• AnA 2.1 – Desafio individual: Estudo e registro em áudio – flauta doce
• AnA 2.2 – Desafio individual: Estudo e registro em áudio – flauta doce
A unidade 2 foi iniciada com a apresentação das notas fa, mi ré e dó, que equivalem à região grave da flauta doce soprano. Orientei que todos deveriam estudar sete exercícios de Monkemeyer (1966), por estes focarem as notas novas, terem escrita rítmica bastante
85 As gravações dos alunos, a partitura com indicações da tutora e a gravação de Cris
simplificada e desenho melódico com destaques para grau conjunto e saltos, criando desafios na troca dos respectivos dedilhados, e finalmente, por apresentarem duas melodias contemplando toda a extensão de notas aprendidas. Enfatizei, nos dois enunciados, que os alunos aproveitassem as orientações e o acompanhamento de Cris na preparação dos exercícios, pois os mesmos seriam tocados e avaliados no encontro presencial.
Podemos verificar no Quadro 19 os aspectos destacados por Cris após apreciação das atividades postadas pelos alunos. É possível constatar enfoque na troca mais segura de dedilhado na região das notas graves da flauta doce (comentários para Dani Tavares e Carlos) e na emissão mais clara da nota fá (comentário para Valdecir).
Gravações registradas (alunos)86
Trechos de orientações (Cris)
Dani Tavares Grupo-trio: toque a nota 1 e, enquanto a deixa soar, pense nas mãos movimentando as notas seguintes. Só aí toque as notas 2 e 3. Vai ficar assim o ritmo: taaaaa, ta, ti. Aí volte o exercício todo fazendo normal como está escrito. Penso que sairá mais firme e ágil depois de algumas tentativas. [orientação voltada para revisão do exercício 23
(MONKEMEYER,1966)
Carlos Andamento X qualidade de som-agilidade: No exercício 23, você demonstrou grande habilidade na escolha da velocidade do estudo. Ótimo. Porém, acho que você pode fazer menos veloz e com mais cuidado na precisão das mudanças [de notas] e permanência do pulso. A velocidade fica plena e bacana quando conseguimos aliar dedos e pensamento condutor da ação.
Valdecir 1)Toque fa-sol, fa-la, fa-mi, faaa [2x]. 2) Toque fa-sol, fa-fa,fa-mi, réee [2x]. 3) toque fa-la, sol-fa, re-sol, faaa [2x]. Depois componha outras frases como quiser.
Quadro 19 – Comentários enviados pela tutora Cris após apreciação de AnA 2.1 e AnA 2.2.
• AA 2.3 – Desafio em grupo: estudo, registro e recital
• AA 2.4 – Desafio em grupo: Criando um acompanhamento com percussão corporal.
Configurei dois fóruns, AA 2.3 (Figura 18) e AA 2.4 (Figura 19) respectivamente, para diferenciar etapas da mesma atividade, compartilhar com os colegas uma melodia de livre escolha, justificar a escolha, apreciar e comentar as gravações escolhidas pelos colegas, escolher uma das melodias postadas, criar e registrar um acompanhamento com percussão corporal e apreciar as sugestões de todos.
Figura 19 – Enunciado da 4ª. atividade avaliativa da Unidade 2.
A orientação para que justificassem suas escolhas, apreciassem as gravações uns dos outros e experimentassem parcerias foi uma maneira que encontrei para estimular a vivência do “estar junto virtual” (VALENTE, 2003) que, nesse caso, transformou-se em “tocar junto virtual”. Para a pergunta “Com qual melodia você gostaria de presentear
seus colegas de polo?”, encontramos nas falas de Clarindo e Ana Paula,
destacadas a seguir87, respostas que podem representar prazer na escolha, em compartilhar significados da história pessoal e expectativa do que acontecerá na fase seguinte.
“Quando criança, vivendo na área rural, lá chegaram os rádios a pilha e Asa Branca estava na crista da onda. Tentei relembrá-la. Tomara que quem se dignar a acompanhá-la consiga enfeitar a discreta execução!.” [trecho da justificativa de Clarindo para
postagem da primeira parte da melodia Asa Branca de Luiz Gonzaga]
“Eu quis postar outra música usando a flauta doce tenor e a flauta doce soprano com a música “Sabiá” (...), arranjo de Gabriel Lévy
87 Retomei falas que foram analisadas no capítulo 4, pois considero pertinente aos dois
porque quis escolher uma especial como homenagem pra vocês! Ainda tenho muito que estudar nela (...) mas vai valer o esforço. Espero que gostem”. [trecho da justificativa de Ana Paula para
postagem da música Sabiá de Luiz Gonzaga]
Dentre os comentários de Cris nas avaliações de AA 2.3, pude constatar apreciação atenta, valorização das escolhas de cada um dos alunos, apontamentos de equívocos ou aspectos que poderiam ser revistos e melhorados, bem como dicas de como fazê-los. Ana Queila tocou um tema do folclore brasileiro, “Xique Xique” e trouxe algumas notas descaracterizadas na gravação. Cris iniciou seu feedback com foco nas conquistas da aluna, problematizou o controle de articulação e acrescentou gravação para que a aluna pudesse comparar duas formas distintas de articulação. Alessandra, por sua, vez, equivocou-se na omissão de uma determinada nota da melodia escolhida.
