4. Presentasjon og analyse av resultater
4.4 Sosial tilhørighet
A criação do GPS (Global Position System) conjugado à utilização dos dispositivos móveis, internet e wi-fi elaboram a possibilidade de geoetiquetagem e construção dos mapas colaborativos. Novas leituras do espaço realizadas pelo cidadão, que ressignificam, valoram e interferem nos lugares, desenham novas rotas e preenchem de diferentes valores o espaço.
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Os sítios mencionados podem ser acessados nos seguintes endereços virtuais, respectivamente:
O exercício do mapeamento, antes circunscrito aos atos de poder sobre o território, engajados nas práticas de controle do território, das estratégias de guerra e supremacia sobre os recursos naturais, enfrenta atualmente o mais radical exposição às práticas democráticas. A elaboração de mapas era trabalho de especialistas, seguia a objetividade e racionalidade. Hoje qualquer um pode elaborar seu mapa, descrever seu território, criar espaços significativos e camadas sobre o território e o lugar, interferir em última instancia na memória, história e significado dos lugares. (LEMOS; LÉVY, 2010)
Essa fusão do espaço virtual com espaço cotidiano proporciona o pertencimento e tensiona à participação, à colaboração, concretiza a esfera pública, fortalece, portanto o exercício da cidadania e a democracia, tornando mais longíqua a interpretação da internet como instrumento de alienação. Os mapas representam assim uma leitura individual e coletiva da realidade, proporcionam uma plataforma de propostas, debates e principalmente de melhor compreensão da realidade suscitando maior poder de intervenção e deliberação.
A elaboração de mapas colaborativos consubstancia a própria ideia de ciberdemocracia como espaço de interação, informação, fortalecimento da esfera pública, espaços comuns e públicos, abertos à colaboração e elaboração de relações mais fortes com a cidadania, com seus grupos de interesse e identidade. A palavra cidadania que surgiu como sinônimo de pertencimento à cidade (cidadão grego), perdeu-se ao longo da democracia representativa como relação com o Estado. A ciberdemocracia devolve o sentido concreto, originário e mais denso do exercício da cidadania enraizado em um local, mesmo que com olhares e preocupações globais, e até mesmo um cidadão planetário, mas situado no espaço e relacionado com ele.
Os fluxos na elaboração dos mapas são horizontais, colaborativos, fáceis, acessíveis. Na forma proposta por Castells (1999), os espaços de fluxos caracterizam a sociedade em rede da era informacional e os mapas seriam uma representação significativa desses espaço de fluxos. Assim, a geografia tem contornos mais democráticos e o território se traveste de novos significados. Segundo o Dicionário Houaiss (2011, online) a etimologia da palavra mapa (latim) significa toalha ou guardanapo onde se inscrevia um pedaço de terra.
Nesse sentido, as novas tecnologias acopladas a resignificação dos lugares se utilizam das mídias locativas, definidas por Lemos (2009, p. 1) como “dispositivos informacionais digitais cujo conteúdo da informação está diretamente ligado a uma local idade. Trata-se de
processos de emissão e recepção de informação a partir de um determinado local [...]”.
Sobre o fortalecimento dos vínculos comunitários envolvidos no uso de mapas leia-se as observações de Lemos e Lévy (2010, p. 61):
As mídias de localização, geoetiquetagem a partir de GPS, telefones celulares e sistemas de mapeamento hoje disponíveis para todos permitem novas formas de conhecimento, de produção de conteúdo e informação sobre o espaço urbano, antes reservados aos técnicos de produção de mapas e informações geográficas. Com as novas mídias locativas (LEMOS, 2007) estamos assistindo à produção coletiva de informação sobre bairros ou cidades (podendo ser mapas epidemiológicos, de crimes turísticos, etc.) de forma bottom-up inimaginável sem o desenvolvimento do ciberespaço e das ferramentas Web 2.0. [...] Graças a essas ferramentas locativas, os mapas e os processos de significação aí acoplados estão ao alcance de todos. Assim, ao lado da desterritorialização global, as mídias locativas estão criando pelo interessante imbricamento do ciberespaço aos espaços concretos novos pertencimentos locais, novas significações nos espaços físicos e novos vínculos comunitários.
