2 Den norske helsetjenesten
2.4 Spesialisthelsetjenesten
A coleta de dados foi realizada a partir das fotografias criadas pelas próprias participantes da pesquisa, entrevistas individuais e rodas de conversas coletivas acerca das fotos criadas. Para auxiliar os diferentes momentos da pesquisa, minhas dúvidas e dificuldades, registrei os dias de convívio em notas de campo que apesar de não serem tidas como dados para análise, me serviram para reflexão ao longo do pesquisar.
A partir da criação de fotografias, as participantes contribuíram com importante fonte de dados para esta pesquisa, pois além da imagem como recurso para se chegar a compreensões sobre o mundo-vida das participantes, foi possível realizar entrevistas individuais pautadas nas fotografias e rodas de conversa em que as catadoras reunidas, puderam compartilhar as fotografias e significados dados à coleta solidária de recicláveis.
As entrevistas foram realizadas a partir do discurso das participantes sobre as três fotografias elegidas por cada autora, vale ressaltar, que este momento de diálogo entre pesquisador e cada uma das catadoras é decorrente da construção de vínculos cultivados no dia a dia da catação, em que as posturas de pesquisador procuraram se dar despojadas de signos de classe e de status, haja vista que a inserção junto ao grupo se deu durante o cotidiano de trabalho do grupo, auxiliando e quando permitido, realizando as tarefas incumbidas, assim, buscando um entendimento das expressões das participantes que envolve segundo Valla (2014), a compreensão de cada depoente em suas “raízes culturais, seu local de moradia e a relação que se mantém com os grupos que acumulam capital” (p. 36). Deste modo, pude também, visitar quando oportuno cada uma das catadoras em suas casas ou em outros momentos para além da catação.
Segundo Bosi (2003), a qualidade da entrevista dependerá muito da qualidade dos vínculos gerados entre pesquisador e colaboradores/as, através das atenções sobre o cotidiano de ambos, a entrevista, segundo a autora, se faz da consistência do próprio convívio:
Narrador e ouvinte irão participar de uma aventura comum e provarão, no final, um sentimento de gratidão pelo que ocorreu: o ouvinte, pelo que aprendeu; o narrador pelo justo orgulho de ter um passado tão digno de rememorar quanto o das pessoas ditas importantes (p.61).
As entrevistas individuais ocorreram em visitas minhas às casas das catadoras ou durante o intervalo de catação nas ruas, ocorrendo a partir da escolha de três fotografias elegidas por suas autoras. Para esta atividade foram realizadas as seguintes perguntas:
- O que significam cada uma das três fotografias escolhidas?
As respostas de cada participante tiveram o áudio gravado e transcrito na íntegra, com manutenção das falas originais, inclusive pronúncia.
A partir das três fotografias selecionadas pelas colaboradoras do estudo para a entrevista individual, foram realizadas também rodas de conversa, em que cada participante apresentou suas interpretações e pode contar com o olhar das demais catadoras sobre suas próprias fotografias. Momento de diálogo coletivo que eram iniciados pela fala de apreciação de cada catadora sobre sua criação e, em seguida, o diálogo se abria às demais participantes. As rodas de conversa foram gravadas em audiovisual e, assim como nas entrevistas, transcritas de acordo com a fala original de cada participante.
Foram realizadas três rodas de conversa em que dez das onze colaboradoras apresentaram suas três fotos ao coletivo, uma das participantes, no entanto, no caso Aurora, apresentou somente uma de suas fotos, por decisão pessoal dela na ocasião.
Destacamos que o aspecto intersubjetivo que a roda de conversa desperta no grupo possibilita ampliar os olhares particulares e significativos de cada integrante. Em roda, as pessoas se colocam para compartilhar posicionamentos e sentimentos frente a vida, em um encontro pautado no diálogo para conhecimento de diferentes histórias que tornam o enredo de cada roda de conversa, diferente ao ser realizada. Warschauer (1997), procurando trazer amplitude que o diálogo em roda pode proporcionar, descreve que estes momentos:
São às vezes atravessados pelos diferentes significados que um tema desperta em cada participante. Este momento significa estar ainda na periferia de uma espiral onde as diferenças individuais e as subjetividades excedem as aproximações. A constância dos encontros propicia um maior entrelaçamento dos significados individuais, a interação aumenta e criam-se significados comuns, às vezes até uma linguagem própria (WARSCHAUER, 1997, p.46).
