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SPØRRESKJEMA TIL LÆRERE

O começo da Era de Ouro, em 1938, se deu com o surgimento do Super- Homem, o primeiro super-herói dos quadrinhos103. Praticamente todos os super-heróis que são bastante conhecidos atualmente foram concebidos nesse período. Alguns personagens surgidos nessa época são: Aquaman, Arqueiro Verde, Batman, Besouro Azul, Canário Negro, Capitão América, Capitão Marvel, Dr. Meia-Noite, Dr. Oculto, Espectro, Flash (Joe Ciclone), Gavião Negro (Hawkman), Homem-Bala, Homem- Borracha, Lanterna Verde (Alan Scott), Mulher-Maravilha, Namor, Pantera, Robin, Sandman, Sr. Destino, Starman, Superboy, Tocha Humana (o andróide), Tio Sam, Vigilante, Visão e Zatara104.

Na Era de Ouro dos quadrinhos, os heróis aventureiros usavam fantasias que lembravam as de Flash Gordon, Fantasma e Mandrake, e combatiam o crime de forma muito agressiva, colocando-se acima da lei.

A criação de Batman era atribuída apenas ao seu primeiro desenhista, Bob Kane105. Atualmente, reconhece-se a importante contribuição inicial do escritor Bill Finger e do desenhista Jerry Robinson para a composição de um dos personagens mais importantes das histórias em quadrinhos norte-americanas. No entanto, entre os super-

103 Na revista Action Comics número 01, pela National Allied Publications , comandado pelo editor Vin

Sullivan e os criadores do Super-Homem, Jerry Siegel (roteiro) e Joe Shuster (desenho).

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O Capitão América, Namor, Tocha-Humana e Visão são propriedade da Marvel Comics, na época Timely comics.

105 Apesar de oficialmente creditados a Bob Kane, os desenhos de Frank Foster II, artista ligado à

indústria de publicações de Nova York na década de 1930, foram considerados autênticos pela DC Comics.

heróis nos quadrinhos deste período, Batman era um personagem sombrio, sem poderes super-humanos como o Super-Homem, e apresentava-se como herdeiro do quadrinho e do romance policial como Dick Tracy. Inicialmente publicado pela editora National Allied Publishing 106, o personagem era encontrado inicialmente nas páginas da revista Detective Comics número 27, de maio de 1939, na aventura intitulada “The case of the chemical syndicate” 107

.

Figura 25: A Sociedade da Justiça, O Super-Homem e O Batman da Era de Ouro

Considerada a primeira revista periódica de histórias em quadrinhos a trazer histórias inéditas dedicadas a um único gênero, a Detective Comics surgiu em março de 1937, com histórias policiais de diversos personagens 108. As características de Batman em Detective Comics tinham relação com uma série de referências dos quadrinhos, do cinema e do rádio muito populares na época.

Algumas dessas características presentes no Batman da Era de Ouro construídas pelos quadrinistas já citados eram encontradas anteriormente em um “Bat- Man” na história Death Reign of Vampire King presente na revista The Spider109

. O Fantasma, de Lee Falk, inspirou os criadores de Batman também, pois ambos têm a

106 Criada em janeiro de 1935 pelo major Malcolm Wheeler-Nicholson, inicialmente se chamava New

York Company. No mês seguinte, rebatiza a empresa de National Allied Publishing lançando New Fun – The Big Comic Magazine 1, considerada a primeira revista da futura DC Comics.

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Em língua portuguesa, foi traduzida como “O caso da quadrilha dos químicos”. In: Batman Especial: as várias faces de Batman. Editora Abril S\A. São Paulo. Outubro de 1989. E mais recentemente, como “O caso da sociedade química”. In: Batman Crônicas: Volume I. Panini Brasil. São Paulo. 2007.

108 Como Speed Cyril Saunders, Mr. Moran, Capn Scum, Cosmo, Slam Bradley, Captain Burke, Gregory

Billingwater, Taro, Bret Lawton, entre outros. A primeira edição datada de março de 1937 exibia na capa o vilão Fu Man Chu, criado pelo escritor Sax Rohmer. In RIBEIRO, Antônio Luiz. O início de tudo. Dossiê DC 75 anos. “Revista Mundo dos Super-Heróis”. Número 23. Setembro/Outubro. São Paulo: 2010. p. 14.

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Novembro de 1935. Batman Magazine. “A Trajetória do Homem-Morcego de 1939 até hoje”. Editora Abril Jovem. São Paulo: 1995. p. 03.

semelhança de terem a morte da figura paterna, o juramento de vingança e a máscara, que faz desaparecer os olhos.

Das películas de cinema, foi aproveitado o artifício da dupla identidade de um herdeiro de classe alta, utilizado por Douglas Fairbanks em A Máscara do Zorro, de 1920. Como também a inspiração para o “bat-sinal”, utilizado pelo vilão da película The Bat, de 1926, que, ao projetá-lo na parede de uma determinada casa, anunciava que ali residia sua próxima vítima. Do rádio, veio o ambiente sombrio predominante em séries como O Sombra (1930-1954) e The Green Hornet (1936-1952).

Durante os primeiros anos da existência de Batman, o personagem era encontrado em revistas publicadas pela National Comics (1938) nos Estados Unidos, mantendo-se fiel ao seu papel de vigilante implacável e ao clima das histórias policiais. Não tinha poderes especiais, mas era muito preparado, forte e inteligente. É importante salientar que, nesses anos iniciais, o personagem era guiado por um ideal de justiça ligado a um espírito de vingança. O Batman da Era de Ouro queria a vingança pela morte dos pais nas mãos de um assaltante, e combatia uma variedade de criminosos, que ia desde os gângsteres, muito comuns na época, a supervilões, como Coringa, Mulher Gato, Doutor Morte, Charada e o Doutor Hugo Strange, entre outros110. Logo a figura de Batman foi conquistando novos espaços nos quadrinhos, com o lançamento, pela National Comics, de sua revista própria, no início de 1940, e uma tira sindicalizada em 1943, para não falar da extensão com que sua caracterização foi imitada por outros editores do gênero de super-heróis.111

110 Batman, nos seus momentos iniciais, não se incomodava em matar, chegando mesmo a dar um tiro em

um magnata corrupto. In: PATATI, Carlos e BRAGA, Flávio. Almanaque dos quadrinhos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006, p.68.

