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4. ANALYSE

4.11 Sosialt press

Cada um dos parâmetros que compõe as secções de vulnerabilidade, A, B, C, D, E, OTA e AT, avaliadas na checklist 2, foi classificado de acordo com o seu nível de vulnerabilidade (o procedimento metodológico está esclarecido no Anexo II, e os valores de vulnerabilidade obtidos são apresentados no Anexo IV).

O valor percentual obtido para cada secção de vulnerabilidade foi representado graficamente num gráfico de barras de modo a facilitar a leitura dos resultados (Figura 4.3.).

Seguidamente analisam-se os resultados obtidos da aplicação da checklist 2 para cada uma das secções de vulnerabilidade e realçam-se os principais factores que contribuíram para explicar os níveis de vulnerabilidade obtidos.

(i) secção A – ocorrência de formas de erosão originadas pela acção marinha, eólica e antrópica Os valores de vulnerabilidade são particularmente elevados (>83%) em S2, S3 e S4. Vários factores condicionam a vulnerabilidade do sistema dunar nesta secção, nomeadamente, a existência de uma micro-arriba de erosão talhada na duna frontal, a ocorrência de galgamentos oceânicos (sobretudo por ocasião de tempestades), a existência de diversas brechas e alguns blowouts com dimensão considerável. No conjunto dos sectores dunares, S6 possui valor de vulnerabilidade mais reduzido (25%) decorrente da ausência de galgamentos oceânicos recentes e da reduzida presença de brechas e blowouts. Relembre-se que a frente dunar, junto à praia do Baleal Sul, contacta com uma plataforma rochosa, condição que influência a ausência de indícios de degradação (galgamentos oceânicos, brechas e blowouts).

(ii) Secção B – ausência/presença de dunas recentes

A notória ausência de dunas embrionárias em praticamente todo o sistema dunar condiciona os valores máximos de vulnerabilidade (100%) obtidos em S1, S2, S4, S5 e S6. Excepção a este comportamento é S3 onde é possível observar a formação de algumas dunas embrionárias em pequenos blowouts. Em consequência, neste sector dunar o valor de vulnerabilidade é ligeiramente menor (87,5%).

Figura 4.3. Avaliação das secções de vulnerabilidade dos sectores dunares individualizados no sistema dunar de Peniche-Baleal, com base na checklist 2 – lista de controlo de resiliência dunar (Primavera de 2008).

(iii) Secção C – fixação das areias pela vegetação dunar

Apresenta valores de vulnerabilidade ≤50% em todos os sectores. O sistema dunar manifesta, de um modo geral, boa cobertura vegetal nas áreas a sotavento da duna frontal. Contudo existem problemas: a degradação da vegetação dunar na duna frontal e a presença disseminada de uma espécie exótica, o chorão-da-praia, que pouco contribui para a retenção e fixação dos sedimentos eólicos, para além de competir com as espécies de vegetação dunar autóctone. Com efeito, verificou-se que a duna frontal é colonizada por tufos de vegetação descontínua que frequentemente são danificados pela erosão marinha (galgamentos oceânicos) e acção antrópica (pisoteio). S2 (50%) e S6 (50%) são os sectores dunares mais vulneráveis. Relembre-se que no S2 a duna frontal possui um comportamento transgressivo devido à degradação generalizada da vegetação dunar. O S6, fortemente antropizado, é colonizado sobretudo por chorão-da-praia.

(iv) Secção D – degradação pelo uso

Apresenta valores compreendidos entre 41% e 58% para todos os sectores dunares. De um modo geral, o sistema dunar exibe uma rede de caminhos não ordenados muito densa e incisa, permitindo em alguns locais a circulação de veículos motorizados. Os valores são particularmente elevados (≥50%) em S2, S3, S5 e S6, sujeitos a maior pressão antrópica devido à proximidade a empreendimentos turísticos e aos núcleos urbanos de Peniche e Baleal.

(v) Secção E – eficácia/ineficácia do ordenamento e gestão

Os valores de vulnerabilidade obtidos são elevados (≥60%) em todos os sectores dunares e traduzem a ineficácia das medidas de ordenamento e gestão implementadas no sistema dunar e a ausência de outras medidas necessárias. Com efeito, existe insuficiência ou ausência de ordenamento de caminhos, de painéis informativos, de vigilância e controlo de veículos, de armadilhas de areia, de plantação de vegetação em áreas com areias móveis e de restrição de acesso.

(vi) Secção OTA – obstáculo à livre transgressão de areias

Avalia, como foi sugerido por Laranjeira (1997), a importância que o uso do solo marginal ao sistema dunar assume. Os levantamentos de campo e a consulta de cartografia permitiram reconhecer que as áreas contíguas ao sistema dunar (solo marginal) são fortemente antropizadas devido à presença de núcleos urbanos, empreendimentos turísticos, áreas agrícolas e vias de comunicação. Neste contexto, não são absurdos os elevados valores de vulnerabilidade (≥75%) obtidos nos sectores ocidentais (S1, S2 e S3) e orientais (S5 e S6) do sistema dunar, uma vez que se localizam nas proximidades destes espaços antrópicos. A excepção é S4 (50%), localizado no troço central do sistema dunar, onde, actualmente, o solo

marginal não tem ocupação antrópica, nem existem outros espaços ordenados, tais como campos desportivos ou parques de campismo.

(vii) Secção AT – atractividade turística

Apresenta valores máximos (100%) para os sectores localizados nos extremos ocidental (S1 e S2) e oriental (S5 e S6) do sistema dunar, onde se verifica maior desenvolvimento da actividade balnear pela presença de vários apoios de praia e áreas de estacionamentos autorizado. S3 e S4 detêm valores mais modestos (50%), em consequência da ausência de espaços de lazer e da reduzida presença de apoios de praia.

O Grau de Vulnerabilidade Médio (VM), calculado pelo valor médio percentual obtido para as secções de A, B, C, D e E é, em consequência, elevado para todos os sectores dunares, obtendo-se valores de VM superiores a 58% (Quadro 4.3.). Destes, S1, S5 e S6 detêm valores menos elevados de VM decorrente das medidas de gestão e ordenamento que foram implementadas, característica que condiciona a sua vulnerabilidade, reduzindo-a.

Quadro 4.3. Valores de vulnerabilidade obtidos para VM, OTA e AT nos sectores dunares individualizados no sistema dunar de Peniche-Baleal. VM (%) OTA (%) TA (%) S1 60,3 75,0 100,0 S2 70,3 75,0 100,0 S3 66,5 75,0 50,0 S4 62,3 50,0 50,0 S5 59,7 87,5 100,0 S6 58,7 87,5 100,0

De acordo com Laranjeira (1997) e Laranjeira et al (1999), as secções OTA e AT constituem graus de factor de risco associados à vulnerabilidade e reflectem situações de risco efectivo ou potencial para o sistema dunar quando o grau de um ou ambos for superior ao VM, implicando uma situação de degradação e dano no sistema biofísico e nas actividades e infraestruturas antrópicas que aí existem.

Observando a Figura 4.3. e o Quadro 4.3. é fácil confirmar que os sectores dunares S1, S2, S5 e S6 denotam uma situação de risco por possuírem ambos os graus de factor de risco associados a OTA e AT superiores a VM. Constituem excepção S3 e S4. Em S3 apenas o grau de factor de risco associado a OTA é superior a VM. Tal facto traduz também uma situação de degradação, embora ligeiramente menos grave. S4, não apresentando nenhum dos graus de factor de risco acima do valor VM, ilustra uma situação de degradação menos assinalada que nos restantes sectores.

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