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Neste trabalho não pretendíamos refletir sobre a dimensão da Dançaterapia, mas sim na importância da expressão corporal e dança no ensino especial e o impacto nos jovens são acompanhados ao abrigo das NEE.

A dança é sem dúvida uma arte que proporciona ao ser humano experiências estéticas, emocionais e intelectuais, atuando em plena plenitude. Através do movimento a dança transmite uma linguagem não-verbal e simbólica, através do qual expressa o que as palavras não conseguem transmitir. A dança em pessoas com necessidades especiais pode tornar-se um importante veículo de aprendizagens e também pode levar a um aumento das possibilidades de acesso a experiências artísticas e criativas, o que poderá contribuir para uma mudança de mentalidade na sociedade. Assim, através desta forma de arte todo e qualquer ser humano com ou sem deficiência pode transmitir sentimentos, prazeres e ambições ao resto do mundo. Por tudo isto, pareceu-nos importante realizar este estudo com base no movimento corporal sendo esta a forma mais primária de expressão.

Quando nos propusemos a avaliar um programa de dança em jovens com necessidades especiais, fizemo-lo com a intenção de obter um modelo observação de forma abrir novas linhas de intervenção, nomeadamente no ensino especial, incluindo a dança, enquanto promotora das competências de expressão e comunicação de jovens com necessidades especiais. Vários estudos indicam-nos que a dança acarreta benefícios em diversos níveis, neste sentido pensamos ter contribuído com este trabalho uma forma de o poder demonstrar.

O grande objetivo do nosso trabalho foi o de testar um modelo de observação que permitisse identificar o impacto da dança em jovens com necessidades especiais. Para este efeito baseamo-nos na Escala Adaptada LMA “Freedom to move” (Dunphy, K. & Scott, J., 2003), sendo esta um instrumento que pretende avaliar a importância de um programa com base na dança e na expressão corporal.

Perante a análise dos resultados obtidos podemos elaborar algumas considerações. Em todos os domínios existiu uma evolução positiva em cada participante, no entanto, podemos referir que no domínio do Desenvolvimento da capacidade de iniciativa, decisão, liderança apesar de apresentar o valor da média mais

baixo não deixou de existir uma evolução dos comportamentos observados, sendo que os domínios Sentimento de prazer e bem-estar e Capacidade de desempenho demonstraram ao longo do estudo dados bastante satisfatórios. Tudo isto deveu-se á evolução dos comportamentos a nível emocional, apresentando uma melhoria na capacidade de interação com outros e um aumento da confiança de cada um em realizar as atividades propostas ao longo dos momentos de observação. Contudo, da análise diferencial somente o domínio Sentimento de prazer e bem-estar é que se registaram diferenças significativas entre o momento de observação inicial e final. Em relação á avaliação do coeficiente de fidedignidade (Alpha de Cronbach), de um modo geral, todos os domínios apresentaram valores apropriados, sendo que a fiabilidade da escala nos quatro momentos de observação situa-se em valores bons e muito bons.

Os domínios onde o estudo revelou ter menos impacto, apesar dos dados demonstraram uma boa evolução em todos os domínios, foi na Comunicação com aqui e agora/Conexão e comunicação com os outros, Noção de corpo, Capacidade física e coordenativa e na Capacidade para relaxar/Conexão entre o pensamento, imaginação e o corpo, deve-se fundamentalmente às dificuldades sentidas por estes jovens na elaboração da resposta do pensamento com o corpo bem como as dificuldades a nível das capacidades físicas, que em vários exercícios são limitadas, no entanto, estes demonstraram ao longo das observações que se existir um ambiente acolhedor neste tipo de programas as suas limitações não serão um obstáculo. Tal como foi referenciado no estudo realizado Strassel e Cherkin (2011) a dança acarreta benefícios ao nível da qualidade de vida, autoestima e a forma como se lida com a doença.

Num estudo deste tipo encontra-se por inúmeras vezes algumas limitações, que passamos a descrever. Ao iniciarmos a nossa investigação foram surgindo múltiplas ideias e patamares que queríamos atingir, contudo inicialmente encontramos algumas dificuldades. Começando pelo programa que iria ser alvo da nossa investigação ter descontinuado nesse período. Tal facto levou-nos a procurar um novo programa de dança para acompanhar, sendo que este apesar de não ter o número suficiente de participantes que inicialmente pretendíamos observar demonstrou ao longo da nossa investigação ter dados suficientes para continuar o nosso estudo.