Cena narrativa 01: Batman se desvencilhando dos policiais que estão ao seu encalço. In: Batman número 01. (1940)

Cena narrativa 02: Batman encara o Coringa, o palhaço do crime. In: Batman número 01. (1940)

Nas cenas narrativas elencadas (01 e 02) temos a caracterização de um Batman que confronta a polícia, e o Coringa,um dos seus inimigos, utilizando de violência para conseguir não ser subjugado. Sua postura de vigilante permite que possa agir à margem da lei para combater os criminosos. Contudo na cena narrativa 01, no último quadrinho, Batman foge das balas da polícia que o persegue, evitando um confronto final com os agentes da lei. Percebe-se assim, que o personagem tem um treinamento e

condicionamento físico acima do normal, e utiliza de seu uniforme para amedrontar seus adversários. Apesar desta vantagem, não significa que sempre conseguirá sucesso, pois como se pode perceber na cena narrativa 02, no último quadrinho, o Coringa consegue “desferir um potente soco”.

Ainda na Era de Ouro, as revistas de Batman deixaram de mostrar assassinatos, e a entrada de Robin, o menino prodígio, vinha para traçar uma maior identidade com um público específico, que passou a ser mais adolescente e infantil.112 Para a continuidade de Batman nos quadrinhos, os editores, desenhistas e roteiristas buscavam o que havia de mais interessante em outros personagens e mídias, com a inserção de todos esses elementos e construindo um personagem que se adaptava às exigências dos quadrinhos da época. Batman era publicado pela National Comics entre os anos 1940 e a primeira metade dos 1950, nas revistas Batman, Detective Comics e World‟s Finest.

Figura 26. As revistas em que Batman era publicado na Era de Ouro.

É interessante salientar que, durante a Era de Ouro – que abrangia também os anos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) –, os quadrinhos presenciaram o auge do gênero de super-heróis. Foi durante esse período que foram registrados seus maiores números de vendas por exemplar. Segundo Bradford W. Wright, em 1943, os quadrinhos vendiam 25 milhões de cópias por mês. Apenas o título do Capitão Marvel era responsável por mais de 1,5 milhão. A guerra impulsionava os leitores a consumirem quadrinhos, uma vez que as revistas traziam em suas capas os super-heróis

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enfrentando os líderes do Eixo. Além disso, milhares de quadrinhos eram levados ao front para que os soldados se sentissem incentivados com as histórias dos heróis.

Contudo, em 1945, a guerra acabara, e não fora nem o Super-Homem nem o Capitão América quem derrotara o ditador alemão Hitler, mas seres humanos. Os soldados aliados haviam vencido a guerra sem a ajuda de superpoderes e, de volta para casa, não estavam mais interessados em “superaventuras” patrióticas, mas na manutenção de suas famílias. As pessoas começaram a perder o interesse pelas revistas de super-heróis. Desde a estreia do Super-Homem, em 1938, sete anos tinham se passado. As histórias em quadrinhos do gênero caíram no ostracismo. Os super-heróis convencionais acabaram sendo substituídos pelos personagens de quadrinhos de terror, crime e suspense113.

Todavia, como ressaltei anteriormente, um dos momentos mais importantes da Era de Ouro aconteceu em 1954, quando o Psicanalista Dr. Frederic Wertham publicou o livro “A Sedução dos Inocentes” que criou uma desconfiança sobre como os quadrinhos influenciavam a juventude americana negativamente. A polêmica criou uma bola de neve, que culminou com a adequação forçada das histórias e com a retirada de tudo que sugerisse sexo, violência, sangue e outros conteúdos adultos. As revistas sobre crimes e terror foram praticamente banidas, mas a lei beneficiou no gênero de super- heróis os que presumidamente não tinham em seus enredos características ofensivas aos valores daquele momento e se adaptaram melhor nas novas regras, neste caso apenas Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Arqueiro Verde e Aquaman resistiram114. Interpreto essa mudança a partir da adaptação de um novo cenário para os quadrinhos de super-heróis, que já estava presente em algumas edições de horror e crime que abordavam os avanços da ciência. A ficção científica era um gênero novo e uma boa saída, já que guerra, crime e horror estavam fora da ordem do dia. A ciência nunca foi tão festejada como na Era de Prata, principalmente com os heróis ressignificados por seus editores, roteiristas e desenhistas, e Batman estava entre eles115.

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Esses personagens eram encontrados nas revistas da EC Comics, onde também podíamos encontrar muito sangue e sexo; entre os monstros incluíam-se a Ku Klux Klan e a Máfia; denunciavam a corrupção da polícia; como Wally Wood no cinema, apresentou um astronauta negro sob o comando Gaines.

114 Personagens como Tocha Humana, Namor, Flash e Lanterna Verde deixaram de ser publicados por

volta de 1949.

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Segundo o estudioso de quadrinhos Roberto Guedes, as revistas em quadrinhos estavam mudando e também todo o mundo ao redor delas. Os aspectos de ficção científica nos anos 1960 não só mostravam

Figura 27. Os quadrinhos de super-heróis de Batman que passaram pela Segunda Guerra Mundial e iniciaram os anos 1960 no contexto da ficção científica da época.