4.2.1. O edifício
A Escola do Porto Santo foi criada há cerca de 30 anos passando a funcionar num edifício provisório construído para o efeito. É esse mesmo edifício, com pequenos acréscimos, que continua a albergar a comunidade escolar. Por isso, os retoques de circunstância aqui e ali não disfarçam a degradação acentuada em que se encontra a construção. O estado de quase-ruína é visível em todo o lado (anexos IV; X, referência 2)2, mesmo no exterior da escola, onde os muros de cimento apresentam rachas enormes. Mas o pior salta aos olhos no seu interior: chão irregular formado por placas de cimento, paredes com vigas à mostra, grandes manchas escuras no tecto e tinta a descascar. O aspecto de degradação é geral, mas, em alguns recantos, nota-se mesmo
2
Nas citações futuras dos anexos, excepto entrevistas, limitar-me-ei a indicar o número romano correspondente à numeração geral da listagem final dos anexos. Em caso de citação literal ou de referência directa ao facto descrito no momento, será seguido de um número árabe, referência que
um certo ar de abandono. Nas salas de aulas, nada melhora: pequenas placas de revestimento a desprenderem-se do chão; manchas nas paredes; estores que não funcionam, mas que perturbam quando agitados pelo vento; fios, ligações eléctricas e lâmpadas sem qualquer protecção no tecto; armários cheios de materiais empoeirados…
Contudo o pior acontece em dias de chuva (IV, 4; X, 2), quando a água pinga do tecto em vários locais: em frente da secretaria, no bar dos professores, na papelaria, na rampa de acesso ao corpo 3, no corredor deste corpo (de construção mais recente) e em várias salas. A situação tem piorado de ano para ano devido ao estado de degradação contínua do telhado em fibrocimento. Esta cobertura tem levantado nos últimos meses muitos receios junto da comunidade escolar mais informada, por incluir amianto na sua composição, material cancerígeno (X, 2). No entanto a direcção da escola não parece sensível a tal preocupação. Aliás, sempre que se fala em algum problema da construção, os responsáveis contornam-no dizendo que está prevista a edificação de uma nova estrutura e que a actual não oferece qualquer risco. Só que essa promessa é muito antiga, não se acreditando que seja concretizada neste momento de estrangulação financeira.
4.2.2. Alguns espaços
A escola do Porto Santo para a realização de aulas apresenta 23 salas regulares, 3 pequenas salas (para 6 a 10 alunos), 2 salas de Físico-Química, 4 salas de informática, 2 salas de Educação Visual, 1 sala de Artes, 1 sala de Educação Musical e 1 sala de Educação Tecnológica. Estes espaços têm-se revelado insuficientes, sendo frequentes as aulas na biblioteca, em gabinetes de professores e em pequenas salas do pavilhão multiusos, no caso de aulas do ensino especial com poucos alunos
Em termos de espaços desportivos, a escola viu a sua oferta muito melhorada com as construções recentes da piscina e do pavilhão multiusos da responsabilidade e administração do IDRAM. Para além deles, tem um ginásio, que padece dos males estruturais do edifício primitivo, e um recinto polivalente em péssimo estado, apresentando, inclusivamente, um piso irregular que é um perigo constante para a segurança dos alunos e professores.
No passado, um bom número de alunos frequentava, nos intervalos, o polivalente e os espaços anexos, mas, no início do presente ano lectivo, a comunidade escolar foi surpreendida com a instalação de um mecanismo de controlo de acesso na porta de ligação entre os espaços interiores e exteriores posteriores da escola. Os alunos viram, dessa forma, as áreas ao ar livre reduzidas aos jardins à frente da escola. Foi uma decisão da exclusiva responsabilidade do presidente do conselho executivo que criou muito mal-estar nos alunos e nos professores que não tiveram direito ao cartão de acesso. Entretanto, devido às várias avarias do mecanismo, causada por alunos mais afoitos e destemidos, foi feita a sua substituição por chaves, disponibilizadas gratuitamente aos docentes que já tinham cartão ou pagas por todos os outros que as desejassem. Entre os professores, a tensão abrandou com esta decisão, mas os alunos continuam a mostrar o seu desagrado, sendo vulgares as pancadas e os pontapés, numa tentativa de acabar com aquela barreira que lhes obstrui o acesso a uma parte importante do recinto escolar (IV, 2, 3).
A biblioteca escolar é um dos locais mais frequentados por muitos alunos, mas a animação que apresenta durante os intervalos quase nada tem a ver com os livros. Funciona como um local de convívio e de diversão para certos grupos de amigos. Mas é natural que assim aconteça, porque há muitos anos que não apresenta qualquer animação cultural e tem sido praticamente esquecida pelos órgãos de gestão da escola, que não têm mostrado sensibilidade à actualização do seu fundo bibliográfico e à modernização de todo o espaço. Além do mais, a sua área é demasiado exígua para que se possa transformar num local aprazível à leitura e à reflexão.
A sala 13 tem tido muitas funções que se prejudicam umas às outras: sala de estudo, eufemismo para designar o local para onde são mandados os alunos expulsos das salas de aulas; anexo da biblioteca, já que contém armários de livros, alguns deles rigorosamente fechados à chave; sala de computadores atribuídos a alguns alunos no âmbito de um dos muitos programas de incentivo ao uso/consumo de materiais informáticos. Actualmente está num impasse: foi aí instalado um quadro interactivo, não se tendo ainda percebido quem o pode utilizar e em que circunstâncias. Além disso, não foi comunicado para onde será remetida a sala de estudo quando o quadro estiver a ser utilizado durante as aulas, mas parece que terá de ser, novamente, a biblioteca a desempenhar mais uma função que nada tem a ver que os seus objectivos primordiais.
O bar, denominado habitualmente como cantina, é um dos espaços principais para a ocupação dos intervalos dos alunos. Não que tenha algo mais do que é comum em qualquer bar escolar, mas porque são tão poucos os espaços disponíveis que os alunos se vêem obrigados a procurá-lo porque, pelo menos, aí, têm onde se sentar confortavelmente. Por outro lado, há alunos que passam nele longos períodos, mas à espera de serem servidos. Chega a ser caótico o seu funcionamento, com uma fila compridíssima e diversos braços estendidos ao balcão de atendimento. São muitos os alunos que se queixam (IV, 6; X, 1,2), quando confrontados com os atrasos na chegada às aulas, da demora no atendimento. Também da parte dos professores há as mesmas queixas.
4.2.3. Actividades extracurriculares
Todos os anos têm funcionado diversos clubes que oferecem uma grande diversidade de actividades extracurriculares: teatro, música, fotografia, escrita, leitura, artes plásticas, aeromodelismo. No entanto a diversidade é apenas aparente, porque quase todas as ofertas se concentram na quarta-feira à tarde, período em que os alunos não têm aulas. Mas, quatro vezes por período, os alunos dos 2º e 3º ciclos são obrigados a realizar os testes únicos de Português e de Matemática, provas iguais para todas as turmas da escola, entre as 15:30 e as 17:00 horas, precisamente o horário em que funcionam quase todos os clubes. Se a isto acrescentarmos as salas de estudo de muitas disciplinas e algumas modalidades do desporto escolar também à mesma hora, é lógico concluir-se que as actividades curriculares são completamente desvalorizadas pelo órgão de gestão e muitos dos clubes só têm existência no papel, já que na prática não são compatíveis com os tempos livres dos alunos.