Dornas, como todo bom batista, zela pela centralidade do ensino da bíblia que é entendida como palavra de Deus, a escritura sagrada. Ele parte do pressuposto que por ser a bíblia o livro texto da EBD, o objetivo final da EBD é ensinar a Bíblia. As verdades que nela se encontram têm papel transformador na vida do ser humano e por isso requer estudo e dedicação. Para elucidar esta demanda pelo estudo zeloso e disciplinado, Dornas cita Paulo Freire:
Como disse Paulo Freire: “estudar é, realmente, um trabalho difícil.
Exige de quem o faz uma postura crítica, sistemática. Exige uma
disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a. 69 Com esta citação, Dornas quebra um tabu se não no meio evangélico, pelo menos no meio batista uma vez que faz menção, logo em sua primeira obra, ao pedagogo Paulo Freire, que apesar de ser um ícone da educação mundial, nunca havia sido mencionado em literatura sobre a EBD batista no Brasil, além de ter sido e ainda ser seriamente criticado, sobretudo por protestantes, como veremos no próximo capítulo.
Em sua primeira obra, Socorro sou Professor da Escola Dominical, Dornas dedica um capítulo à Bíblia, a saber sua interpretação e estudo. Para tanto, alguns termos chaves como revelação, inspiração e iluminação são desenvolvidos:
Teologicamente, revelação é o ato de Deus em que ele se dá a conhecer ao homem. É o próprio Deus quem se revela ao ser humano e o faz de forma geral, por meio da natureza que ele criou (...) e, de forma especial, através do seu filho Jesus (...).
Ao revelar-se, Deus desejou que as gerações futuras tivessem acesso à sua revelação. Por esta razão ele capacitou homens a registrarem a sua revelação. A essa capacitação chamamos inspiração. (...). O resultado da inspiração é a Bíblia Sagrada (...). Deus se revelou e inspirou homens para registrarem sua revelação. Porém com o passar dos anos, o sentido do que foi registrado corria risco de se perder e as gerações futuras ficarem privadas do registro da revelação de Deus. (...) Deus tem capacitado pessoas a interpretarem o registro de sua revelação (...), A isso chamamos de iluminação; Deus usando homens para interpretarem sua Palavra. Observe que não há mais revelação no sentido teológico da palavra, o que Deus desejou revelar ao homem sobre si já o fez. Também não há mais inspiração, o que deveria ser registrado da revelação de Deus, já o foi. O que existe hoje é iluminação. Deus continua e continuará capacitando e usando pessoas para interpretarem sua Palavra. 70
Dornas salienta que no estudo bíblico há que se fugir da superficialidade hermenêutica, pois do contrário ocorrerá o desvirtuamento doutrinário o que tornaria vulnerável a aplicação do Evangelho na vida de cada aluno.71
Em sua segunda obra, Vencendo os Inimigos da Escola Dominical, Dornas conceitua em termos mais práticos sua visão do que é a Bíblia e sua aplicação à vida do ser humano:
A Bíblia é o manual de Deus na linguagem do homem.72
A Bíblia precisa ser vista, neste caso, como um livro de respostas às questões que interessam ao homem de hoje, seja ele
evangélico ou não.73
Ora, a citação acima contradiz a citação de Paulo Freire empregada por Dornas em sua primeira obra, pois ao considerarmos que a bíblia é “o manual de
70
Idem, p. 58- 60.
71
DORNAS, Lécio. Vencendo os Inimigos da Escola Dominical. 8ª ed. São Paulo: Hagnos, 1998, p 30.
72 Idem, p. 31. AZEVEDO, Israel Belo de. Prefácio a DORNAS, Lécio. O Jornal e a Bíblia. Cuiabá:
Edição do autor, 1996, p. 102. (Grifo meu)
Deus” não há razão de requerer uma postura crítica por parte de quem a estuda, afinal, manuais são passíveis de cumprimento e não de crítica.
