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Spørreundersøkelse om myndighetsoverføring fra Riksantikvaren til fylkeskommunene

Durante a construção do projeto, logo no início da pesquisa, elegi como método principal da Entrevista em Profundidade. Mas no decorrer da investigação percebi que para compreender melhor as questões referentes aos usos dos diferentes lugares de acesso seria necessária uma permanência maior em campo. Essa permanência me permitiu compreender as regras e cotidianos que são traçados, algumas vezes por seus coordenadores e financiadores, outras por seus usuários que desenvolvem ali

formas de usos diversas23. Tais bricolagens não são possíveis de encontrar somente numa análise documental ou mesmo em dados estatísticos.

Esse método constituído por um “estar em campo” denominado como Observação Participante tem como característica primordial observar as pessoas em seu

habitat natural buscando enxergar nos costumes e hábitos rotineiros elementos úteis

para o conhecimento social. Na observação participante o caráter íntimo das relações sociais deve ser revelado ao lado das tradições e costumes, das ideias, dos sentimentos de grupo e da compreensão da totalidade de sua vida. Dessa forma é necessário estar atendo às regras implícitas nas atividades do grupo, assim como também às regras não obedecidas ou transgredidas e como ocorrem os sentimentos de amizades e os laços que são estabelecidos no grupo. Assim o pesquisador por meio desse método tem possibilidade de analisar a realidade social que rodeia o sujeito da pesquisa. Segundo Guimarães (1980):

a Observação participante é um processo pelo qual mantém-se a presença do observador numa situação social com a finalidade de realizar uma investigação científica. O observador está em relação direta com os observados e participando da vida deles no seu cenário natural, colhe dados. Assim o observador é parte do contexto sob observação, ao mesmo tempo modificando e sendo modificado por esse contexto. (GUIMARÃES, 1980, p. 89).

Segundo Junker (1971) a Observação Participante é estafante, porém desafiadora e compensadora, pois ao mesmo tempo que possibilita ao observador uma expansão de conhecimento e percepções contribui de forma efetiva para o conhecimento social em geral. Para o autor este não é apenas um dentre os vários métodos de estudo social, mas é o mais importante pois, bem mais que um método, trata-se de um estilo, uma prática sociológica que prioriza a interação face-a-face, a pesquisa “ao vivo”.

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De fato a característica peculiar desse método é que o pesquisador em maior ou menor grau é imerso na teia de interação social que observa, analisa e relata. Contudo, existe em torno dessa prática uma dialética infindável, que diz respeito ao grau de imersão do observador. Segundo Junker (1971) o pesquisador oscila entre dois extremos: “Participante Total” e o “Observador Total”. Entre esse dois extremos estão o “Participante-como-Observador” que se aproxima mais do primeiro extremo e o “Observador-como-Participante” que se aproxima do segundo.

Participante-como-observador se relaciona com o campo e com seus informantes de forma clara e consciente, ou seja todos os envolvidos na pesquisa estão cientes de que a relação entre ele é meramente de campo. Esse papel é exercido em estudos de comunidades nos quais o observador constrói relações com os informantes lentamente e onde pode utilizar tempo e energia para participar da vida social daquele local.

O Observador-como-participante exige uma observação mais formal do que informal sem a intenção de espécie de participação. Esse tipo de papel resulta num menor risco de “virar nativo”. Contudo esse tipo de comportamento observacional pode tornar a pesquisa superficial.

Esse dois tipos de comportamento em campo levantam novamente as questões que giram em torno da Riqueza de dados x Objetividade. (JUNKER, 1971). O fato é que o observador deve deixar o objeto falar de forma que a condução desses papéis possa ser exercida de maneira mais coerente possível.

Mesmo tendo o propósito, desde o inicio, de me portar de forma participativa dentro do campo, confesso que no início dessa investigação me sentia mais ligada a uma posição de observador do que de fato participante. Esse quadro foi se invertendo no decorrer do processo da pesquisa.

A Casa Brasil, programa de inclusão digital é uma instituição governamental, possui regras que não permitem um pesquisador “estranho”. É como uma casa, uma residência, exige uma apresentação para haver permanência. Nessa instituição, mesmo que de forma gradativa, pude atuar de forma participativa. Na LAN

house, estabelecimento comercial que consideram os usuários de internet como clientes,

minha permanência no local foi justificada, inicialmente, pela simples necessidade de acessar à internet. Durante as primeiras visitas ao estabelecimento não me apresentei como pesquisadora e utilizava os computadores mediante a um pagamento como todos os outros usuários. Com o passar do tempo fui ganhando simpatia pelo dono do estabelecimento e pelo seu funcionário e me apresentei como pesquisadora depois de aproximadamente dois meses.

Essas posturas diferenciadas deixam claras as peculiaridades existentes em cada realidade. Essas se apresentam por meio de regras de funcionamento e rotinas de cada local de acesso. Essas especificidades mostram a flexibilidade exigida em campo para que haja sintonia com o objeto estudado. Como Velho (2003) assegura que para ser bem-sucedido na pesquisa de campo

depende das peculiaridades das próprias trajetórias dos pesquisadores(...)Logo, não há fórmulas nem receitas, e sim tentativas de armar estratégias e planos de investigação que evitem esquematismos empobrecedores. Assim, cada pesquisador deve buscar suas trilhas próprias a partir do repertório de mapas possíveis. (VELHO, 2003, p.18).

De acordo com esse direcionamento metodológico pude perceber as rotinas dos lugares de acesso, o comportamento dos sujeitos da pesquisa nesses espaços e a rotina silenciosa traçada por eles. Apesar de ter iniciado minhas idas ao campo em Maio de 2009, foi no ano de 2010, a partir do mês de abril, que iniciei minhas idas sistemáticas duas vezes por semana. Essas visitas foram registradas no diário de campo

(DC) até o dia 24 de novembro de 2010. Em abril de 2011 tive que voltar a campo para fazer novos registros na LAN house, a fim de complementar o levantamento de dados importantes para a pesquisa.

A Observação Participante auxiliou-me a conhecer e compreender a rotina desses jovens, tais elementos quando mesclados as informações obtidas com base na

webgrafia e na entrevista em profundidade me oferecem importantes elementos que me

ajudam a responder às questões centrais dessa pesquisa.