DISTRITO DE ICOARACI
2001
EMPRESAS SUGESTÕES
Empresa 1 Definir o período de defeso, dar incentivo financeiro para o setor, oferecer maior subsidio para o combustível, instituir política governamental para a área de pesca, melhorar a qualificação de mão-de-obra operacional para o setor da pesca industrial
Empresa 2 Financiamento para as empresas, instituir defeso, dar melhores condições de trabalho, melhorar as estruturas das empresas e das embarcações
Empresa 3 Investimento do governo em tecnologia, concessão de subsídios, treinamento de mão-de-obra, desenvolver pesquisa com o objetivo de aplicação prática nas empresas. Setor privado: procurar qualificar mão-de-obra operacional, investir mais, executar uma exploração sustentada ambientalmente
Empresa 4 Maior atenção do governo, melhorar a ação do IBAMA e da Marinha.
Empresa 5 Política de desenvolvimento da cadeia produtiva, melhoria na captura, incentivo à aqüicultura, fornecer linha de crédito compatível com a realidade, fiscalização para proibir a atividade clandestina, aperfeiçoamento da mão-de-obra.
4.4-Microempresas de Captura
Problemas na captura têm impacto direto sobre o processamento. Apesar de se constituírem em empresas diferentes, as microempresas de captura e as indústrias processadoras estão intimamente interligadas, pois ocupam lugares seqüenciais na cadeia de produção. Em relação ao sistema de pesca do peixe, o gerente de uma microempresa revela:
... olha, o barco de peixe, ele passa só de doze a quinze dias pescando, a própria operação do peixe, ela é muito mais barata. O barco de peixe, ele não pesca sozinho, ele pesca de parelha ou trilheira, às vezes, quando eles pescam de trilheira são três barcos pescando. São três barcos pescando pra encher um... quando enche o primeiro, aí o barco vem pro porto, e eles ficam pescando dois, dois pra encher um... aí já chega o outro lá, veio pra descarregar, e já foi... aí fica três pra encher aquele outro... e assim eles vão fazendo revezamento (gerente administrativo de uma microempresa de captura de camarão).
Na pesca do peixe, atualmente, é utilizado o sistema de vários barcos pescarem juntos. É comum que três barcos (chamado trilheira), quatro barcos (chamado quatrilheira) ou até cinco barcos arrastem juntos. O produto dos arrastos é destinado a somente uma embarcação, até que esta esteja com sua capacidade de armazenamento completa. A definição de ordem dos barcos para serem carregados está relacionada à ordem de sua chegada ao local de pesca, ou se o barco apresentar algum problema e tiver a necessidade de retornar mais rápido para a empresa.
Não existe um horário do dia definido para o arrasto, o que é levado em consideração é o tempo de arrasto. Podem ser feitos arrastos de dia ou à noite, independente das condições climáticas.
... não interessa o horário que seja [para a realização dos arrastos]. Se é meia noite, se é duas da manhã, se é três da manhã, se vai chover ou se não vai, se tá ventando ou se não tá, se tá com maresia ou se tá bem o mar... eles fazem o arrasto por quatro horas, cinco horas de arrasto, aí puxa a rede senão começa a danificar o camarão (gerente administrativo de uma microempresa de captura de camarão).
A junção dos altos custos de armação dos barcos com a incerteza quanto à pesca do recurso natural faz com que as microempresas de captura tenham que adotar inúmeras táticas para conseguir se manter no mercado e reduzir seus custos (isso também tem impacto sobre a mão-de-obra). Foi constatado, durante a pesquisa de campo, que as microempresas trocam de razão social várias vezes. Ações trabalhistas e cobranças
bancárias forçam as empresas amudarem de nome – isso pode ser identificado como uma estratégia dos microempresários para se manter no mercado.