A mesma noção de bíblia como sendo o “manual de Deus” entra em contradição com outra ideia exposta mais adiante no mesmo livro, quando no sexto capítulo Dornas critica o ensino bíblico que muitas vezes se passa por um biblicismo sem quê e nem para quê:
O professor, ao elaborar sua aula, deverá (...) olhar a Bíblia, não
como um livro de regras, mas sim de princípios passíveis de
serem observados por aqueles que a estudam.74
Nesta visão, Dornas avança em sua terceira obra, A nova EBD… a EBD de
sempre, afirmando quea aplicação das verdades bíblicas abrange questões éticas, profissionais, familiares da comunidade e do mundo. Por esta razão, Dornas pontua a importância de não somente entender mas também de decorar passagens bíblicas. 75
Ainda em sua última obra da trilogia da EBD, Dornas expande não só o conceito de revelação, afirmando que Jesus é o clímax da revelação bíblica, mas também o conceito de iluminação indicando que:
Deus iluminou os homens a fim de que fizessem os inspirados registros e interferiu na preservação das Escrituras e na seleção dos livros que deveriam ser incluídos no cânon.76
Finalmente, Dornas conclui sua visão sobre a bíblia, definindo que o propósito da revelação e ensino bíblico é:
(...) levar o ser humano a uma comunhão vital com Deus por meio da fé em Jesus Cristo. (...) A revelação bíblica, portanto, identifica para o homem os princípios que devem nortear sua vida como redimido.
(...) o ensino da bíblia não é um fim em si mesmo, antes faz uma ponte entre o mundo da bíblia e o nosso mundo de hoje.77
74 Idem, p. 74. (Grifo meu)
75 DORNAS, Lécio. A nova EBD… a EBD de sempre. 4ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 2001, p 89. 76
Idem, p. 118.
3.2 DEUS
Apesar de toda proposta de Dornas para a EBD ter como eixo o Deus trino, ao longo de sua trilogia pouco é escrito de forma direta sobre Ele. Entretanto, entre um conceito e outro podemos inferir a idéia subjacente de Deus formulado por Dornas.
Primeiramente, Dornas compreende que Deus é alguém que deseja se revelar a nós através de sua criação, em Jesus e nos inspirados relatos bíblicos, como acabamos de ver no tema anterior.
Mas do que se revelar, Dornas afirma que Deus confiou o ministério do ensino bíblico a homens e mulheres para que Ele mesmo seja glorificado. Em sua primeira obra, Socorro sou professor da Escola Dominical, ao expor o plano de salvação, Dornas seleciona versículos bíblicos que apresentam Deus como alguém do qual estamos todos longe, não fora o dom gratuito dEle mesmo demonstrado na morte e ressurreição de Jesus, nos outorgando a vida eterna.78
Em sua segunda obra, Dornas introduz outro aspecto sobre Deus: um Deus que quer ser adorado e que se preocupa com a qualidade de seus adoradores. Entretanto, ao tratar da integração que deve haver entre a EBD e a comunidade, Dornas amplia a visão convencional de Deus, pois cita o texto de Atos 18.10 inferindo que assim como na idólatra cidade de Corinto, igualmente em nossas cidades Deus chama um povo de Seu, embora este povo ainda não o conheça, ou seja, seu domínio não se limita à sua igreja mas através dela é que Seu reino se dá a conhecer. 79
Finalmente, em A nova EBD… a EBD de sempre, Dornas declara que Deus é
o cabeça da igreja e que seus membros são unidos pelo Espírito de Cristo.80
3.3 SER HUMANO
A maneira como o ser humano ou o homem (linguagem mais utilizada na trilogia) é compreendido por Dornas, aparece de forma sistematizada apenas em sua terceira obra, A nova EBD... a EBD de sempre:
78 DORNAS, Lécio. Socorro sou professor da Escola Dominical, p. 141, 145, 151 e 152. 79
DORNAS, Lécio. Vencendo os Inimigos da Escola Dominical, p. 18 e 59.
O homem é um ser essencialmente espiritual, criado à imagem e semelhança de Deus, portador de liberdade, competência e responsabilidade moral. Tendo sido separado de Deus devido à sua condição espiritual, o ser humano precisa de redenção do pecado. Sozinho, ele não pode salvar-se e, por isso, é objeto da graça remidora de Deus. O destino do ser humano é a comunhão com Deus, e ele busca eternamente a paz interior, a segurança e a sua própria realização. Uma vez redimido pela fé em Jesus Cristo, o homem tem um ilimitado potencial para o desenvolvimento da vida cristã até chegar à maturidade em Cristo.