O conceito de mapa colaborativo se desprende do mapa tradicional pelo seu valor não mais permeado pela exploração econômica ou controle estratégico somente, mas sobretudo enriquecido pelo valor de apropriação e compreensão, a verdadeira inteligência coletiva, como se verifica em Lima e Lemos (2011, p. 45):
Os mapas construídos a partir da ideia de colaboração também possuem um aspecto econômico, político e cultural. Contudo, esses aspectos são diferentes do sentido que adquirem no mapeamento tradicional, pois a dimensão econômica é centrada em seu valor de uso. […] O valor está na apropriação de um dispositivo que se coloca como um ela entre o indivíduo e a materialidade do território e não apenas na exploração econômica do território, como se faz no mapa clássico (não colaborativo).
Diego Erba (2011, p. 26) numa abordagem mais aplicada e técnica propõe o planejamento, o tratamento das questões ambientais e de risco, segurança, enfim o mapa como plataforma de decisão, como base para políticas públicas, fiscalização e monitoramento das políticas com custos reduzidos, numa proposta ousada e democratizadora:
Ubicarse en áreas de riesgo o susceptibles o de preservación no es un “privilegio” de las favelas. Barrios regulares enteros fueron levantados en regiones donde fenómenos naturales como terremotos, huracanes e inundaciones son frecuentes. El problema mayor de los asentamientos irregulares es que se ubican en áreas que ya tienen problemas crónicos de drenaje, de deslizamientos o de contaminación y el Gobierno no toma las medidas porque desconoce cuales son y donde están esos peligros inminentes por no tenerlos mapeados (aunque algunas veces los conoce y cierra los ojos a esa realidad por cuestiones políticas).23
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Localizar-se em áreas de risco, suscetível ou de preservação não é um ‘privilégio’ das favelas. Bairros regulares inteiros foram levantados em regiões onde os fenômenos naturais, tais como terremotos, furacões e inundações são frequentes. O maior problema dos assentamentos irregulares é que estão localizados em áreas
Como afirma Rover (2013, p. 37), não basta a disponibilização dos dados por um governo aberto sem uma sociedade que se interesse por seus dados, “é necessária a mineração desses dados. Um passo criativo nessa direção são as ferramentas de geoprocessamento que mostram o poder de síntese das imagens, do cruzamento das informações e do fácil acesso ao público”.
Os dispositivos móveis permitem a experiência ampliada dos lugares, de forma colaborativa e transparente. Aplicativos para celular como Foursquare, Google Latitude, Instagram24 fornecem recursos para a leitura e geolocalização das experiências, espaços e percepções. É denominada ainda de realidade aumentada, ou hiperealidade. As anotações colaborativas ou geotags ampliam a compreensão e o significado dos lugares.
Outra mídia locativa com alto poder de comunicação e interação são os QR Codes, etiquetas em códigos de barra, bidimensionais que permites deixar nos locais inscritos todo tipo de informação, fotos, músicas, textos, poemas, entre outros, acessados por meio de celulares ou palms.
Lima (2011, p. 45), em dissertação de mestrado na Universidade Federal da Bahia, reflete de forma perspicaz acerca da diferença da experiência passiva e contemplativa do mapeamento e sua transformação em experimentação colaborativa:
Esta abertura para uma espacialidade marcada pela experimentação dos lugares, em detrimento de uma espacialidade contemplativa, é uma característica de um mapeamento que aqui vamos denominar de colaborativo. Esses novos dispositivos de representação e construção de mapas colaborativos são uma possibilidade de renovação do mapeamento clássico (não colaborativo), uma vez que ele remodela, mesmo que de forma embrionária e parcial, um padrão anterior de interação com o espaço, ao mesmo tempo em que promove uma representação social do espaço urbano, marcada pela fluidez e menos compromissada com o rigor e a objetividade do mapeamento oficial (não colaborativo).
