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Para fins de análise dos resultados da pesquisa qualitativa, aplicou-se o método fenomenológico de Edmund Husserl.

Não se nega a importância da medida, mas, certamente, seria desastroso, a partir disso, afirmar que só é importante o mensurável, o conclusivamente objetivo. O diálogo entre práticas metodológicas é, certamente, um exercício saudável, mas, reconhecemos, difícil: ele exige, além de ousadia, reflexão apurada sobre fundamentos e instrumentos e, principalmente, a explicitação clara das concepções que movem o pesquisador. Pesquisar é mostrar-se. Pesquisar é um exercício para compreendermos o mundo (GARNICA, 1997, p.121).

Desse modo, o termo ―pesquisa‖ passa a ser compreendido como um caminho circular ―em torno do que se deseja compreender, não se preocupando única e/ou aprioristicamente com princípios, leis e generalizações, mas voltando o olhar à qualidade, aos elementos que sejam significativos para o observador-investigador‖ (GARNICA, 1997, p. 111).

O pesquisador, nesse caso, deve perceber a si mesmo e à realidade a sua volta, dirigindo-se a fenômenos, não somente a fatos (MARTINS; BICUDO, 1989). Os fatos podem ser mensuráveis, estão ligados à realidade objetiva, enquanto que o fenômeno vem da:

(...) expressão grega fainomenon e deriva-se do verbo fainestai que quer dizer mostrar-se a si mesmo. Assim, fainomenon significa aquilo que se mostra, que se manifesta. Fainestai é uma forma reduzida que provém de faino, que significa trazer à luz do dia. Faino provém da raiz Fa, entendida como fos, que quer dizer luz, aquilo que é brilhante. Em outros termos, significa aquilo onde algo pode tornar-se manifesto, visível em si mesmo. (...) Fainomena ou fenomena são o que se situa à luz do dia ou o que pode ser trazido à luz. Os gregos identificavam os fainomena simplesmente como ta onta que quer dizer entidades. Uma entidade, porém, pode mostrar-se a si mesma de várias formas, dependendo, em cada caso, do acesso que se tem a ela (MARTINS; BICUDO, 1989, p.21 e 22).

A fenomenologia surge como uma corrente filosófica instituída por Husserl e está diretamente relacionada à Matemática. A fenomenologia tem como objetivo ―(...) a investigação direta e a descrição de fenômenos que são experienciados conscientemente, sem teorias sobre a sua explicação causal e tão livre quanto possível de pressupostos e preconceitos‖ (MARTINS apud BICUDO, 1994, p. 15).

Husserl propõe o ―ir às coisas mesmas‖, dessa forma, a fenomenologia não toma como base as posições prévias, mas expressa o que é dado na consciência, de maneira direta (MOURA, 1989).

O homem, portanto, a partir do contato com outros humanos se percebe como tal, de modo a compreender o mundo como um ato de evidenciá-lo, comunicando suas experiências.

Falar do mundo como sendo um real vivido é propor, ao mesmo tempo, duas teses. É afirmar - esta é a primeira tese - uma oposição a qualquer proposta centralizada em qualquer teoria que sustente a existência de dados sensoriais, isolados e sem sentido em si mesmos. (...) É afirmar - esta é a segunda tese - que a ênfase é posta na experiência viva, no mundo como ele é vivido. Nas experiências vividas combinam- se memórias, percepções, antecipações a cada momento. Esta unidade nunca é estática ou final (MARTINS; BICUDO, 1989, p.80 e 81).

Na manifestação do fenômeno a essência não é apreendida em sua totalidade, contudo, o caminho de busca permite compreensões. O fenômeno é sempre percebido de forma contextualizada. ―O pesquisador busca apreender aspectos do fenômeno por meio do que dele dizem outros sujeitos com os quais vive, interrogando-os de modo a focar seu fenômeno‖ (GARNICA, 1997, p.115).

A descrição direciona para a vivência do fenômeno a ser compreendido, quanto mais análises, mais clara fica a compreensão. Ocorre assim, a busca ―às coisas mesmas‖,

conduzida pelo movimento epoché, que se diz do ―colocar em suspensão crenças prévias, uma redução de quaisquer teoria e explicação apriorísticas‖ (GARNICA, 1997, p. 113).

Para Garnica (1997, p. 116), a redução é percebida como um ―movimento do espírito humano de destacar aquilo que julga essencial ao fenômeno, o que é feito por meio de ações como o intuir, o imaginar, o lembrar e o raciocinar‖. O fenômeno é visto por variadas perspectivas, o quanto seja possível.

Dada a redução, as ideias são dispostas em unidades de significado, que ―são discriminações espontaneamente percebidas nas descrições dos sujeitos quando o pesquisador assume uma atitude psicológica e a certeza de que o texto é um exemplo do fenômeno pesquisado‖ (MARTINS; BICUDO, 1989, p. 99).

Assim, com as entrevistas dos gestores e os dados dos questionários semiestruturados dos professores em mãos, bem como após análise documental, realizaram-se as etapas propostas pela fenomenologia. Nesse momento, foi necessário interpretar e analisar o conteúdo de cada resposta em sua individualidade e unicidade.

Os dados gerados foram explorados a partir da construção de categorias de análise através de unidades de sentido, as quais foram interpretadas, considerando os aspectos de contexto - socioeconômicos, históricos, políticos e culturais - bem como as teorias avaliativas e de aprendizagem dos autores que fundamentam este estudo.

Neste sentido, a fenomenologia ―assenta-se nos pressupostos de uma concepção crítica e dinâmica da linguagem‖ (FRANCO, 2005). A linguagem seja ela escrita, falada ou gesticulada é um dos principais instrumentos desta pesquisa.

Linguagem, aqui entendida, como uma construção real de toda a sociedade e como expressão da existência humana que, em diferentes momentos históricos, elabora e desenvolve representações sociais no dinamismo interacional que se estabelece entre linguagem, pensamento e ação (FRANCO, 2005, p.14).

A tríade linguagem, pensamento e ação perpassa todo o fazer escolar, no qual este estudo se debruça, de forma a buscar compreender como professores e gestores enxergam as avaliações externas, bem como averiguar os efeitos que os dados produzidos por essas avaliações geram no processo de ensino e aprendizagem, por meio das análises das percepções dos sujeitos que vivenciam de perto toda essa dinâmica.

Além do uso da hermenêutica para compreender as vivências dos sujeitos, por meio das linguagens coletadas, foi feita a análise dos dados quantitativos deste estudo. Para tanto, as informações foram dispostas no texto via estatística descritiva, por meio de técnicas

gráficas, a fim de se estudar as variáveis individuais, bem como quanto às relações entre elas, por meio do programa Statistical Parckage of Social Science (SPSS) – versão 24.

Feitas as análises dos dados qualitativos e quantitativos separadamente, as informações coletadas foram condensadas e correlacionadas para uma interpretação o mais fidedigna possível, da realidade escolar em questão, sobre os efeitos produzidos pelas avaliações externas, considerando o discurso de gestores e professores, os resultados do SPAECE no triênio 2013 a 2015 e a análise de documentos oficiais.

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