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The special Euclidean group SE(2)

In document University of Bergen (sider 33-41)

A entrevista é uma técnica de recolha de dados bastante adequada para a obtenção de informação acerca da opinião das pessoas (conhecimentos, vivências, expectativas, explicações sobre determinado facto, ou opinião sobre acontecimentos anteriores). Esta técnica, permite ao entrevistador recolher informações de pessoas com baixa escolaridade, esclarecer o conteúdo das questões, assim como adaptar-se às pessoas e às circunstâncias em que se desenrola a entrevista. Dá também a possibilidade de presenciar a expressão corporal, o tom de voz, e a ênfase atribuída às respostas pelo entrevistado. A entrevista não estruturada, permite ao entrevistado falar abertamente, utilizando o vocabulário que desejar e a sequência que entender.

“A entrevista como método de recolha de dados, é uma técnica que possibilita o acesso ao que está na cabeça das pessoas, ao não observável: opiniões atitudes, representações, recordações, afectos, intenções conhecimentos e informações” (Tuckman, 1994). Segundo Erickson (1989) citado por Amado (1998:28) ela dá os “significados locais” dos conhecimentos para as pessoas que nelas participam. Passa-se do nível puramente descritivo para o interpretativo”. O presente trabalho de carácter essencialmente qualitativo, privilegia a descrição através do estudo das percepções pessoais dos sujeitos, que fornecem informação sobre o que se pretende pesquisar. Bogdan e Bicklen (1994:54) a este propósito, dão-nos conta das principais características da investigação qualitativa. Assim neste tipo de investigação:

• A fonte directa dos dados é ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal. Os dados são recolhidos em situação e complementados no contacto directo. As acções são melhor compreendidas quando contextualizadas. Para o investigador qualitativo separar o acto, a palavra ou o gesto do seu contexto é perder de vista o significado.

• É descritiva – os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens, as narrativas dos sujeitos ou outros dados não são redutíveis a números. O mundo dos sujeitos é analisado de forma minuciosa, são tidos em conta detalhes despercebidos, gestos, piadas, silêncios porque para o investigador qualitativo, nada é trivial, tudo pode ser pistas para uma melhor compreensão do objecto de estudo.

• Interessa-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos. A compreensão dos processos que seguem as pessoas para dar significados, como é que surgiu este ou aquele acontecimento e as repercussões que teve para ávida das pessoas, é mais importante do que propriamente o resultado ou produto que se obtenha.

• Tende a analisar os dados de forma indutiva – os dados recolhidos não têm como objectivo confirmar ou infirmar hipóteses. Pelo contrário, as categorias abstractas são construídas à medida que os dados particulares que foram recolhidos se vão agrupando. O processo de recolha é um processo aberto; o investigador à partida assume que tudo pode ser importante e não presume que já sabe o suficiente.

• O significado é de importância vital na abordagem qualitativa – os investigadores estão interessados na forma como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas. Os investigadores questionam os sujeitos de investigação, com o objectivo de perceber aquilo que eles experimentam, o modo como eles interpretam as suas experiências e o modo como eles próprios estruturam o mundo social em que vivem.

A opção pela investigação qualitativa, deve-se à exigência manifestada pela natureza do tema e pelo instrumento utilizado. Trata-se também de um estudo exploratório, pois dado o número reduzido da população em estudo, os resultados não visam a generalização.

Na opinião de Bogdan e Biklen (1994:136) “ as boas entrevistas caracterizam-se pelo facto de os sujeitos estarem à vontade e falarem livremente sobre os seus pontos de vista (…)”. No entanto, Ghiglione e Matalon (1992:64) consideram a entrevista como sendo “ (…) uma conversa com um objectivo”. Igualmente e nesta linha de analisa Gil (1991:13), afirma que:

“Enquanto técnica de coleta de dados, a entrevista é bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, pensam, esperam, sentem ou desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes”

A Entrevista semi-estruturada ou semi-directiva, caracteriza-se pela existência de um guião previamente preparado, que serve de eixo orientador ao desenvolvimento da entrevista o qual procura garantir, por um lado, que os diversos participantes respondam às mesmas questões, e por outro, não se exige uma ordem rígida nas questões, mas sim que todas sejam cobertas na entrevista. O desenvolvimento da mesma, vai-se adaptando ao entrevistado, o que mantém um elevado grau de liberdade na exploração das questões. A opção pela utilização da entrevista semi-directiva ou semi-estruturada deveu-se ao facto de nos parecer a mais adequada, face aos objectivos e natureza qualitativa do estudo. Como considera Andrade (1999:110), “ela valoriza a presença do investigador possibilitando a sua presença “consciente e actuante” sempre que necessário e permite todas as condições possíveis para que os investigadores possuam a liberdade e a espontaneidade necessárias.” Na opinião dos autores Ghiglione e Matalon, (1992), a entrevista apresenta as seguintes vantagens e limitações:

i) Vantagens:

• Possibilita a obtenção de informações referentes aos mais diversos aspectos do fenómeno estudado;

• É eficiente para obtenção de informações em profundidade acerca do comportamento humano;

• As informações podem ser susceptíveis de classificação e de quantificação. • Não exige que o entrevistado saiba ler e escrever;

• Como é realizada na presença do entrevistador, tem uma maior flexibilidade quanto ao esclarecimento de uma pergunta;

• Possibilita captar as mais variadas expressões do respondente. ii) Limitações:

• Falta de motivação do respondente para responder às perguntas;

• A inadequada compreensão do significado das perguntas; • Influência exercida pelo aspecto pessoal do entrevistador;

• Influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas dos entrevistados.

