6 Kystnær slepeberedskap
6.3 Spørreundersøkelse
JANEIRO FEVEREIRO
MARÇO E ABRIL
1600 reis para arroba de arroz 480 reis para azeite
4 arráteis de arroz «pelos dias de Entrudo»
8 arráteis de arroz «pelos dias de Entrudo», à Madre Abadessa, Vigaria, Escrivã e Madre da Ordem
caril e 2 arráteis de vaca para jantar, no Domingo gordo 2 arráteis da vaca para a ceia, no Domingo gordo
1 covilhete de pasteleiro no Domingo gordo 960 reis para o assado, no Domingo gordo
• peixe na segunda e terçasfeiras seguintes ao Domingo gordo uma pada de farinha «pelas Comadres para fazerem as suas filhozes»
5 dias de peixe e 2 ovos na Quaresma
ração dobrada, quer de peixe, quer de ovos, no «Domingo do banquete»
• 2 ovos para as ceias nos domingos da Quaresma
4 bolos de pão de leite no Domingo de Ramos ou 1600 reis em sua substituição
Excepções: Madre Abadessa 8 bolos Madre Vigaria 5 bolos Madre da Ordem 5 bolos (cada uma)
Madre Escrivã 5 bolos Madre Celeireira 8 bolos Madre Torneira 8 bolos Recebedora das Rendas 5 bolos ■ ração dobrada e arroz doce na Quintafeira Santa
• a Madre Abadessa tem rolo dobrado nas Endoenças
a Madre Vigaria, Escrivã, Mestra da Capela, as duas Vigarias do Coro e a Sacristã têm o mesmo e «mimo»
(145) _ O livro que serviu de base à recolha dos elementos constantes dos quadros foi o vol. 60 pertencente à secção do Mosteiro de Santa Clara do Porto, existente no A.N.T.T.. Foi este o livro escolhido por ser o mais completo e também o mais legível. Muito semelhante, praticamente igual até, ao livro número 59, a seu tempo se fazem acrescentos deste último quando o texto apresenta lacunas. Por ser muito interessante o seu conteúdo, decidimos transcrevêlo na íntegra (ver apêndice documental).
MESES DONATIVOS AS RELIGIOSAS MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO
as Músicas e Tangedoras têm meio arrátel de rolo «com alguma couza de mimo»
1 vintém de pão de Valongo na Sextafeira da Paixão
a Madre Abadessa, Vigaria, Escrivã, Madre da Ordem e Músicas têm grãos de bico e 4 ovos
a Madre Abadessa tem 4 galinhas no Sábado da Aleluia a Madre Vigaria tem 2 galinhas no Sábado da Aleluia a Madre Escrivã tem 2 galinhas no Sábado da Aleluia
a Madre da Ordem (cada uma) tem 2 galinhas no Sábado da Aleluia as Madres Discretas (cada uma) têm 2 galinhas no Sábado da Aleluia
quando não há galinhas pagase cada uma a 120 reis peixe e uma rosca de 60 reis no Sábado da Aleluia a cada uma das Rodeiras de fora 120 reis
1200 reis no Sábado da Aleluia 1 galinha no Domingo de Páscoa
3200 reis para carne de porco no dia 10 de Abril 1200 reis «de mimo» na véspera do Espírito Santo 1440 reis no dia da Santíssima Trindade
960 reis para boroa pelo Santo António 1200 reis na véspera de S. João
por a Madre Abadessa completar um ano de governação do con vento em 8 de Julho, cada religiosa recebe neste dia uma rosca de 60 reis com 2 covilhetes de pasteleiro, 1200 reis para manda rem fazer o seu jantar e 480 reis para fruta
os mesmos donativos quando a Madre Abadessa completar dois e três anos
4800 reis «de mimo» no fim do triénio 3000 reis quando entram as abadessas
arroz doce, ração dobrada e uma rosca de 110 reis na véspera de Santa Clara
caril e 2 covilhetes de pasteleiro no dia de Santa Clara 120 reis a cada uma das Rodeiras de fora
a Madre Abadessa tem 4 galinhas pela Santa Clara a Madre Vigaria tem 2 galinhas pela Santa Clara a Madre Escrivã tem 2 galinhas pela Santa Clara
■ a Madre da Ordem (cada uma) tem 2 galinhas pela Santa Clara as Madres Discretas (cada uma) têm 2 galinhas pela Santa Clara
à Recebedora das Rendas se dão 2 galinhas pelo S. Miguel, «as milhores, tanto na bondade, como na formozura»
