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1.4 RESEARCH OBJECTIVES

1.4.2 Specific Objectives

11.1 O homem relacional encontra-se entre a primeira manifestação (EU) e a segunda manifestação (OUTRO) ou aquilo que não sou eu, de alguma forma estabelecendo relação entre a primeira e a segunda natureza: seja política, cultura, economia, religião, trabalho etc. Pensemos a comunicação EU-TU. Ela sempre será EU-TU. Emmanuel Levinas em sua obra Totalidade e Infinito: ensaio sobre a exterioridade instiga-nos a pensar numa questão essencial para a comunicação em nossos dias: a exterioridade ou alteridade.

11.2 As coisas no mundo podem por um lado constituir “o Mesmo”. São coisas que conheço, me são familiares, tudo está ordenado e identificado, estabeleço uma certa ordem e eu denomino este mundo de minha “casa” (p. 19). Onde o Eu habita é a casa, o lugar do mesmo. A alteridade está incorporada à minha identidade de pensante ou possuidor, para constituir o mundo do “Mesmo”. Porém alteridade é exterioridade radical, está fora de minha casa.

Dessas realidades, posso “alimentar-me” e, em grande medida, satisfazer-me, como se elas simplesmente me tivessem faltado. Por isso mesmo, a sua alteridade incorpora-se na minha identidade de pensante ou de possuidor. (p. 19)

A identidade do Mesmo é o egoísmo.

A identificação do Mesmo não é o vazio de uma tautologia, nem uma oposição dialética ao Outro, mas o concreto do egoísmo. (p. 24)

O mesmo identifica-se, permanece, fixo, possui e constitui o poder.

Ora a verdadeira e original relação entre eles, e onde o eu se revela precisamente como o Mesmo por excelência, produz-se como permanência no mundo. A maneira do Eu contra o “outro” do mundo consiste em permanecer, em identificar-se existindo aí em sua casa. Habitar é a própria maneira de se manter; não como a famosa serpente que se agarra mordendo a sua cauda, mas como o corpo que, na terra, exterior a ele, se agüenta e pode. O “em sua casa” não é um continente, mas um lugar onde eu posso... (p. 24)

11.2.1 Na constituição do mesmo está o mundo do Ser (metafísica), cuja afirmação máxima é “o Ser é” e o “não ser não é”. O Mesmo, cuja casa é conhecida, busca assegurar sua identidade e conclui-se na totalidade de si mesmo. A vida e o mundo para o Mesmo constituem esta totalidade, onde não cabe mais o Outro. Potencialmente a totalidade caminha para um absolutismo, como é o caso do programa nazista ou ainda do sistema planetário de comunicação.

11.3 Levinas instaura no reino do Mesmo o reino do Outro. A afirmação desconcertadora de Levinas é que não somos seres para o “Mesmo” e sim seres para o “Outro”. Assim como Buber, Levinas afirma o homem como ser relacional. Há para

Levinas, uma separação absoluta entre o Mesmo e o Outro, que constitui a ipseidade de cada coisa. É esta ipseidade que constitui a cada coisa ser uma outra coisa. Esta separação entre o Mesmo e o Outro é preenchido pela relação.

A irreversibilidade não significa apenas que o Mesmo vai para o Outro, diferentemente de como o Outro vai para o Mesmo. Essa eventualidade não entra em linha de conta: a separação radical entre o Mesmo e o Outro significa precisamente que é impossível colocar- se fora da correlação do Mesmo e do Outro para registrar a correspondência ou a não- correspondência desta ida a este regresso. De outro modo, o Mesmo e o Outro encontrar-se- iam reunidos sob um olhar comum e a distância absoluta que os separa seria preenchida. (p. 22)

11.3.1 Há um espaço entre o Mesmo e o Outro que é preenchido por um “olhar comum” (o “entre”). São os pontos das intersecções, onde as duas circunferências se encontram neste espaço do “olhar comum”. Porém, o Outro determina-se como outro porque Eu sou absolutamente EU e o Outro se constituirá como absolutamente Outro. Levinas observa a cada coisa uma singularidade extrema constituinte de alteridade própria. Porém, sendo cada coisa em si mesma uma casa e nesta tendemos a ficar, o que nos faz ir em direção ao Outro?

