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Sosiale egenskaper

KAPITTEL 3 – TEORETISKE RAMMEVERK

3.2 Mekanismer for relasjonsbygging

3.2.1 Sosiale egenskaper

Como argumentou Edwards (1997)154, a crise do México trouxe um número elevado de questões sobre a sustentabilidade e até mesmo o mérito das reformas econômicas com base no Consenso de Washington na América Latina e em outras regiões do mundo. Se o México era um dos melhores exemplos deste tipo de reforma econômica o que poderia se esperar de outras nações?

O país havia inaugurado a chamada “crise da dívida dos países subdesenvolvidos” em 1982, mas, naquele momento, os credores formavam um cartel de bancos sindicalizados. Em 1994, os credores eram bem mais diferenciados, como corretoras, investidores institucionais e fundos de investimento.

O México havia iniciado o processo de reformas econômicas em 1988 e tinha em 1993 um apoio entusiástico de diversos analistas de mercado e do próprio governo norte-americano, apesar do baixo crescimento econômico após as reformas155. A euforia estava relacionada com o fato de que as reformas econômicas foram realizadas em um país que, apesar de não puder ser considerado uma democracia (dado o domínio de um único partido), não estava passando por uma ditadura (ao contrário do Chile), e esperava-se uma grande melhora da economia mexicana com a aprovação do NAFTA no Congresso dos Estados Unidos. Dentre as reformas realizadas destacam-se a maior

153 Discurso proferido na Índia, citado por Rodrigo Rato em How the IMF Can Help Promote a

Collaborative Solution to Global Imbalances. At the Center for European Studies, Harvard Business School Boston. April 4, 2006 (em http://www.imf.org/external/np/speeches/2006/040406.htm)

154 Edwards, Sebastian. The Mexican Peso Crisis: How Much Did We Know? When Did We Know It?

Working Paper 6334. National Bureau Of Economic Research. Dezembro 1997.

155 Edwards (1997) coloca que de certa maneira o chamado “milagre mexicano” tinha sido inventado pelo

abertura comercial, as privatizações do sistema bancário e o programa de estabilização baseado em âncora cambial.

Os problemas políticos internos foram detonados no início de 1994, com a revolta dos Zapatistas no Estado de Chiapas e com os assassinatos do candidato a presidência do País do partido de situação – Partido Revolucionário Institucional (PRI) – Luis Donaldo Colosio, durante um comício, em março de 1994, e do secretário-geral do partido, José Massieu.

No plano econômico externo, o Banco Central norte-americano (U.S. Federal

Reserve) elevou a taxa de juros interbancária em fevereiro de 1994, para se precaver contra a inflação. Esses acontecimentos geraram diminuição na demanda por títulos mexicanos, o que resultou em perda de reservas e aumento das taxas de juros.

Neste instante, o México ainda tinha o apoio da comunidade internacional, mas tinha dificuldade de rolagem dos títulos. Para evitar o aumento ainda maior da taxa de juros, intensificando a recessão, o País decidiu, então, naquele ano de eleição, substituir o título denominado em pesos, Cetes, por um título denominado em dólar, Tesobonos, para oferecer confiança ao mercado e manter financiamento para dívida mexicana.

Em abril de 1994, as crenças de mercado sobre o México se alteraram, influenciadas pelos argumentos de Rudiger Dornbush, que afirmou, e ficou famoso com isto, que o peso mexicano estava supervalorizado por no mínimo 30%, e por isso as autoridades mexicanas deveriam rapidamente corrigir a trajetória da moeda.

O México também sofreu uma crise bancária no ano de 1994156. Os bancos mexicanos tinham sido nacionalizados em 1982 e a partir de então tinham direcionado mais de 50% de empréstimos para o governo. Quando estes bancos foram privatizados

156 Mishkin (1996) utiliza a estrutura analítica da informação assimétrica para analisar a crise mexicana.

Argumenta este autor que o sistema bancário é a principal fonte de crises financeiras. As bolsas de valores não são tão importantes. O sistema bancário sofre mais com os problemas de seleção adversa (problemas de informação não revelada), risco moral (problemas de ação não revelada) e problemas de free rider: Mishikin, Frederic S. Understanding Financial Crises: A Developing Country Prespective. Annial World Bank Conference on Development Economis, 1996.

na década de 90, não havia nenhum órgão especial capaz de monitorar o risco dos empréstimos para as famílias e firmas mexicanas.

O crédito bancário para o setor privado havia passado de 10% do PIB mexicano em 1988, para 40% do PIB em 1994. Os aumentos nas taxas de juros dos Estados Unidos incrementaram os problemas de assimetria de informação, o que provocou a deterioração do balanço dos bancos mexicanos. Com os juros bastante elevados, os agentes com menor probabilidade de honrar suas dívidas são os mais propensos a tomar empréstimos. É o problema de seleção adversa.

Além disso, a desvalorização cambial, verificada durante o ano, elevou o peso da dívida dos bancos em moeda estrangeira. Em dezembro de 1993, 14,7% do total do endividamento bancário eram representados por dívida em moeda estrangeira, dada taxa de câmbio de 3,106 pesos/dólar. Em dezembro de 1994, os bancos tinham 27% do total de endividamento, com taxa de câmbio de 5,325 pesos/dólar.

Entre abril e outubro de 1994 (depois da eleição, em agosto, de Ernesto Zedillo Ponce, por uma pequena margem de votos) o nível de reservas internacionais permaneceu estável, mas esta falsa estabilidade tem de ser confrontada com o fato de o México estar crescentemente substituindo a dívida denominada em peso por Tesobonos. Em meados de outubro, as grandes empresas mexicanas anunciaram decepcionantes resultados. A bolsa de valores caiu e o peso enfraqueceu novamente, indo para o topo da banda cambial. No fim de Novembro, as reservas internacionais estavam em US$ 12,5 bilhões, sendo que a dívida de curto prazo atingiu US$ 27 bilhões. Além disso, por volta de 70% desta dívida estava denominada em dólar. A situação já caracterizava uma crise financeira. No dia 20 de dezembro de 1994, as autoridades resolveram alterar a política de câmbio. A banda cambial foi ampliada, mas como isto não conseguiu diminuir a descrença do mercado, o País, em seguida, decidiu liberar o câmbio. O contágio financeiro foi propagado e se estabeleceu historicamente a crise mexicana de 1994. Sobre esse contágio a coluna Editorial do jornal Folha de São Paulo, de 29 de dezembro daquele ano, diagnosticou:

“A crise mexicana, que de um modo ou de outro afeta todos os países latino-americanos, tem sido particularmente dura para a Argentina.

Com um modelo assemelhado ao do México, a estabilização argentina apresenta dilemas similares. Surgem temores de que, mais cedo ou mais tarde, possa enfrentar os mesmos problemas...

Assim como o México, a Argentina ancorou sua estabilização na valorização da moeda local face ao dólar, na entrada de capitais para sustentar o déficit nas contas externas e numa forte abertura comercial...

Admitindo a gravidade da situação, o governo argentino tentou conter a fuga de capitais elevando os juros anuais dos 10% a 12% antes da crise para perto de 30% –isso, para uma inflação de 3,6% este ano. Ainda assim, só na terça-feira o Banco Central vendeu US$ 236 milhões para defender o peso. Na quarta, mais US$ 370...”

A crise foi definida como falta de controle fiscal, teve-se a crença de que o País tinha realizado uma política monetária austera, mas a política fiscal foi ineficiente para conter a dívida pública.