A Educação Religiosa parte de um conceito antropológico, fundamentado na Bíblia, de que o ser humano é mordomo de Deus, o que implica sua liberdade e responsabilidade, além da sua transcendência como criatura de Deus.
A Educação Religiosa parte de uma visão integral do ser humano, em que se torna imperativo não se separar a educação da vida, a emoção do intelecto, o sagrado do secular (...).81
Cabe ressaltar que em sua trilogia, Dornas propõe uma análise que vislumbra o ser humano enquanto aluno, portanto nas definições sobre o aluno é que encontramos indiretamente a compreensão de Dornas sobre o ser humano, como veremos ainda neste final de capítulo.
3.4 SALVAÇÃO
Pode-se afirmar que na proposta de Dornas, um dos objetivos centrais da EBD é a salvação do ser humano, também denominada como aceitação do evangelho. 82
A salvação é concebida como necessidade inerente à condição humana e através do ensino bíblico as implicações da salvação são encontradas:
Naturalmente, a salvação é a primeira necessidade de qualquer pessoa. (...) Antes de se converter, porém, a pessoa necessita de instrução para o conhecimento bíblico com todas as implicações, a fim de adquirir convicção do pecado, de ser esclarecida quanto ao meio de salvação, para poder tomar a decisão de aceitar a Jesus Cristo pela fé. 83
81 Idem, p. 72 e 85. 82
DORNAS, Lécio. Vencendo os Inimigos da Escola Dominical, p. 51.
A aplicação evangelística das lições tem como propósito levar o aluno à salvação, se decidir ao lado de Cristo. Entretanto, segundo Dornas, esta decisão precisa ser realizada de forma pública:
Se houver decisões ao lado de Cristo na sala, o professor deverá anotar em uma ficha o nome e endereço do decidido e orientá-lo a confirmar sua decisão no culto público. 84
Em sua primeira obra, Dornas disponibiliza o “Plano de Salvação” com seis versículos extraídos da carta de Paulo aos Romanos, objetivando orientar o professor ao aspecto evangelizador de seu trabalho:
Como está escrito; Não há um justo, nem um sequer (Romanos 3.10).
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Romanos 3.23).
Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passa a todos os homens por isso que todos pecaram (Romanos 5.12).
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 6.23). Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue seremos por ele salvos da ira (Romanos 5.8,9).
A saber: Se com tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentro os mortos, será salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação (Romanos 10.9,10).85
Todavia, é interessante notar que em nenhum outro momento da trilogia de Dornas pode-se encontrar explicação sobre os aspectos envolvidos na salvação.
Façamos agora a análise pedagógica da proposta de Dornas. Semelhantemente aos temas teológicos, há uma série de temas pedagógicos norteadores da proposta de Dornas para a EBD batista. Entre eles destacam-se: Magistério como Vocação, Professor, Aluno, Aprendizagem, Informação, Conhecimento, Métodos de Ensino, Planejamento, Recursos, Didática de Ensino, Classe, Aula, Comportamento, Linguagem, Conteúdo, Gerenciamento, Avaliação, Currículo, Treinamento, entre outros.
84
DORNAS, Lécio. Socorro sou professor da Escola Dominical, p. 57 e 58.
A título de nossa análise nos limitaremos ao entendimento dos seguintes pontos:
3.5 EDUCAÇÃO
Em linhas gerais, em sua trilogia, Dornas considera a educação e todas as suas implicações como um processo que extrapola a preparação de uma aula e que engloba personagens além do professor e do aluno.
Comumente, o conceito de educação na proposta de Dornas é mesclado com outros dois conceitos: Educação Religiosa e Educação Cristã.