Em relação às atividades de captura, estas também devem seguir as normas definidas pelo programa APPCC de cada indústria no que concerne à higienização e sanitização das embarcações, e às formas de manuseio do recurso pescado no convés dos barcos e seu posterior congelamento nas câmaras frigoríficas ou resfriamento nas urnas das embarcações. Na captura do camarão, os cuidados são maiores que os dispensados ao peixe, conforme afirma o entrevistado:
Exatamente, a gente contrata pessoas experientes, pessoas profissionais, que vem, dentro dos próprios estudos da [empresa processadora]. Ela solicita pra gente que seja lavado tudo... e a gente procura, a gente compra os detergentes, os cloros, tudinho... . Da maneira que ela solicita da gente, a gente faz aqui, pra evitar a contaminação, porque o camarão, ele exige esse detalhe, ele se contamina com uma facilidade imensa. O camarão, se bater uma coisa, assim, como óleo diesel, você tá entendendo? Você contamina o lote todo. Tem que ter muito cuidado com o camarão, entendeu? Tem que ter muito cuidado com o camarão, que a contaminação dele é muito rápida... (gerente administrativo de uma microempresa de captura de camarão).
Contudo, nem sempre as exigências que as empresas fazem dos microempresários para cumprir as normas do APPCC, em relação à infra-estrutura das embarcações, são obedecidas:
Agora não se pode é querer cumprir as exigências que às vezes as próprias empresas [indústrias processadoras], quando o barco vai exportar, elas ficam querendo que o barco tenha isso e aquilo e não dá. Frigorífico novo a bordo, não dá. Mas aquilo que é necessário, de fato, pra se ter um aspecto sanitário a bordo, isso é feito (empresário, proprietário de uma empresa de captura).
Em relação ao camarão, este tem de ser cuidadosamente selecionado no convés, depois ocorre a retirada da cabeça (às vezes não) e a imersão do produto em uma solução de metabissulfito de sódio para sua conservação. Posteriormente, é efetuado o congelamento (a temperatura das câmaras é definida no programa APPCC das indústrias). As práticas de conservação do camarão precisam ser rigorosamente monitoradas também em razão da duração das viagens - em média 50 dias de mar - para evitar contaminação e danos físicos ao recurso.
A forma de conservação a bordo também é importante na manutenção da qualidade, conforme destaca um gerente do CQD:
Não tem como, porque o barco de peixe, geralmente vão três barcos pra lá, aí tem o barco mãe, os três barcos pescam só pra um. Quer dizer... pesca só pra um entendeu? Aí vem aquele barco cheio que todos três pescaram só pra um, aí vem num menor número de dias e ele chega aqui, o peixe, ele chega vermelinho, bonitinho, bem conservado, em boa qualidade. E o único risco de eles chegarem aqui podres é eles não levarem uma quantidade suficiente de gelo pra gelar o peixe. O camarão é diferente do peixe, porque o peixe, ele veio em urnas, com gelo escama, aquele gelo escama. E o camarão não, eles vêm em frigoríficos mesmo de congelamento, vem em frigorífico de congelamento o camarão, e o peixe não, ele vem naquelas urnas frigoríficas, mas com gelo escama. A dosagem de peixe é de uma camada de peixe pra duas de gelo, pra poder chegar aqui em condições (gerente CQD).
Na captura do peixe, os cuidados no manuseio e na conservação a bordo também são definidos pelo APPCC. Existe uma atenção para evitar contaminação e danos físicos aos peixes capturados (recomendação de não estender a duração dos arrastos além do previsto, por exemplo), especialmente do pargo, que é comercializado para os EUA. A duração das viagens fica entre 10 e 15 dias. Nesse sentido, um ponto crítico da contaminação, na fase da captura, segundo um gerente entrevistado, é geralmente a parte de higiene, de manuseio do produto:
É manuseio. No caso de manusear, eles estavam manuseando sem a luva, no caso a luva de borracha, isso tudo é detectado. Tem que usar luva, tem que separar o camarão, tirar a carapaça, a cabeça dele, né? Colocar no cesto e depois fazer uma higiene com a própria água do mar, água do mar não tem contaminação devido ao volume de água muito grande, em alto mar (gerente CQD).
QUADRO 8