As rodas de conversa ocorreram logo pela manhã, durante a chegada do grupo ao local de encontro, o Eco Ponto, entre as 7:30h e 8:30h da manhã, horário de chegada do caminhão que traz as bags vazias da usina da cooperativa para serem distribuídas entre cada catadora para realização da catação dos materiais recicláveis porta a porta. O mesmo caminhão, depois passa em pontos estratégicos distribuídos ao longo da região da cidade onde ocorre a coleta para recolher as bags cheias para levar a usina da cooperativa. Concomitante ao horário de chegada do caminhão a coordenadora do grupo elabora e distribui os roteiros de coleta do dia a serem realizados por cada participante.
Como os encontros pelas manhãs, anterior à saída para catação, têm os horários contados e após a tarefa de catação de recicláveis do dia, cada catadora segue embora para sua residência, para cumprir com outras obrigações de cuidado familiar, indo a pé ou ônibus de onde tiverem terminado a catação, foi possível realizar os encontros coletivos pela manhã, único momento do dia que todas estão juntas. Conversando com o grupo, questionei se seria viável realizarmos encontros em outros horários do dia, mas como muitas delas moram em diferentes bairros, distantes até mesmo do centro da cidade, foi dificultoso encontrar um local com distância comum entre o grupo. Somado a isto, as catadoras não recebem auxílio transporte e teriam de arcar com a custo da tarifa de ônibus, que pelos depoimentos, são muitas vezes contadas no final do mês, sendo calculados rigorosamente, junto a este fator, as mulheres são mães e arcam com tarefas cotidianas de cuidado familiar, o que gera um desgaste físico que se somam aos da coleta seletiva realizada também aos sábados. Com estes impasses não foi possível reunir as catadoras em horários alternativos para que pudéssemos sentar tranquilamente e dialogar. Portanto, as rodas ocorreram com a boa vontade do grupo em participar deste momento de comunhão, para dialogar sobre as fotografias tiradas, durante as manhãs, ainda que um tanto às pressas, pois há uma mobilização e consenso do grupo de quanto antes saírem para a catação nas manhãs, mais cedo terminam o trabalho e acabam por não terem de sofrer o risco de passar a tarde toda sob o sol (dependendo da variação climática), ou até mesmo não encontrarem os recicláveis separados pelos moradores, por comumente serem coletados também por catadores autônomos.
Deste modo, para criar um ambiente propício e convidativo para a roda de conversa, realizei durante os três encontros, cafés da manhã feitos de alimentos solicitados pelo próprio grupo, como cachorro-quente, ou o tradicional buraco quente. Junto a isto, dispus também, com os materiais disponíveis no Eco Ponto como latas, caixotes e até mesmo cadeiras reformadas, um local para nos assentarmos e conversamos sobre as fotografias, que projetei pela tela de meu computador laptop. Ressalto ainda, que uma proposta assim, pautada no diálogo e reflexão em roda de conversa, por ser uma atividade distinta às demandas cotidianas do grupo sempre voltadas a atividades relacionadas ao movimento corpóreo, não foram espontaneamente convidativas, tendo que para cada encontro, ser combinado previamente com cada participante a possibilidade do diálogo, para que viessem já preparadas e assim, até mesmo, se aproximassem tomando assento junto à roda. Do mesmo modo, as organizações dos encontros tiveram que ser tratadas junto à coordenadora do coletivo, para que as datas não fossem simultâneas às folgas das participantes.
Como estratégia de aproximação das catadoras às fotografias tiradas por cada participante, a segunda roda de conversa foi realizada de modo diferente, onde cada catadora escolheu uma única fotografia, preferencialmente entre as três anteriormente selecionadas, para elaborar um significado para esta, uma legenda como um título ou frase para que assim imaginássemos organizar uma exposição fotográfica coletiva do grupo. Após cada integrante ter escolhido uma única fotografia, apresentei em roda de conversa o conjunto de imagens selecionadas às participantes, para que julgassem o conjunto de fotografias escolhidas e caso achassem repetitivos os temas, escolhessem uma ou outra imagem diferente, ação que não foi necessária já que as representações abordavam sob diferentes perspectivas o cotidiano do grupo. Assim, em sequência, cada catadora realizou um discurso significativo sobre sua fotografia com intenção de intitulá-la, e com isto, as demais participantes da roda puderam ouvir e apreender os sentidos e significados dados por cada catadora à foto escolhida.
Durante esta prática, muitos títulos foram surgindo, e uma com a outra, se estimularam em criar slogans sobre a coleta seletiva. Já a primeira e terceira roda de conversa ocorreu com a exposição das fotografias em diálogo coletivo, como anteriormente comentado. Apenas Aurora não apresentou suas três fotografias ao coletivo pois me pediu para que não as apresentasse. Houveram também participantes que não quiseram comentar em demasia suas fotografias, como Margarida, que resumiu sua fala apenas a adjetivos como gostei, ou ficou bonito, mas que também são comentários significativos para o conjunto de trocas ao longo da roda de conversa.