Educar é ensinar; é treinar; é orientar. Do ponto de vista cristão, educar significa levar as pessoas ao conhecimento e aceitação de Jesus Cristo como Salvador e conduzi-las à prática dos conceitos cristãos como padrão de vida (...). A educação é um processo através do qual cada pessoa se desenvolve no conhecimento e na compreensão, adquire atitudes e conceitos novos e aprende a praticar ações coerentes com o exemplo de Cristo. 86
Dornas afirma que a educação religiosa deve levar em consideração os estágios de desenvolvimento da personalidade, da cognição e a experiência religiosa de acordo com o estágio evolutivo de cada indivíduo, o que se configura numa nova abordagem e portanto grande contribuição para o magistério na EBD.87
Outra grande contribuição da visão educacional de Dornas é a interação por ele proposta entre os envolvidos no processo de ensino e as tendências contemporâneas de educação. Mais do que isso, Dornas propõe que a EBD seja um novo paradigma educacional:
Precisamos (...) lutar para que a práxis educacional da Escola Dominical de nossas igrejas represente sempre o que há de melhor e mais moderno no campo da educação. É preciso sair da retaguarda e assumir uma atitude de vanguarda como agentes da educação cristã na história.88
Dornas também inova ao criticar em sua segunda obra Vencendo os Inimigos
da Escola Dominical os ministros que não têm visão educacional, a mesmice
86 DORNAS, Lécio. A nova EBD… a EBD de sempre, p. 78-79. 87
Idem 73.
pedagógica, o templocentrismo radical que deve ser trocado por uma educação que vai onde o povo está, o dominicalismo ilógico que deve ser substituído por uma educação viabilizada em qualquer dia da semana, entre outros temas de grande relevância.89
A visão de educação de Dornas pressupõe alguns aspectos até então desconhecidos para a EBD batista, tais como a avaliação, entendida como parte essencial do processo educativo e a presença de um diretor pedagógico na estrutura organizacional da EBD, que passa a ser mais departamentalizada como pode-se notar em sua terceira obra.90 A despeito disso, surpreendentemente, ao criticar o eclesiocentrismo egoísta característico de muitas igrejas, Dornas faz a seguinte declaração:
As propostas existentes de currículos e programas de ensino para a Escola Dominical são, em sua maioria, voltadas para a realidade intestina da igreja. As grades curriculares são excessivamente extensas e complexas em sua organização.91
Dornas parece entender que este não é um problema da EBD batista, pois em
A Nova EBD... a EBD de sempre no qual objetiva-se mostrar uma nova proposta
educacional para a EBD, Dornas afirma:
Optar pela nova EBD não é mudar por mudar. É melhorar o que já existe, é atualizar o que já é aceito em nossas igrejas, é contextualizar o que já funciona na maioria de nossas igrejas.92
A contradição da afirmação acima vem à luz quando neste mesmo livro Dornas compara a “Velha” EBD que vigorou até 2000 com a nova proposta, sobretudo em seu aspecto educacional, pedagógico:
A JUERP não poderia fechar os olhos a esta realidade de mudança e perplexidade, ficando a observar passivamente, pelo desinteresse ou confusão reinante, o desintegrar-se da instituição que é fundamental para a sustentação de nossas igrejas e o fortalecimento doutrinário e espiritual dos crentes que as compõem. Temos que investir na EBD de sempre, buscando descobrir os novos caminhos que, trilhados por ela, venham a contribuir para a sua renovação e
89 DORNAS, Lécio. Vencendo os Inimigos da Escola Dominical. 90 DORNAS, Lécio. A nova EBD… a EBD de sempre, p. 133-137. 91
DORNAS, Lécio. Vencendo os Inimigos da Escola Dominical.68.
continuidade, já que o seu conteúdo e finalidade não são passíveis de discussão. O que se discute é a forma, não o fundo, o adjetivo não o substantivo, o acessório e não o fundamental.93
Em suma, Dornas deixa claro que há um processo de decadência da EBD batista. Tanto é verdade que a JUERP decide se posicionar com uma nova proposta educacional que embora com ar de renovação nada mais é do que a proposta anterior com algumas poucas mudanças que não são estruturais, apenas superficiais.
Há ainda outros pontos de difícil compreensão e até contradição na visão educacional de Dornas que serão tratados nos três temas pedagógicos que seguem.
3.6 PROFESSOR
Para Dornas, somente pode ser professor da EBD a pessoa que tenha tido um encontro pessoal com Jesus, que encare o magistério como vocação. Tal definição é inovadora visto que em muitas igrejas a questão da vocação ao magistério na EBD não é sequer discutida, pois muitas vezes os professores são neófitos e estão dando os primeiros passos na fé quando são convidados para lecionar, como aconteceu com o próprio Lécio Dornas. Outros têm o “cargo” de professor da EBD há anos, como status, sem que haja qualquer questionamento ou avaliação quanto à sua vocação ao ensino ou conduta.
