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Kliass (1995, p.1) descreve a qualidade ambiental urbana como:

[...] o predicado do meio urbano que garante a vida dos cidadãos dentro de padrões de qualidade, tanto nos aspectos biológicos (saneamento urbano, qualidade do ar, conforto ambiental, condições habitacionais, condições de trabalho, sistemas de transporte, alimentação, etc), quanto nos aspectos socioculturais: percepção ambiental, preservação do patrimônio cultural e natural, recreação, educação etc.

Com a crescente expansão das cidades, o homem moderno distanciou-se do contato mais direto com a paisagem natural. Na tentativa de preencher sua, procuram soluções alternativas como a busca da montanha, da praia ou do campo nos finais de semana. Procurar o verde das praças, jardins ou parques em áreas

urbanas, torna-se algo mais fácil para o homem moderno, cheio de tensões e sedento de paz, conforme este depoimento:

[...] é justamente no dia-a-dia extenuante que se torna necessário um canal de extravasamento das tensões. Nesse sentido, é provável que o jardim tenha sido a forma mais simples e imediata que o homem encontrou para ter perto de si, todos os dias, elementos naturais que revigorem sua mente e seu coração (VIEIRA, 2007, p.10).

Os ambientes naturais, na maioria das vezes, encontram-se fora do espaço urbano, geralmente em unidades de conservação ou em outros locais, nem sempre acessíveis a todos, gerando, assim, um distanciamento físico. Na vida moderna, alega Tuan (1980), o contato físico com o próprio meio natural é cada vez mais indireto e também limitado a ocasiões especiais. Machado (1982, p. 110) observa que as distâncias são causa de um isolamento responsável por “[...] enorme ignorância das pessoas das grandes cidades em relação às coisas mais banais da natureza”. As informações divulgadas nos meios de comunicação, fazendo referências à existência de fauna, flora e paisagens exóticas, em áreas verdes inventadas e pouco realistas, criam com uma falsa visão de natureza que pode dificultar a compreensão da dinâmica dos ambientes naturais, bem como da rica diversidade biótica que os compõem.

Robba e Macedo (2003) destacam que os espaços livres urbanos qualificam as cidades que definem valores ambientais citando, como exemplo, a melhoria da ventilação; da drenagem urbana; o controle da temperatura, da insolação; a proteção do solo contra erosão e a preservação de mananciais, que estão entre os atributos proporcionados por esses espaços. Destacam também os valores funcionais que se referem à oferta de áreas para recreação e lazer como opção para os habitantes. E ainda salientam os valores estéticos e simbólicos que simbolizam pontos referenciais, exercendo papel importante na identidade da rua, do bairro e da cidade.

Recomenda-se que a distribuição e a localização do verde em áreas urbanas estejam distribuidos em áreas pequenas, onde a distância de percurso entre elas seja a menor possível, facilitando uma freqüência maior pela população. Mascaró (2005), todavia, adverte que o fracionamento adotado nessa prática de desenho urbano desconsidera o custo de infra-estrutura. Uma cidade, por exemplo, que

possui um parque central, é mais econômica que outra com a mesma área verde total, mas distribuída em várias partes. O autor explica que essa diferença é devida a subtilização da infra-estrutura (energia, água e esgoto), que é maior quando as áreas verdes são de pequeno tamanho. O planejamento adequado deve considerar:

[...] a economia da concentração e a facilidade de uso da desconcentração. A alternativa mais econômica para as áreas verdes é quando estas margeiam as cidades, porque têm de um lado um rio (como é o caso da Marinha do Brasil em Porto Alegre) e do outro o tecido urbano. Estes parques custam praticamente metade dos que estão dentro do tecido urbano (MASCARÓ, 2005, p.181).

Quanto à proporção das áreas verdes em espaços urbanos, Martinelli (2004) afirma que não há consenso sobre a sua quantidade adequada se for considerado o metro quadrado por habitante. Os valores diferem e a metodologia adotada para essa quantificação fica comprometida por considerar áreas, muitas vezes, inadequadas. Os valores mais conhecidos são os estabelecidos pela Unesco: 10m2/habitante; pela ONU: 14m2/habitante (considerando inclusive os cemitérios) e pela OMS, que determina 12m2 /habitante. Mascaró (2005) ainda acrescenta a recomendação de Kevin Linch, que estabelece 1hectare de parque de recreação infantil para cada dois mil habitantes com distâncias não superiores a um quilômetro. Outro valor destacado pelo autor é o de 10% do total da cidade para áreas verdes recomendado pelo Colégio de Arquitetos e Urbanistas de Madri. Indicadores elaborados para mensurar essas áreas dependem de uma metodologia própria a cada estudo de caso, pois a falta de padronização destes dados é fato. Martinelli (2004, p.30) afirma que:

[...] áreas verdes são imprescindíveis à manutenção da qualidade ambiental urbana, tanto do ponto de vista climático, quanto do uso desses espaços para o lazer da população, entretanto um indicador qualitativo ainda não pode ser utilizado com segurança para comparações entre municípios, principalmente por questões de padronização de dados, que são bastante discrepantes do ponto de vista metodológico para compor esses indicadores.

