Em 1980 a Universidade Federal do Ceará aderiu ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). O programa está sob o gerenciamento da Coordenadoria de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) com o apoio do Comitê Interno formado, em sua maioria, por pesquisadores com titulação de doutor, preferencialmente com bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2018).
Com a concessão de cotas de bolsas Pibic, a PRPPG abre um edital para a distribuição dessas bolsas. Para participar do programa o docente precisa atender alguns requisitos: ter doutorado, fazer a inscrição do projeto em conformidade com o modelo Pibic, preencher uma planilha de pontuação com sua produção científica, com avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) considerando-se a produção dos últimos três anos. No processo de seleção todos os projetos são avaliados, primeiramente, por professores ah doc da própria instituição, depois pelo Comitê Interno que é constituído por docentes representantes de cada centro ou faculdade e, por fim, passa pela avaliação do Comitê Externo do CNPq. Após período de seleção previsto no edital é realizado a distribuição das bolsas.
A seleção e indicação do bolsista à Coordenação de Pesquisa da PRPPG são realizadas pelo orientador dentro de um prazo pré-estabelecido. Cada orientador deve ficar com uma cota máxima de duas bolsas. O docente em seu papel de orientador deve assumir alguns compromissos, tais como: orientar o bolsista em todas as etapas da pesquisa; comunicar à PRPPG alguma eventualidade que prejudique a atuação do bolsista nas atividades; participar
dos Encontros Universitários, principalmente durante a apresentação do trabalho do orientando; e atuar como consultor ad hoc quando solicitado, emitindo parecer sobre projetos de pesquisa e relatórios do programa.
Cabe ao bolsista o compromisso de executar o plano de trabalho individual definido pelo orientador, fazer referência à sua condição de bolsista Pibic/CNPq nas publicações e trabalhos que apresenta no decorrer do projeto, redigir um relatório anual, estar disponível para ser avaliado a qualquer tempo sobre seu desempenho e participar dos Encontros Universitários apresentando os resultados da pesquisa desenvolvida.
Sob a idealização do professor João Aldésio Pinheiro Holanda, nesse tempo Pró- Reitor adjunto e presidente da Comissão de Capacitação de Recursos Humanos, foram criados em 1980 os Encontros Universitários com o fito de apresentar à comunidade acadêmica e demais participantes dos encontros os resultados do Programa de Iniciação Científica (GUEDES, 2007). Atualmente, os Encontros Universitários exercem a função de divulgar junto à comunidade acadêmica os conhecimentos produzidos nas atividades de ensino, pesquisa, pós- graduação, extensão, arte e cultura, bem como difundir as experiências diversas desenvolvidas e vivenciadas pelos discentes que atuam como bolsistas ou não em programas e projetos cadastrados. Em citação a Prisco (2014), Ferreira (2015) informa que o 1º Encontro Universitário de Iniciação à Pesquisa foi realizado em 1982, nessa ocasião foram apresentados 66 trabalhos. Devido ao sucesso do evento, em 2017 a UFC realizou seu 36º Encontro de Iniciação Científica, onde foram apresentados 1.174 trabalhos realizados por bolsistas financiados pelas agências de fomento CNPq, FUNCAP (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da própria UFC (ANDRADE, 2017).
O compromisso da UFC em socializar a produção científica se consolida com a idealização da Revista Encontros Universitários, que busca congregar e possibilitar o acesso às pesquisas desenvolvidas pela comunidade acadêmica. Deste modo, a revista “surge em resposta à necessidade de registrar, organizar e dar visibilidade aos textos produzidos como parte das atividades intelectuais que são desenvolvidas na UFC, e que eventualmente ficam restritos aos eventos nos quais eles são apresentados e que ocasionalmente se perdem com o tempo.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2017). Assim, através dessa divulgação há uma valorização da produção científica dos alunos e o fortalecimento dos programas de Iniciação Científica na instituição em decorrência de serem evidenciadas a qualidade e relevância das pesquisas desenvolvidas.
Analisando os quatro últimos editais para bolsas de Iniciação Científica publicados no sítio do Pibic/UFC na internet, observamos que no ano de 2013, para a vigência de
2013/2014 foram distribuídas 566 bolsas Pibic, no ano seguinte, para a vigência 2014/2015 o número de bolsas subiu para 595, mantendo-se esse mesmo total para a vigência subsequente. Já no ano de 2017, vigência 2017/2018, essa quantidade de cotas baixou para 578 bolsas Pibic em decorrência aos cortes orçamentários na área da educação.
Em dezembro de 2016, com o anúncio feito pelo CNPq da recomposição das bolsas de Iniciação Científica e tecnológica do Pibic e Pibiti (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação), a distribuição percentual por área de conhecimento das bolsas Pibic em uma comparação entre os anos de 2015/2016 e 2016/2017 ficou da seguinte forma:
Gráfico 1 - Distribuição percentual das bolsas do Pibic por área do conhecimento
Fonte: Universidade Federal do Ceará, 2017.
Em razão desses cortes no investimento em pesquisa científica, o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (FOPROP) lançou uma nota pública em defesa da manutenção dos programas de iniciação científica e tecnológica. No discurso enfatizou-se a importância do programa Pibic na promoção da cultura de pesquisa na graduação que possibilita a descoberta de novos talentos para a ciência e estimula esses alunos a prosseguirem com seus estudos na pós-graduação. Considerou-se que o corte orçamentário “representa uma grave miopia, por comprometer o presente e o futuro da ciência no Brasil.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2016).
Compreendemos que o Brasil possui uma grande capacidade para avançar nas esferas social, cultural, científica e tecnológica, para isso é fulcral o investimento em recursos humanos para a pesquisa. Neste sentido, os jovens universitários mostram-se como uma fonte potencial em virtude da proximidade com o conhecimento científico e do pertencimento a um ambiente favorável para se desenvolver as investigações, além da curiosidade e anseio de aprender que é algo nato da juventude. Em vista disso, o Pibic revela-se como uma importante política de incentivo à pesquisa no meio acadêmico que exerce o papel de promover o desenvolvimento da ciência no país, seus resultados apresentam a concretização dos objetivos que se propôs cumprir.