Através do processo de construção desta investigação tentamos analisar os vários fatores que poderiam alterar os resultados finais, nomeadamente, o número

reduzido de participantes, o número de faltas dos mesmos, a heterogeneidade do grupo e a tradução mais correta para português da escala de observação.

Inicialmente deparamo-nos com dificuldades na tradução da escala de algumas das expressões para português, sendo que a nossa maior preocupação era que estas pudessem fazer sentido para obtermos uma maior fidelidade dos dados que iríamos recolher. Com a utilização da Escala de Avaliação de LMA “Freedom to Move” (Dunph e Scott, 2003) no nosso estudo podemos retirar algumas ilações sobre a sua aplicação, uma vez que está divida em domínios e subdomínios a torna um pouco extensa, sendo demoroso o seu preenchimento, este deverá ser realizado logo de seguida à observação, sendo mesmo aconselhado a utilização das observações em vídeo para uma melhor avaliação. Na nossa avaliação sendo apenas realizada através de observação participada sem outros registos encontramos dificuldades no preenchimento de alguns dos domínios da Escala LMA, que passamos a descrever: no domínio Sentimento de prazer e bem- estar no preenchimento do subdomínio assiduidade deveria apenas ser registado na avaliação final ou então ser registado numa outra tabela, uma vez que esta ao ser preenchida em todas as observações só poderia ser avaliada como pouco frequente (ou ausente) e regular (ou presente); no domínio Comunicação com aqui e agora foi um dos domínios que encontramos mais dificuldades no preenchimento uma vez que se referia à avaliação do conceito de energia focada ou dirigida, conceito este que tivemos dificuldades em interpretar, no entanto, avaliamos em termos da atenção que o participante tinha ao realizar as atividades; no domínio Capacidade para relaxar encontramos algumas limitações no subdomínio Capacidade de transcender o momento através do relaxamento uma vez que este é um dos momentos que mais dificuldade se encontra a avaliar por ser um momento muito íntimo de cada participante.

Na avaliação final dos dados dos quatro momentos observados optamos por agrupar domínios nomeadamente, o domínio Comunicação com aqui e agora com o domínio Conexão e comunicação com os outros, e o domínio Capacidade para relaxar com o domínio Conexão entre o pensamento, imaginação e o corpo, sendo esta junção necessária para uma melhor analise dos resultados observados, uma vez que os domínios apresentavam um número baixo de subdomínios o que poderia levar a uma interpretação errada dos dados.

Outra das limitações encontradas foi a dificuldade no acesso aos dados mais completos de caraterização dos jovens envolvidos, devido a questões éticas e institucionais.

Como orientações finais e perante as conclusões da nossa investigação, sugerimos que programas com base na dança devem ser organizados por conteúdos específicos e com linhas orientadoras para cada sessão, tendo em conta as especificidades de cada indivíduo ou grupo com NEE. Dentro deste contexto não podemos deixar de mencionar o estudo de Becker e Dusing (2010) sobre a viabilidade da inclusão de crianças com deficiência, no qual concluíram que crianças com deficiências do desenvolvimento (tais como, as síndrome de Down), podem ser incluídas em programa de artes comunitário através de modificações apropriadas e o programa certo.

A avaliação deste tipo de programas deverá ser realizada com regularidade para que os técnicos responsáveis tenham um registo da evolução de cada indivíduo e possam trabalhar nos domínios que registaram menos progressos. Propomos ainda que para uma melhor utilização da Escala de Avaliação de LMA “Freedom to Move” (Dunphy e Scott, 2003) devem existir programas de formação para um melhor conhecimento dos critérios definidos para esta escala e uma pormenorizada análise da grelha de observação.

A realização deste estudo foi importante para conhecermos as limitações que uma investigação pode encontrar, no entanto, com trabalho e persistência verificamos que esta foi possível de ser realizada. Permitiu-nos, ainda aprender que a utilização da dança no ensino é sem dúvida uma arte que proporciona um bem-estar físico e mental de jovens com NEE. Considerando que cada jovem com oportunidade de participar num programa de dança pode vir a ultrapassar limitações do foro psicológico, motor e social, tendo sido notória a evolução destas três esferas na nossa investigação.

Trabalhar com jovens com necessidades especiais foi sem dúvida um desafio, mas acima de tudo, estes jovens ensina-nos que a vida pode ser levada com dinâmica e entusiasmo e que pequenas coisas como um abraço no fim de cada sessão é sem dúvida um gesto de carinho, confiança e tolerância para com o outro.

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