libido: será a libido da conservação
ou a libido sexual? Certamente, ela visa à conservação do indivíduo: ela é de fato o
que implica de amor pela satisfação, ela é uma atividade erotizada. Ela é libido a
destrudo, mas, precisamente, porque entrou na dialética da substituição da
exigência no sentido próprio, e libido sexual (Lacan, 1956-57, p. 187).
Outra questão relevante diz respeito ao ingresso da criança na dialética da frustração. A partir daí, o objeto real não precisa ser específico, já que não é o objeto que desempenha o papel fundamental, mas sim o fato de que a atividade assumiu seu papel erógeno no campo desejante, ordenado no plano simbólico.
É interessante pensar como o falo seria introduzido, assim, na dialética da frustração. Tem-se que, de acordo com a teoria freudiana, as meninas passam por um processo muito mais complicado que os meninos, no que tange o complexo de Édipo e a diferenciação sexual. A menina precisa entrar em contato, justamente, com aquilo que nela não está presente: o falo. Obviamente, não se trata de questões orgânicas ou disposições anatômicas, mas sim de uma representação fálica imaginária. É bem verdade que Lacan trocou o termo pênis, muito
utilizado por Freud, por falo; justamente intencionado a evitar certas confusões – entre aquilo que se refere ao campo biológico e aquilo que vai muito além das disposições fisiológicas.
O falo imaginário está no cerne de numerosos ocorridos na vida do sujeito. A saída desse labirinto, desse jogo em que a criança se encontra é dada pela percepção de que a mãe é castrada e, já que o falo lhe falta, ela, assim, o deseja.
É por razões inscritas na ordem simbólica, transcendendo o desenvolvimento
individual, que o fato de ter ou não o falo imaginário e simbolizado assume a
importância econômica que tem no nível do Édipo. Isso é o que motiva ao mesmo
tempo a importância do complexo de castração e a preeminência das famosas
fantasias da mãe fálica (...) Trata-se do falo, e de saber como a criança realiza mais
ou menos conscientemente que sua mãe onipotente tem falta, fundamentalmente, de
alguma coisa, e é sempre a questão de saber por que via ela vai lhe dar esse objeto
faltoso, e que sempre falta a ela mesma (...) O falo é fundamental como significante,
fundamental neste imaginário da mãe a que se trata de unir, já que o eu da criança
repousa sobre a onipotência da mãe. Trata-se de ver onde ele está e onde não está.
Ele nunca está realmente ali onde está, e nunca está completamente ausente ali onde
não está (Lacan, 1956-57, pp. 195-197).
Neste texto, Lacan (1956-57) coloca que a questão primordial encontra-se antes do Édipo, ou seja, entre a relação de frustração e o início do complexo edípico. Segundo ele, este é o momento em que a criança se encontra na dialética intersubjetiva do engodo (Lacan, 1956-57). A fim de satisfazer o desejo materno que, por sinal, é insaciável, a criança percorre
da mãe. Esse desejo que não pode ser satisfeito, é enganado. “Precisamente na medida em que mostra à sua mãe aquilo que não é, constrói-se todo o percurso em torno do qual o eu assume sua estabilidade. As etapas mais características são sempre marcadas (...) pela ambigüidade fundamental do sujeito e do objeto” (Lacan, 1956-57, p. 198).
Em seu seminário X (1962-63), o artigo intitulado ‘A causa do Desejo’ traz uma consideração importante em relação à lei e ao desejo; ambos compartilhariam do mesmo objeto. O mito edípico traz em si essa idéia. Na origem, o desejo, como desejo paterno e a lei são a mesma coisa. Essa relação é tão próxima que é possível afirmar que a função da lei marca o caminho desejante. O desejo, como desejo pela figura materna, é como a função da lei. É no momento em que esse desejo é barrado que a lei impõe desejá-la. Neste sentido, tem- se que desejamos no próprio mandamento, que o desejo do pai é o criador da lei.
O efeito central dessa identidade que conjuga o desejo do pai com a lei é o complexo
de castração. A lei nasce da transmudação ou mutação misteriosa do desejo do pai
depois de ele ser morto, e a conseqüência disso, tanto na história do pensamento
analítico quanto em tudo que podemos conceber como a ligação mais certeira, é o
complexo de castração (Lacan, 1963 p. 120).
Para uma criança neurótica a significação do desejo da mãe está marcada, não está forcluída, como na psicose; ela aponta o que lhe falta, ou seja, o falo como significante do seu desejo. Esse simbólico institui efeitos sobre o imaginário.
Se a criança recebeu de sua mãe a significação fálica de sua falta, então ela pode
para mãe fazer-se objeto fálico como imagem (Lacan nota-o pequeno φ). O sujeito, menino ou menina, é, pela imagem de seu eu [moi], o que falta à mãe. É isto que
está em jogo para o não-psicótico. A mãe não tem o falo, logo eu o sou...para ela!
(Julien, 2002, p. 107).
Sendo a criança um objeto ofertado a tamponar o desejo materno, cabe saber como aquela ofertará à mãe esse objeto que lhe falta e como estar à altura do que a mãe deseja. Do impossível de responder a essa questão surge a angústia de castração. Ser o objeto fálico para preencher o desejo materno é a própria angústia de ser devorado e engolido por ela. Diante do horror da castração na mulher, a perversão se instaura aí, como uma conseqüência dessa angústia avassaladora.