A Entrevista não directiva é uma terminologia criada e vulgarizada por Carl Rogers desde 1942, que define o método da entrevista não directiva centrada no cliente. Privilegiámos o discurso oral na recolha de dados de modo a identificar as causas do abandono escolar e compreender de que forma os cursos E.F.A completam a escolaridade obrigatória e promovem a auto estima dos sujeitos envolvidos. No processo de recolha de dados, foi construído previamente e utilizado um guião esboço da entrevista, mais ou menos estruturado e pormenorizado, constituído por uma lista de interrogações, que foram colocadas ao narrador, não obedecendo às injunções metodológicas do questionário de inquérito. Este modelo, comum a todos os entrevistados, comportou 5 temas precisos, mas sofreu algumas variantes, dada a natureza de algumas questões, não se aplicar aos quatro intervenientes no estudo. O guião foi estruturado em quatro blocos:

∗ O primeiro bloco (bloco A) – Legitimação da Entrevista – destinava-se a legitimar a entrevista e a motivar os entrevistados, informando-os, em traços gerais, sobre o trabalho; ∗ O segundo bloco (bloco I) – Perfil Social – pretendíamos recolher dados sobre o contexto social e a origem geográfica do individuo que possam ter sido factores determinantes do abandono escolar;

∗ O terceiro bloco (bloco II) – Trajectória Escolar formativa – teve como objectivos conhecer o percurso escolar dos entrevistados compreender o modelo de escola em duas épocas distintas (antes e pós 25 de Abril), conhecer as razões do abandono e finalmente conhecer o percurso formativo dos indivíduos;

∗ O quarto bloco (bloco III) – Situação Profissional – Este bloco refere-se sobretudo á formação do indivíduo em idade adulta, pretendemos saber por um lado, se os E.F.A alteraram a vida quotidiana das pessoas sobretudo no que se refere aos hábitos, à ocupação, salário e às novas competências adquiridas, por outro quais as motivações que levaram os indivíduos em causa a fazer este tipo de formação;

∗ O quinto bloco (bloco IV) – Auto estima – pretendemos principalmente inquirir as pessoas no sentido de perceber de que forma a frequência ou a conclusão dos cursos lhes melhorou a sua auto estima, numa perspectiva de realização pessoal profissional.

Era nosso objectivo recolher elementos que permitissem conhecer os motivos do abandono precoce da escola, visava ainda compreender de que forma os cursos de Educação e Formação de Adultos suprem as lacunas da não escolarização e podem ser para quem os frequenta, uma mais-valia em termos pessoais e profissionais.

Realizámos um primeiro contacto directo com cada um dos entrevistados procurando criar desde logo um clima de à vontade, evitando barreiras como as que poderiam resultar do estatuto de entrevistador. Ainda neste primeiro contacto procurámos esclarecer os entrevistados sobre os nossos objectivos e sobre as linhas gerais do trabalho, salientando a importância e necessidade da sua participação. Assim, tal como o guião prévia procurámos motivar os entrevistados e apelar à sua cooperação e colaboração.

As entrevistas foram realizadas, de acordo com a disponibilidade manifestada pelas pessoas. As mesmas, decorreram em ambientes calmos e propícios a uma boa

comunicação, pela qual é possível ao entrevistador ter acesso à informação dos entrevistados, sendo que as das senhoras decorreram na própria casa delas, por vontade expressa das mesmas e as dos senhores decorreram, uma no Centro de Emprego de Moura outra numa sala da Junta de Freguesia de Vila Nova de S. Bento. A duração das entrevistas foi, em média, de quarenta minutos, tendo sido garantido o anonimato. De todas foi feita a gravação áudio com a devida autorização dos entrevistados, tendo sido transcritas na sua íntegra, respeitando repetições e incongruências, próprias do discurso oral.

A nossa preocupação também se prendeu me criar condições que permitissem aos entrevistados a sua expressão espontânea, permitindo-lhes à vontade para falarem livremente sobre os seus pensamentos, pois pretendia-se que as entrevistas manifestassem os seus pontos de vista. Pelo carácter semi-directivo da entrevista a nossa intervenção no discurso dos entrevistados apenas se efectuou quando se verificavam desvios ao pretendido.

Desta forma, assumimos uma posição de ouvinte atenta manifestando contudo, a nossa atenção e interesse, face ao discurso dos entrevistados, quer através de aspectos não verbais da nossa intervenção, especialmente com sinais de aprovação com a cabeça, mas também com comentários aos entrevistados no sentido de clarificarem alguma ideia ou precisarem algum aspecto que nos parecesse menos claro.

In document University of Bergen (sider 33-41)