As importantes funções desempenhadas pelas áreas verdes nas áreas urbanas das cidades podem assim ser descritas:

[...] as árvores, por suas características naturais, proporcionam muitas vantagens ao homem que vive na cidade, sob vários aspectos: proporcionam bem estar psicológico ao homem;

proporcionam melhor efeito estético; proporcionam sombra para os pedestres e veículos; protegem e direcionam o vento; amortecem o som, amenizando a poluição sonora; reduzem o impacto da água de chuva e seu escorrimento superficial; auxiliam na diminuição da temperatura, pois, absorvem os raios solares e refrescam o ambiente pela grande quantidade de água transpirada pelas folhas; melhoram a qualidade do ar e preservam a fauna silvestre (PIVETTA; SILVA FILHO, 2002, p.2).

As áreas verdes podem ser distribuídas no espaço urbano sob diversas denominações, sendo uma delas a praça. A praça brasileira é definida por Robba e Macedo (2003, p. 17) como “[...] espaços livres públicos urbanos destinados ao lazer e ao convívio da população, acessíveis aos cidadãos e livre de veículos”. A praça, dependendo de seu contexto urbano, possui diferentes funções: nas áreas centrais além de melhorarem as condições de conforto térmico, insolação e qualidade do ar; atua como ponto de convergência dos pedestres. Já a praça de bairro congrega o lazer ativo e passivo, oferecendo à população ambientes próprios a atividades recreativas, assim como espaços para relaxamento e tranqüilidade nas áreas arborizadas e sombreadas (ROBBA; MACEDO, 2003). A criação de novas praças ocorre, normalmente, em bairros distantes do centro urbano comercial, isso devido ao custo elevado das áreas mais centrais, o que dificulta a desapropriação desses espaços pelo poder público.

Os parques urbanos são outros tipos de áreas verdes em áreas urbanas. Segundo Kliass (1993), eles são definidos como espaços públicos voltados à recreação que possuem proporções significativas e apresenta predominância de elementos naturais, principalmente cobertura vegetal. Macedo (2003) considera o parque urbano como espaço livre público, estruturado por vegetação e destinado ao lazer em massa.

Os parques urbanos são, na maioria, de responsabilidade da administração pública, sendo mais comum vincular-se à esfera municipal, visto que a quantidade de parques estaduais e federais é em menor número. Em geral, os parques estaduais possuem grandes áreas, e sua manutenção freqüentemente é de qualidade inferior à dos parques municipais (MACEDO; SAKATA, 2003). Percebe-se que ocorrem poucos investimentos na construção e manutenção dos espaços verdes. Muitas áreas que poderiam ser utilizadas para atividades de educação ambiental, não oferecem condições, tais como seguranças, sanitários, água potável, monitores

treinados, etc. Em várias cidades, é possível encontrar praças e parques em precárias condições de uso, com equipamentos danificados e pouca infra-estrutura. Infelizmente, para muitos governantes, meio ambiente e qualidade de vida são apenas discursos políticos, não sendo concretizados de maneira efetiva a beneficiar o cidadão, que é um ser humano. De novo o depoimento de Vieira:

Atrás de um enorme aparato tecnológico, o homem, em essência, ainda é o mesmo: sua estrutura física e biológica, suas necessidades básicas de sobrevivência; sua busca de identificar-se com o lugar onde vive e relacionar-se com seus semelhantes. [...] O mundo está iniciando uma nova fase no Desenho da Paisagem do Planeta Terra, sem dúvida, a mais ampla das artes, e trabalhá-la não se reduz mais ao desenho de um jardim, mas a de um jardim que faz parte do grande Jardim Planeta Terra (VIEIRA, 2007, p. 239).

Conforme Bomfim (2007, p. 8): “As cidades médias paulistas são conhecidas por serem privilegiadas com a presença de atributos como: boa qualidade de ar e água, maior oferta de áreas livres, ausência de congestionamentos [...] dentre outros”. Voltando, então, ao objeto de estudo no município de Avaré, em Abril de 2007 a cidade contava com 80.034 habitantes (IBGE, 2007, p.1). A Floresta Estadual onde se deu a incursão com os alunos e professores, corresponde a um grande parque verde na sua área urbana, sendo administrada pelo Instituto Florestal, um órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, e popularmente conhecida como Horto Florestal. Essa floresta é muito importante, visto que contribui para preservação da fauna, flora, controle da temperatura urbana, preserva o manancial que abastece a cidade. Oferece também à população lazer, cultura, além de uma excelente área para atividades de educação ambiental. Esta floresta possui um programa de uso público, que será mais bem definido no capítulo 3.