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5.1 Funnene sett i lys av: Den biopsykososiale modellen

5.1.3 Sosiale faktorer

A pesquisa qualitativa possibilita aprofundar os dados recolhidos porque permite uma riqueza interpretativa e apreender os fenómenos contextualizados no seu próprio ambiente (Sampieri et al. 2006: 15).

Sobre a metodologia qualitativa, diz-nos Espírito Santo (2010: 25), que “o objetivo

destes métodos é o de permitir que a investigação possa recolher e refletir sobretudo aspetos enraizados, menos imediatos, dos hábitos dos sujeitos, grupos ou comunidades em análise e, simultaneamente, possa sustentar, de modo fundamentado na observação, a respetiva inferência ou interpretação dos seus hábitos”.

Foi aplicada a técnica da Janela de Johari, como forma de aceder às quatro áreas (livre, secreta, cega e inconsciente) de conhecimento dos indivíduos durante as entrevistas de caracter qualitativo. Os autores Carmo e Ferreira (1998: 111), dizem-nos que “o modelo

da Janela de Johari pode aplicar-se à interação entre um indivíduo e um grupo, um indivíduo e uma organização ou às relações entre grupos e organizações”.

Antes de se iniciar em profundidade o estudo em questão levámos a cabo

entrevistas exploratórias informais que nos coadjuvaram, em conjunto com a revisão da

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A escolha dos elementos participantes nas entrevistas exploratórias tiveram por base de triagem uma amostragem (não probabilística) por conveniência, pois “na fase

exploratória da pesquisa, convém inquirir informadores qualificados ou seja pessoas cujo grau de conhecimento da população em questão (…) poderá vir a ser útil para uma descrição preliminar do grupo e do seu modo de vida” (Carmo e Ferreira 1998: 124). Estas entrevistas

possibilitaram um conhecimento substancial da forma como se organizam interna e externamente as residências de acolhimento e sobre as características marcantes da população analisada. Desta forma, após a fase de pesquisa documental, já fortalecidos com informações fundamentais, demos lugar a algumas entrevistas exploratórias nas quais nos socorremos de informantes privilegiados, com a finalidade de nos fornecerem informações genéricas e essenciais sobre a organização e funcionamento da temática em análise.

Estas entrevistas foram abrangentes, pouco estruturadas e profundas, com respostas abertas, de forma a fornecerem pistas para a construção da base de dados (análise quantitativa) e do guião de entrevista a aplicar à amostra.

Uma vez que se tratou de um estudo sobre uma população-alvo que apresenta especificidades de vária ordem houve que ter em atenção aspetos deontológicos de forma a, por um lado, não ferir suscetibilidades e, por outro lado, não pôr em causa a transmissão do conhecimento adquirido. Desta forma, “(…) o investigador deve ter a maturidade emocional

e a integridade moral suficientes para saber gerir a situação de ambivalência sociológica que o confronta com o dilema da dupla fidelidade, à comunidade académica que lhe pede resultados cientificamente interessantes e à população-alvo quem si confiou um património de informações de acesso reservado” (Carmo e Ferreira 1998: 114).

Em relação às entrevistas informais e profundas, os mesmos autores, dizem-nos

(…), apresenta ainda um grande grau de liberdade no diálogo e profundidade na forma da abordagem temática por parte do entrevistado, (…) ” (idem: 129-132).

Na aplicação de inquéritos por entrevista, são utilizadas questões objetivas, na sua integridade questões abertas. Há um esforço para que o questionário seja abrangente e profundo, contendo questões específicas, ao mesmo tempo que se tenta fazer uso de uma linguagem próxima da que é praticada pela amostra constituída por jovens adultos32.

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3.2.1 Amostragem

No que concerne ao enfoque quantitativo, nesta pesquisa socorremo-nos de um sistema de amostragem total, em que todos os elementos do universo foram envolvidos, na medida em que se procedeu à análise da generalidade dos processos educativos e psicossociais dos jovens que saíram do acolhimento institucional de 2002 a 2011; são os vários aspetos recolhidos que constituem a base de dados. Assim, a população é representativa da realidade que se desejou retratar, o que também se passou ao nível dos contactos telefónicos.