11.3.2 O ser relacional pulsa com o “desejo metafísico” (p. 19). Este desejo não está racionalizado, ele tende para uma coisa inteiramente diversa, para o absolutamente outro. “O Desejo é desejo do absolutamente Outro” (p. 20). Este Desejo é ateu, desinteressado e pulsionador da vida para o Outro. “Desejo sem satisfação que, precisamente, entende o afastamento, a alteridade e a exterioridade do Outro” (p. 21). O desejo metafísico é movimento do inadequado, sua lógica é a contemplação do diferente, não busca a adequação (conhecimento em Aristóteles) ou a identificação (metafísica). Torna a casa habitada pelo Mesmo, como estrangeira de si mesma, portanto transcendente.

O movimento metafísico é transcendente e a transcendência, como desejo e inadequação, é necessariamente uma trans-ascendência. A transcendência pela qual o metafísico o designa tem isto de notável: a distância que exprime – diferentemente de toda a distância – entra na

maneira de existir do ser exterior. A sua característica formal – ser outro – constitui o seu conteúdo, de modo que o metafísico e o Outro não se totalizam; o metafísico está absolutamente separado. (p. 21- 22)

11.4 O desejo metafísico arranca-me de minha casa, do meu Eu e lança-me para fora (exterior). Constituímo-nos como seres transcendentes. Embora, para Levinas a minha intimidade mais profunda seja estranha e hostil para mim “É verdade que a minha intimidade mais profunda se me apresenta como estranha ou hostil” (p. 25). O que torna o meu próprio EU uma alteridade para mim mesmo. A alteridade do Outro é anterior a toda e qualquer ação do Mesmo. Constitui, portanto um pré-suposto para a relação.

O Outro metafísico é outro de uma alteridade que não é formal, de uma alteridade que não é um simples inverso da identidade, nem de uma alteridade feita de resistência ao Mesmo, mas de uma alteridade anterior a toda a iniciativa, a todo o imperialismo do Mesmo; outro de uma alteridade que constitui o próprio conteúdo do Outro; outro de uma alteridade que não limita o Mesmo, porque nesse caso o Outro não seria rigorosamente Outro: pela

comunidade da fronteira, seria, dentro do sistema, ainda o Mesmo. (p. 25)

11.4.1 O Outro perturba o Mesmo, pois não pode ser possuído, dada a sua alteridade que é anterior a qualquer movimento do Mesmo. O Outro se torna Estrangeiro, pois o Mesmo não o limita conceitualmente, não o captura em sua casa. O Estrangeiro é livre. “Ausência de pátria comum que faz do Outro – o Estrangeiro; o Estrangeiro que perturba o “em sua casa”. Mas o Estrangeiro quer dizer também o livre. Sobre ele não posso poder...” (p. 25).

11.4.2 O Desejo metafísico; movimento para a transcendência coloca-nos em face do Outro. Este movimento, que não deseja a captura ou redução do Outro, mas sempre reconhece o Outro como o “absolutamente Outro” (p. 25). Sempre estranho, irredutível, totalmente Outro de mim “O absolutamente Outro é Outrem” (p. 25).

A estranheza de Outrem – a sua irredutibilidade a Mim, aos meus pensamentos e às minhas posses – realiza-se precisamente como um pôr em questão da minha espontaneidade, como ética. A metafísica, a transcendência, o acolhimento do Outro pelo Mesmo, de Outrem por Mim produz-se concretamente como a impugnação do Mesmo pelo Outro, isto é, como a ética que cumpre a essência crítica do saber. (pág. 30)

11.4.3 Outrem está fora do Mesmo, é alteridade. O desejo metafísico que é ateu não quer capturá-lo, designá-lo, ter poder sobre ele. Quer a relação. O encontro. O desejo metafísico não é saciável, ele é desejo de Outrem. Este é o horizonte relacional para o homem.