O equilíbrio corporal é hoje uma das capacidades físicas mais estudadas. Os estudos direcionados a esse tema buscam identificar as causas dos desequilíbrios, a prevenção de quedas, às estratégias de manutenção da postura e a interação dos sistemas sensoriais envolvidos na estabilidade (LEMOS et al., 2009).
A estabilidade postural é alcançada gerando momentos de força sobre as articulações do corpo para neutralizar o efeito da gravidade ou qualquer outra perturbação em um processo continuo e dinâmico durante a permanência em determinada postura (DUARTE, 2000).
Cada corpo tem um ponto sobre o qual sua massa é distribuída igualmente. É onde a aceleração da gravidade atua sobre o corpo. O centro de massa do corpo localiza-se imediatamente anterior à segunda vértebra sacral, mas a melhor visualização do movimento do centro de massa é acompanhar o deslocamento da cabeça e do tronco. (NEUMANN, 2006).
Foi possível perceber, pelas médias das medidas de alinhamento vertical do tronco (AVTco), uma discreta progressão na inclinação anterior de tronco no grupo dos idosos frágeis, embora essas medidas não apresentassem diferença estatística.
No estudo de Aspdena et al (2006), foi realizada uma análise cinesiológica da articulação do quadril, a qual segundo os autores é o mecanismo de equilíbrio postural do tronco dos seres humanos, estando o centro de gravidade geralmente equilibrado acima dos quadris, num equilíbrio instável.
Takahashi et al. (2005) avaliaram a associação entre as deformidades do tronco no plano sagital e a redução da capacidade funcional na vida diária em 236 idosos, todos acima de 65 anos. A análise envolveu uma avaliação detalhada de atividades internas e externas da vida diária, satisfação com a vida e estado mental. O estudo mostrou que o grupo com maiores deformidades do tronco tinha limitações em atividades ao ar livre e baixa satisfação com a própria vida. Concluíram que é previsível que os pacientes com postura anormal estejam em maior risco para a queda, por terem seu equilíbrio perturbado pela anormalidade postural. E que, a perda da lordose lombar distal é a causa principal do desequilíbrio sagital
em indivíduos que não mantêm o alinhamento sagital. Essa postura anormal poderia levar à limitação das atividades diárias.
Quando submetido à gravidade, o centro de massa do corpo é frequentemente descrito com o seu centro de gravidade (CG). A projeção do CG na amostra de idosos avaliada não demonstrou diferença estatística entre os três grupos (p=0,231). Porém observou-se um deslocamento do corpo para frente, nos idosos frágeis, superior aos demais grupos.
Martinelli et al (2011) identificaram um deslocamento anterior do centro de gravidade de 26,95%, para crianças na faixa etária de 5 a 9 anos, utilizando o software de avaliação postural - SAPO. Sihvonen et al (2004) sugerem que o treinamento de equilíbrio com base no feedback visual melhora o desempenho de tarefas de equilíbrio funcional relevante para a vida diária em mulheres idosas frágeis.
A projeção do CG sobre a base de suporte entre os pés, na posição bípede, determina uma relação de estabilidade, cujos limites voluntários representam a base de suporte funcional, ou seja, a região em que cada indivíduo pode deslocar seu CG sem que seja necessário modificar a base ou recorrer a algum auxílio externo (NEUMANN, 2006; LEMOS et al., 2009).
O alinhamento vertical do corpo (AVCo) apresentou inclinação anterior idêntica, para os três grupos de idosos. Este mesmo resultado pode ter ocorrido devido a posição do tronco ou deslocamento do centro de gravidade e podem estar relacionados ao fato da postura, geralmente adotada pelos idosos, ter uma inclinação do tronco para frente, com a intenção de manter o CG dentro da base de apoio para a manutenção do equilíbrio(LEMOS et al., 2009).
Os idosos que tem medo de cair tendem a ficar em pé em uma postura flexionada para frente, com o centro de massa deslocado anteriormente e isso compromete a percepção interna da postura, ou seja, o esquema corporal. Com uma percepção alterada da orientação espacial o corpo terá dificuldade de se equilibrar quando desafiado inesperadamente (COOK; WOOLLACOTT, 2003).
Balzini et al. (2003) investigaram a relação entre o grau de acentuação da postura fletida, a fragilidade óssea, o nível e o status funcional em 60 mulheres idosas, sem morbidades aparentes. Identificaram associações entre um maior grau de acentuação na postura fletida, com dor cervical e lombar, estado emocional, incapacidades musculares e deficiência na função motora (equilíbrio e marcha).
A postura se submete às características anatômicas e fisiológicas do corpo humano, ligando-se às limitações específicas do equilíbrio e obedecendo às leis da física e suas aplicações biomecânicas e ela ainda tem um estreito relacionamento com a atividade do indivíduo, podendo aumentar ou diminuir o esforço físico de uma tarefa.
A manutenção da postura corporal, quando ineficiente gera uma falha de relacionamento das várias partes corporais, induzindo um aumento de agressões às estruturas de suporte e resultando em equilíbrio menos eficiente do corpo sobre suas bases (LEMOS et al., 2009).
A probabilidade de quedas aumenta na idade avançada e os problemas devidos à instabilidade representam boa parte das ocorrências. O acúmulo de maiores quantidades de massa no tronco e segmento corporal superior que ocorre com o aumento da idade, e a perda de massa magra durante o envelhecimento, eleva o centro de gravidade. E quanto mais alto o CG maior é o desequilíbrio, uma vez que a altura do CG é diretamente proporcional ao desequilíbrio (LEMOS et al., 2009).
A fraqueza muscular pode levar o indivíduo a uma postura de descanso (SCHWERTNER. 2007). Segundo Bricot (2001) a posição estática não é regida por músculos isolados, mas por conjunto de músculos, que tentam, de alguma forma, compensar os desajustes posturais.
No estudo de Laughton et al. (2003) para compreender mudanças relacionadas à idade no controle da postura, foi realizado eletroneuromiografia dos músculos tibial anterior, sóleo, vasto lateral e bíceps femoral em idosos com histórico de quedas. Observaram que idosos que caíram demonstraram valores significativamente maiores de oscilação na direção ântero-posterior e maior atividade muscular durante a posição de pé.
Num estudo longitudinal desenvolvido por Tsukimoto et al (2006) foi observado que, no período de três anos (2001-2004), idosos que foram submetidos ao tratamento postural apresentaram melhora significativa nos domínios de qualidade de vida para capacidade funcional, aspectos físicos, estado geral de saúde e vitalidade.