Oi, Alessandra88, seu Samba Lelê está muito bom, só praticar mais um pouquinho para colocar mais gás no andamento. rs (a gente acostumou a ouvi-la mais rápido, só isso). Olha, uma coisinha que reparei foi a falta do fá sustenido. Em todos os fás é #; veja a posição no link disponível no ambiente, logo antes da Unidade 189. Você realizou os padrões rítmicos muito bem,
parabéns. Continuemos. Se puder, regrave com fá# e me envie, ok? Abração!!
Oi, Ana Queila, seu Xique Xique está bacana. Parabéns por ter enfrentado uma melodia com bastante fá e dós! Você melhorou articulação das notas (tu), estão mais claras. Maravilha. Agora vamos cuidar de refiná-las: atenção à intensidade do 'tu', se o T ficar muito destacado vai soar muita articulação [e nos graves há tendência de apitar]. Então, experimente estudar de 2 formas como no áudio que envio pra você, com tu mais enfático (versão a) e menos (versão b, nossa meta). Ok? Você está indo muito bem! Abração
88 As gravações de Alessandra, Ana Queila e Cris estão disponibilizadas no anexo N. 89 http://www.hrs.hampshire.org.uk/finger/cfinger.htm Acessado em 12 de julho de 2010.
Nessa fase da disciplina, a dificuldade percebida na gravação de uma voz através do programa Audacity mostrou-se superada. A formação de parcerias com colegas provocou, todavia, novas aprendizagens na experimentação do programa para sobreposição de vozes e no respeito aos limites de cada um. O programa apresenta uma pequena defasagem de tempo entre as vozes sobrepostas e isso deve ser corrigido manualmente, como orientado no site de suporte90. Por outro lado, tocar com o outro também traz aprendizagens e desafios na manutenção da constância da pulsação, na afinação, na coerência estética entre os executantes, entre outros aspectos encontrados no dia a dia de nossos ensaios e recitais realizados presencialmente.
Na parceria de Clarindo e Ana Paula91, é possível
acompanhar o movimento de oscilações e breques da percussão para tocar junto com a flauta doce e, na gravação de Dani Tavares e Clarindo, identificamos um determinado timbre vocal com representação bem similar à escolha da paisagem sonora sugerida pela temática da música, isto é, animais que habitavam a fazenda do Velho Donald.
De maneira geral, Cris incentivou que os alunos e as alunas registrassem em partituras convencionais suas produções, pois poderiam ser multiplicadas nos contextos profissionais de cada um. Suas sugestões perpassaram o cuidado em tocar junto em alguns casos, [“como
percussionistas acompanhadores, precisamos caminhar juntos com o tema, estar atentos a ele, sendo ele o chefe comandante. Até suas oscilações, quando acontecem, devem ser assimiladas por nós”] e a
possibilidade de arriscar mais em outros, [“traga surpresas como ritmo da
melodia, breques, repiques, mudanças na base, conforme mudam as seções da música, etc.”
90 Disponível em http://audacity.sourceforge.net/ Acessado em 15 de julho de 2010. 91 Gravações das parcerias de Clarindo e Ana Paula, Dani Tavares e Clarindo, Humberto
No enunciado de AA 2.4, havia apenas a indicação do timbre corporal para registro do acompanhamento. Os desdobramentos sobre os elementos rítmicos e organização formal, todavia, foram pormenorizados e orientados nos comentários da tutora. “Sua rítmica para
a Canoa Virou ficou ótima, com timbres variados, repiques e mudança seguindo a seção B da peça.” [comentário de Cris para Rodrigo]
• Encontro Presencial (31 de outubro e 1º de novembro de 2009) A realização do encontro presencial somou 14 (catorze) horas de atividades voltadas à prática de flauta doce, leitura de partituras, investigação de timbres corporais, estudo, organização e performance de arranjos para pequenos conjuntos musicais92.