MESES DONATIVOS ÀS RELIGIOSAS OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO INDISCRIMINADAMENTE SEMANALMENTE
no dia 26 de Setembro, 240 reis «quer vendaô paô, quer naó vendão, que saô pelos oito fornos, que se lhe tirarão quando se pozeraô os dois fornos cada semana»
2400 reis para comprar azeite no dia de S. Francisco ■ arroz doce na véspera de S. Francisco
uma rosca de 110 reis com 2 covilhetes de pasteleiro, 1200 reis para mandar fazer o jantar e 480 para fruta no dia 19 («a Madre Abadeça completa o seu ano»)
o mesmo donativo nos segundo e terceiro anos de governação 4800 reis «de mimo» no fim do triénio
3000 reis quando entram as abadessas
uma boroa para esmolas e 960 reis pelo bolo no primeiro dia do mês
uma bula de 80 reis pelo Santo André
arroz doce no dia de Nossa Senhora da Conceição 2400 reis para comprar a consoada na véspera de Natal arroz doce, uma rosca de 110 reis e 4 ovos «de mimo» na véspera de Natal
2 covilhetes de pasteleiro no dia de Natal
120 reis a cada uma das Rodeiras de fora pelo Natal
a Madre Abadessa, a Madre Vigaria, a Madre Escrivã, a Madre da Capela e as duas Vigarias do Coro têm rolo de arrátel pelo Natal as Músicas e Tangedoras têm rolo de meio arrátel «com alguma couza de mimo»
a Madre Abadessa tem 4 galinhas pelo Natal a Madre Vigaria tem 2 galinhas pelo Natal a Madre Escrivã tem 2 galinhas pelo Natal
a Madre da Ordem (cada uma) tem 2 galinhas pelo Natal a Madre Discreta (cada uma) tem 2 galinhas pelo Natal quando não há galinhas pagamse 120 reis por cada uma uma escarpiada de pão com 600 reis quando se sangra a Madre Abadessa, Vigaria, Escrivã e as Madres da Ordem têm, quando se sangram, 720 reis
castanhas picadas, seis arráteis de cerejas e seis arráteis de uvas • 9 pães repartidos em 2 fornos
6 arráteis de vaca
a Madre Abadessa e cada Madre da Ordem têm pada e meia de pâp a Madre Celeireira tem pada e meia de pão e uma boroa para o gato a Madre Vigaria tem uma boroa para o «convite de quem lhe traz os ovos»
a Madre Abadessa tem um alqueire de farelo para as suas galinhas a Madre Vigaria e a Madre Pomareira têm meio alqueire de farelo
MESES DONATIVOS ÀS RELIGIOSAS
TODAS AS SEXTAS-FEIRAS
TODOS OS SÁBADOS
MENSALMENTE
— 1 «selarni» de farelo p a r a cada religiosa que «tem tido officinas na comunidade (...) exceto escutas de grades, escutas de roda, e g u a r d a s de medicos»
— u m a boroa para a sua moça
— u m a ração de peixe: se é fresco, u m a posta, se é bacalhau, um arrátel
— u m a ração de peixe: se é fresco, u m a posta, se é bacalhau, um arrátel
— 1200 reis p a r a as ceias
3.7 Vestuário e adornos
A m u d a n ç a de indumentária a p a r t i r do momento em que se entra n u m a c o m u n i d a d e religiosa significa, simultaneamente, a fuga à vida secular e a integração no interior dessa comunidade. Dos sinais externos, é aquele que mais intencionalmente m a r c a o a b a n d o n o da vida secular.
Mal e n t r a no noviciado, a futura religiosa abandona as suas vestes habi- tuais e passa a trazer vestido u m hábito: «(....) e tendo os votos da comunidade p o d e r á Vossa Reverencia (a Abadessa) recebela na clauzura, e depois de ter quinze annos de idade lançarlhe o habito de noviça; (...)» (146). Esta m u d a n ç a no vestuário é, normalmente, acompanhada por u m a cerimónia, a qual varia segundo as comunidades religiosas. Outra alteração na indumentária ocorre q u a n d o se formulam os votos perpétuos, m u d a n ç a essa igualmente acompa- n h a d a por u m a cerimónia que tem lugar n u m a data que, como já tivemos oportunidade de verificar, se relaciona quer com o momento em que se entra no noviciado, q u e r com a idade da noviça.
