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SOURCES

In document ÅR 2011 (sider 35-38)

PART III. THE PROFITABILITY IN THE FISHING FLEET

APPENDIX 1. SOURCES

Optei por realizar entrevistas com os índios que fazem parte do Projeto Pindorama da PUC SP, pois acreditava que eles tinham muito a dizer sobre as expectativas e as dificuldades de suas vidas.

No dia 27 de outubro de 2007, participei do encontro do Projeto Pindorama na PUC e fui autorizada pela coordenação a fazer a pesquisa com os alunos do grupo.

Freqüentei alguns encontros abertos desse grupo, que ocorrem todo último sábado do mês, e convidei quatro alunos que quiseram falar de suas trajetórias, pois avaliei ser esse um número adequado para que pudesse obter todas as informações necessárias para a realização do trabalho. Além disso, considerei importante que eles assinassem um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que eu pudesse utilizar seus depoimentos neste trabalho.

7.2 Instrumento e procedimento de coleta de dados

Foi utilizada a técnica de entrevista semi-dirigida com cada sujeito para uma pesquisa qualitativa. Esse tipo de entrevista me auxiliou, pois o objetivo era o estudo dos significados subjetivos dos sujeitos, que podem incluir fatos, opiniões, sentimentos, planos de ação, condutas atuais ou do passado, etc.

As entrevistas foram realizadas face a face para que se criasse, além de uma interação social, uma situação de confiabilidade do entrevistado em relação ao entrevistador, o que é muito importante para que se obtenha um clima confortável e assim, os dados da pesquisa (Szymansnki e cols. 2002).

Esses encontros foram realizados na PUC, por ser um local familiar a todos, num espaço calmo e sem interrupções.

Durante o contato inicial com os entrevistados houve uma apresentação formal da pesquisa e do entrevistador, e também foram feitos os combinados em relação à gravação das entrevistas.

Tomando como base as orientações a respeito de entrevistas qualitativas contidas no trabalho de Szymansnki e cols. (2002), as entrevistas iniciaram-se por um

Também foi importante explicar como seria o transcorrer da entrevista e o que seria feito depois. Após esse primeiro momento, foi essencial colocar para o entrevistado uma questão desencadeadora como ponto de partida para o discurso. Considerei importante também fazer questões de esclarecimento, de aprofundamento e focalizadoras, para que o conteúdo da fala pudesse ser bem compreendido e que o objetivo fosse completamente alcançado, ou seja, que o tema da pesquisa fosse satisfatoriamente contemplado, segundo Szymansnki e cols. (2002).

Trago algumas referências de tópicos que abordei para a condução da entrevista, levando em conta ser uma entrevista semi-dirigida e seu encaminhamento dependeu também da trajetória de vida de cada sujeito:

Trajetória de vida: onde nasceu como viveu

se teve contato com a tribo de origem

se pretendia entrar em contato com a tribo de origem o que sabe da sua cultura de origem

Se nasceu na tribo:

como era a vida na tribo relações interpessoais cotidiano

valores

Como era a escola na tribo: relações professor/aluno conteúdos abordados forma de avaliação

Quais eram os planos e as expectativas de vir para a cidade estudar ou vir para a PUC SP estudar:

sonhos medos objetivos

razões

Como foi a adaptação: mudança de cultura

se houve perda da identidade relações com as pessoas cotidiano

dificuldades

Sobre a universidade: que curso faz

o que vai fazer com o que aprende na universidade

se há conflito com a educação que vem da cultura indígena de origem e com a trazida pela universidade

se sofre dificuldades na universidade

Sobre o futuro:

se pretendem preservar sua cultura de origem o que pensam da transculturação

Esta pesquisa não contou com nenhum tipo de financiamento e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da PUC-SP.

Foi solicitada permissão à coordenadora do Projeto Pindorama, por escrito, para entrar em contato com os participantes, e foi entregue um Termo de Compromisso do Pesquisador, conforme modelo apresentado no Anexo 1.

Após esclarecer os sujeitos a respeito dos objetivos da pesquisa foi apresentado o Termo de Compromisso do Pesquisador (Anexo 1) e solicitado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), por escrito, por meio do formulário apresentado no Anexo 2.