A disposição de uma verdade unidirecional, elaborada por especialistas, sem flexibilidade e tomada pelos interesses do poder e do controle, características da elaboração que já têm problemas crônicos de drenagem, deslizamento de terra ou poluição e o Governo não toma as medidas necessárias para resolução destes problemas, uma vez que desconhece quais são e onde estão esses perigos iminentes pois não os tem mapeados (embora algumas vezes os conheça e feche os olhos para a realidade por questões políticas). (Tradução nossa)
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O Foursquare permite que as pessoas façam check in nos locais e compartilhem as experiências, inserindo textos e fotos, (dicas) e saibam quem está no local usando o mesmo aplicativo; O Gogle Latitude permite a localização de pessoas e lugares; O Instagram permite o compartilhamento de fotos e pequenos vídeos georreferenciados.
de mapas tradicional, abre espaço para uma leitura individual e coletiva do espaço e do lugar, pela interferência fácil e colaborativa na realidade, pela virtualização se alcança a construção de mapas que ancoram a realidade e a cidadania. Constitui uma concretização da liberação do pólo de emissão e da conexão generalizada (LEMOS, 2007), características da sociedade em rede, mais próximas da ciberdemocracia no sentido de uma apropriação coletiva da tecnologia que torna mais fácil e complexa a compreensão e intervenção na realidade.
Lemos (2007) denomina de mídias pós-massivas as estruturas que permitem a comunicação multidirecional, em que o pólo receptor passa a também produzir conteúdo, em que há uma troca verdadeira e interação por meio das mídias, num fluxo que não tem uma direção de cima para baixo, mas que permite a horizontalidade. Os mapas colaborativos são expressões sofisticadas de mídias pós-massivas. Diferente da mídia massiva que estabelecia apenas fluxo de informação unidirecional (rádio, TV, jornal tradicionais) as mídias pós- massivas ampliadas pela internet permitem a reação e interação imediatas.
A omnivisão, expressão usada por Lévy (2010) para denominar a ampliação da capacidade de ver e sentir a realidade por meio da internet, desabre a percepção e experimentação dos lugares. Instrumentos como Google Street View25 permitem o “caminhar” virtualmente nas ruas da maioria das grandes cidades do mundo, parques e até florestas. Nesse sentido, a ampliação dos sentidos aguça a sensibilidade e compromisso com diversas realidades, causas, situações e direitos.
A fusão de espaços territoriais com as ondas da virtualização, seus fluxos permanentes de informação e trocas criam novos territórios, elaboram, assim os territórios informacionais, que segundo Lemos (2007), transformam em ambiente generalizado de acesso e controle da informação por redes telemáticas sem fio, criando zonas de conexão permanente, ubíquas. O autor afirma ainda:
A sensação, na globalização atual, é de perdas de fronteiras, de desterritorialização, mas também de novas territorializações. Discutimos essa questão anteriormente (LEMOS, 2006), mostrando como se desenvolvem processos de territorialização e de desterritorialização com tecnologias móveis. (LEMOS, 2007, p. 123)
As reapropriações do espaço e ressignificações dos lugares exercidos pela coletividade
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O Google Street View permite visualizar e se mover em diversos lugares do mundo por meio de câmaras que captaram as imagens e disponibilizam na internet o percursos em 3D. Acessar em https://www.google.com/maps/views/home?hl=en&gl=br.
de forma difusa e colaborativa criam camadas de informação, de interpretação, descrição e valoração, modificando a relação do cidadão com lugar e aumentando seu pertencimento.26 Os territórios informacionais forjam espaços e estruturas para o exercício da inteligência coletiva ancorada a vida cotidiana, portanto, são espaços privilegiados do exercício da ciberdemocracia.