O vestuário das religiosas tem u m valor simbólico. E n t r e outros signifi- cados, o da pobreza de quem o veste: «(...) le vêtement n'est pas seulement une manière pratique, confortable ou non, de couvrir le corps; il se situe dans un monde de signes au milieu desquels chacun se trouve pris» (147).
Ao envolver o corpo de u m a forma uniformizada e austera, o vestuário colòca-o n u m a posição de anonimato. O que é, aliás, pretendido por qualquer c o m u n i d a d e religiosa, seja qual for o sexo dos seus m e m b r o s : o que importa é desprover o corpo de toda e qualquer p a r t i c u l a r i d a d e que o individualize
(146) _ A.D.P., Sec. Not., 9.° Cartório, 3 .a Série, Livro 60, fl. 112. (147) — ARNOLD, Odile — O. c, p. 59.
e torná-lo idêntico ao de outras pessoas que vivam mais ou menos nas mesmas circunstâncias. Veta-se o direito à individualidade e opta-se pelo anonimato. Contudo, austeridade não é sinónimo de simplicidade. Se nos detiver- mos a observar a t e n t a m e n t e a i n d u m e n t á r i a das religiosas desta época, verificamos imediatamente que se tratava de vestes complicadas.
«Ponhão grande cuidado as religiozas em que o ornato exterior seja muy compostos, e honesto de maneira que provoquem devação a todos, os que as virem (...)» (I48): o corpo, logo o espírito, também se g u a r d a das tentações m u n d a n a s pela forma como é revestido; por o u t r a s palavras, pela m a n e i r a como é abafado, truncado, desprovido da sua forma natural. Assim se explica a grande preocupação com o hábito religioso, o qual deve ser de idêntica qualidade para todas as freiras, de feitio semelhante e «sem curiozidade algûa». Consoante o costume dos conventos, o pano deverá ser de «sayal» ou de «estamenha». E q u a n t o à sua cor? Cor de cinza, tanto as peças de roupa exterior, como as de roupa interior. Quando muito, que não «tirem mais a o u t r a tinta que a p a r d o claro». E o véu sempre negro.
O feitio das vestes religiosas será de molde a não a c e n t u a r as formas do corpo ou a exercer qualquer atractivo contra a pudicícia: «Terão os hábitos das religiozas pouca roda, e largura, e de n e n h u m a maneira a r r a s t e m e tenhão caudas; (...) e as bocas das mangas do habito não sejão de ponta; nem tenhão de largo mais que hûa terça, ou meya vara castelhana; e os mantos serão levantados hû palmo da terra» (,49).
No que diz respeito aos véus, as exigências acentuam-se mais ainda. Melhor do que utilizarmos palavras nossas será transcrevermos o que a este respeito se diz no texto das Constituições: «Não se p e r m i t i a que os veos negros das religiozas sejão de sedas, as toucas serão de linho, beatilha, ou lenço sem cor, goma, ou compozição algûa, lizas e chans de maneira que c u b r ã o todo o cabello, e cheguem por diante pelo menos até os peitos, e a corda será de linho canemo, ou esparto, ou malvas, e sem curiozidade algûa (...)» (IS0). Como estamos a verificar, o cabelo, um possível foco de aten- ções, é, igualmente, uma fonte eventual de vaidade e, logo, um desvio à rígida c o m p o s t u r a exigida.
Dando continuidade a esta simplicidade espartana, o calçado deveria ser «muito composto e religiozo», a c o m p a n h a d o de u m a total ausência de qual- q u e r a d o r n o como um colar ou um anel (apenas u m a volta de rosário, ao pescoço), «nem compozição algûa no rosto».
(148) — Regra e Constituições, II 44. (149) — Regra e Constituições, fl. 45. (150) — Regra e Constituições, fl. 45.
Para quem ousar vestir-se menos sobriamente ou ornamentar-se de qual- q u e r forma que seja, haverá as punições correspondentes à falta, ou faltas, cometida: aquela religiosa que se atrever a infringir os preceitos deste texto fará penitência de pão e água; se, ainda assim, reincidir, ficará interdita de c o m p a r e c e r na grade pelo espaço de dois meses; a repetição da falta impli- c a r á a sua reclusão na casa da disciplina por q u a t r o meses. De igual modo será punida toda aquela que se calçar com menos discrição: privação de voz activa e passiva d u r a n t e dois anos e proibição de a p a r e c e r na grade pelo período de seis meses.
Utilizando as próprias palavras da Regra, tudo deve contribuir para que «o hábito exterior dê testemunho da honestidade interior».
De novo recorrendo ao «Mapa da c a r t a que se deu a Sua Magestade