7.4- Procedimento de análise dos dados

Considerei os pressupostos da Psicologia Sócio-Histórica para inspirar a minha pesquisa. Essa concepção, que também foi uma referência para conduzir a minha análise, vê o homem em uma relação dialética com o social e a história. “Um homem que ao mesmo tempo, é único, singular e histórico, um homem que se constitui através de uma relação de exclusão e inclusão, ou seja, ao mesmo tempo que se distingue da realidade social, não se dilui nela, uma vez que são diferentes” (Aguiar, 2001, p. 129).

Essa complexidade deve ser contemplada na pesquisa qualitativa com sujeitos. O seu objetivo é apreender aspectos da subjetividade do indivíduo, ultrapassando a sua aparência e indo em busca, a partir da fala do sujeito, do processo, das determinações, da gênese. O pesquisador, a partir do seu esforço analítico, deve ir além das aparências e procurar saber quais as determinações (históricas e sociais), que se configuram, no plano do indivíduo, em motivações, necessidades, interesses, para chegar ao sentido atribuído/constituído pelo sujeito, segundo Aguiar (2001).

A pesquisa, portanto, deve explicar a realidade e ser um produtor de conhecimento, numa lógica construtiva/interpretativa. De acordo com Rosa (1999, p.40): “A produção do conhecimento deve, pois, a partir do real, buscar as leis de transformação do fenômeno com a totalidade, reinserindo-o, finalmente, na realidade”. Assim, conseguiremos chegar à essência, que consiste em uma verdade em relação ao real, verdade esta que é relativa ao momento histórico que se encontra. Conhecer a essência então, quer dizer conhecer a totalidade de determinações materiais do fenômeno implicado e seu movimento de transformação e contradição.

Rosa (1999) acrescenta que a Psicologia Sócio-Histórica, portanto, pensa em um homem que é social e que a partir de sua vida constrói sua subjetividade, sua singularidade que se relaciona com sua história e seu contexto social. É esta dimensão subjetiva que queremos buscar na produção de conhecimento, compreendendo seus sentidos e considerando sua história.

Para realizar esse percurso, o instrumento mediador do processo de constituição subjetiva é a linguagem. A Psicologia Sócio-Histórica considera que a fala do sujeito expressa os significados de suas vivências na relação indivíduo – sociedade. “Ela é capaz de revelar não somente as significações sociais oferecidas ao sujeito, como também a forma como estas são articuladas em sua história de vida e em sua configuração singular”, segundo Rosa (1999, p. 42).

Cabe ao pesquisador fazer um esforço reflexivo para ir além da aparência do que foi expressado pelo sujeito e buscar uma compreensão profunda do processo de construção dos sentidos subjetivos. Para isso, é importante organizar essas falas e pensar profundamente nas determinações dos conteúdos que apareceram e no contexto que o indivíduo está inserido naquele momento.

Tendo os dados coletados a partir de entrevistas semi-dirigidas, como já foi colocado anteriormente, foi fundamental uma análise que consistiu em apreender o sentido do discurso e o processo de produção desse sentido, sem criar explicações descoladas da realidade e do momento histórico que estamos nos referindo.

Então, foi importante a organização dos dados em “núcleos de significado do discurso”, que dizem respeito aos conteúdos centrais apresentados pelo sujeito, sendo esses os que mais motivam, geram emoções e envolvimento. No meu trabalho pude fazer isso a partir de várias leituras dos discursos dos entrevistados. Com isso, identifiquei temas comuns e considerei assuntos importantes através da ênfase que foi dada para cada questão. Assim, pude levantar algumas hipóteses e sínteses sobre o sentido do discurso de cada um dos entrevistados e sobre um sentido mais amplo: aquele que se refere ao grupo social que esses sujeitos pertencem. Com isto, tentei ir além da mera descrição daquilo que havia nas falas dos sujeitos.

Para finalizar, cabe ressaltar que essa é uma análise de pesquisa qualitativa e que a generalização dos dados para populações semelhantes não é possível. De acordo com Rosa (1999, p.45): “A validade do conhecimento produzido está, portanto, na contribuição em termos de uma compreensão consistente a respeito do que seria o ser humano, da maneira como se constitui sua subjetividade, dos processos envolvidos em suas formas de sentir, pensar e agir. Tal compreensão é fundamental para que se possa observar e entender os diversos processos e situações humanas”.

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