No âmbito do uso da metodologia qualitativa, e relativamente à amostra, Sampieri et al. (2006: 253), dizem-nos que esta é (…) é um subconjunto de elementos, que pertencem a esse conjunto, definido em suas características ao que chamamos população.

Relativamente ao modelo qualitativo que empregamos, para apreender quais têm sido as trajetórias empreendidas pela população em estudo optou-se por recorrer ao processo de “amostragem não probabilística de casos típicos, porque, como nos dizem Sampieri et al. (2006: 274), trata-se de “indivíduos, sistemas ou organizações que possuem

claramente as situações que são analisadas ou estudadas.”

A amostragem não probabilística de casos típicos foi concretizada selecionando um número representativo de indivíduos cujos processos institucionais foram analisados e se disponibilizaram a participar na pesquisa, o que tornou possível ter uma representação contrabalançada das perceções relativas à sua integração social, ao mesmo tempo que se evitou a saturação da amostra.

As entrevistas à amostra, foram dirigidas tendo por base um guião previamente construído para o efeito e cujas questões tiveram por base informações diversas, teóricas (através da revisão da literatura) e empíricas (através das entrevistas exploratórias), para que fosse possível aprofundar alguns aspetos. As questões colocadas nestas entrevistas foram abertas, presenciais e tão específicas quanto possível no sentido de se proceder a um “mergulho profundo” na realidade da amostra.

As questões colocadas à amostra estão listadas de acordo com o quadro de referência que a mesma tem da sua relação com: a família, a comunidade, a escola; o

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emprego; a residência de acolhimento e acolhimento; os educadores; o projeto de desenvolvimento pessoal; os pares; os aspetos “livres” focados pelos entrevistados sobre as suas vivências e experiências. É de relevar, de acordo com Foddy (1996: 102), que “à medida

que o tempo passa, a memória e o processo de recordar – mesmo relativamente a perguntas factuais – conhece naturais dificuldades”.

Relativamente a este assunto parece-nos relevante ter também em conta que se deve reduzir o efeito, eventualmente, perturbador de determinadas perguntas pois existe a

“ (…) probabilidade de a pergunta conduzir a uma sub-relatação ou sobre-relatação do comportamento em jogo” (Foddy 1996: 132). Isto significa que é fundamental ter em

atenção que a formulação de certas perguntas pode ser perturbadora ao fazer recordar aos entrevistados alguns aspetos que lhes são perniciosos, nomeadamente os que se podem prender com uma infância menos feliz.

3.2.2 Protocolo metodológico

O estabelecimento de um protocolo metodológico surgiu-nos como uma possível configuração para desenvolver o trabalho de investigação e, nesse sentido, contar com mais clareza e exequibilidade no percurso a empreender para atingir os objetivos a que nos propusemos. Esta exposição metodológica residiu em apontar os princípios basilares a pôr em prática no decorrer da pesquisa.

Os diferentes métodos utilizados são concretizações próprias do processo que serviram para consubstanciar a própria investigação. Tratou-se de apontar itinerários dissemelhantes criados para se encontrarem adequados aos fenómenos ou aspetos em estudo. Referem-nos Quivy e Campenhoudt (2008: 25) que “ao dar mais relevo ao

procedimento do que aos métodos particulares, a nossa formulação tem, assim, um alcance geral e pode aplicar-se a todo o tipo de trabalho científico em ciências sociais.” O protocolo

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Fases Descrição

Fase I Revisão bibliográfica

Fase II Entrevistas exploratórias

Fase III Construção da base de dados

Fase IV Entrevistas telefónicas à população

Fase V Entrevistas profundas à amostra

Fase VI Análise estatística da base de dados

Fase VII Análise de conteúdo das entrevistas

Fase VIII Redação da tese

Quadro 2 - Protocolo metodológico