Dornas é enfático em dizer repetidamente em sua obra que o professor deve ser: exemplo, viver o que prega, eticamente irrepreensível, disposto a ouvir seus alunos, estudioso da bíblia. Ele acrescenta a importância de o professor ou professora da EBD ser fiel dizimista, assíduo nas programações da igreja e distante de todo vento de doutrina.94 Estes últimos conceitos são provavelmente fruto da herança estadunidense conversionista, catequizadora e denominacional que se enraizou na EBD brasileira desde sua fundação como já vimos anteriormente.
Ao falar dos professores, Dornas inova ao usar por vezes a linguagem “homens e mulheres” que é mais inclusivista, algo pouco comum no meio batista
93
Idem, p. 12-13.
onde o discurso é predominantemente machista. Acredita-se que esta é uma tentativa de aproximação com a leitora e o leitor alvo de sua obra.
Dornas segue dizendo que o professor é o que orienta a participação dos alunos, inclusive dos mais tímidos. A propósito, Dornas admite a possibilidade de haver falta de interesse por parte dos alunos na EBD por negligência de alguns professores e da qualidade da aula que eles apresentam, o que alerta e relembra o professor da EBD da responsabilidade inerente à sua atividade.95
Curiosamente ao final deste primeiro livro, Dornas96oferece Dez Mandamentos ao Professor, dos quais o sexto recomenda ao professor que ame o aluno como seu próprio filho. É interessante notar que esta posição paternalista pode ser muito prejudicial ao processo educativo como pontuou Paulo Freire em sua obra Professora Sim, Tia Não de 1993.97
No processo educativo, sobretudo com relação às escrituras, Dornas compreende que o papel do docente da EBD é o de aplicar as verdades bíblicas à vida dos alunos, pois ele em seu relacionamento com o texto bíblico, torna-se depositário, detentor delas, definição nos remete mais uma vez ao conceito de Educação Bancária desenvolvido por Paulo Freire, que será discutido no próximo capítulo:
Aplicando as verdades bíblicas à vida dos seus alunos, o professor estará construindo uma ponte entre o mundo da Bíblia e o mundo de hoje.
Cada dia vivendo em comunhão com a Palavra de Deus, declarando com a vida seu amor por ela (...), o professor vai enchendo suas entranhas (...) dos ensinamentos eternos e vivos, que ficarão para sempre marcados em seu coração. Assim, o professor torna-se
firme e constante, verdadeiro depositário das verdades divinas,
fiel guardião da sã doutrina.98
Contraditoriamente, Dornas citando Paul-Eugene Charbonneau declara que o professor, enquanto educador, reconhece que só há educação verdadeira quando existe autoeducação, ou seja, o educando é responsabilizado e respeitado por seu próprio autodesenvolvimento. Nesta mesma linha, Dornas continua com um discurso
95
Idem, p. 47.
96 Ibidem, p. 149. 97
FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho D’Água, 4ª ed. 1994.
emprestado, ou ao menos pautado no conceito de Educação Dialógica de Paulo Freire, afirmando que o educador deve ser educador-educando e que deve se relacionar com o educando-educador.99
Em Vencendo os Inimigos da Escola Dominical Dornas reforça esta ideia com
a seguinte proposição:
O professor deve atuar mais como um facilitador, alguém que vai
tornar mais fácil a tarefa dos alunos de aprender e descobrir, alguém que vai trabalhar orientando e ajudando os alunos a tirarem suas
próprias conclusões acerca do conteúdo em estudo.100
Entretanto esta afirmação entra em contradição com um trecho anterior do mesmo livro, quando Dornas recomenda que a interpretação do texto bíblico na aula tome no máximo 30% do tempo :
A preocupação do professor é com a transmissão de informações e dados que auxiliarão o aluno na interpretação do texto bíblico em estudo. Neste momento, a palavra é quase totalmente de uso do professor; eventualmente, um aluno pode oferecer contribuição,