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Sosial romlighet i Oslos byrom

In document Kampen om Oslo (sider 98-102)

Neste subcapítulo, o investigador seguirá a análise de Linda Woodhead (2005), apresentada e explicada na obra “Religions in the Modern World”, onde a autora aborda aqueles que são os diversos agrupamentos dentro do Cristianismo, como é o caso da Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa e as Igrejas Protestantes. Estes diversos grupos distinguem o próprio Cristianismo, quando comparado com outra grande religião, como é o caso do Islão, onde subsiste uma maior homogeneidade e uniformização de valores comuns. A divisão dentro do seio cristão começou desde logo, no século XI, sendo essa divisão consumada e oficializada no ano de 1054. Nesse sentido, a tipologia que Woodhead irá criar tem como objetivo perceber de que forma os vários ramos do cristianismo olham para a autoridade, a quem é que reconhecem a autoridade na sua instituição religiosa tanto na época pré-moderna como atualmente. Essa tipificação pode ser consultada, de seguida, nas tabelas 1 e 2. Então, na tabela 1, pode- se consultar a autoridade primária das instâncias religiosas numa fase pré-moderna,

enquanto que na tabela 2, pode ver-se essa mesma autoridade primária representada numa fase e num mundo moderno.

Tabela 1 - Autoridade primária nos tipos de Cristianismo tradicional (pré-moderno)

Tipo de Cristianismo Autoridade

Ortodoxa Igreja; tradição; liturgia

Católica Igreja; tradição; Papa

Protestante Escritura; Igreja

Fonte: Woodhead (2005, p.202)

Tabela 2 - Autoridade primária nos tipos de Cristianismo no Mundo moderno

Igreja Autoridade

Ortodoxa Igreja; tradição; liturgia

Católica:

a. Conservadora b. Liberal c. Carismática

Igreja; tradição; Papa Razão; experiência Espírito Santo; escritura Protestante: a. Evangélica b. Liberal c. Carismática Escritura Razão; experiência Espírito Santo; escritura

Fonte: Woodhead (2005, p.202)

Centrando a análise na Igreja Católica, esta foi a que mais se reformou com a modernidade, como já se pôde comprovar noutros pontos da pesquisa. Durante centenas de anos, a Igreja Católica manteve um domínio político na Europa, aspeto que no estado moderno vem esvanecer e alterar por completo a sua dimensão simbólica.

Olhando para a tabela 1, pode-se reparar que dentro do Cristianismo, os Ortodoxos e os Católicos são aqueles que conferem à instituição da Igreja e à tradição religiosa uma maior importância e centralidade, sendo que para os ortodoxos a liturgia é também um fator de autoridade, onde os católicos reconhecem mais a figura papal.

Em oposição, identificamos os Protestantes, também eles cristãos, mas que se separaram dos restantes por atribuírem a autoridade primária às escrituras e só depois à Igreja. Estes colocam de lado, a autoridade papal e das liturgias. Posto isto, o que a

tabela 1 evidencia é uma genérica diferenciação dos tipos de cristianismo existentes. Olhando de seguida para a tabela 2, o que se irá observar é a mesma tabela, com os mesmos grupos religiosos a serem analisados, mas colocados no mundo moderno, o que por si só será uma identificação diferente daquela que é visível na figura 1. Ora, direcionando a atenção para a Igreja Ortodoxa, esta mantém-se igual face ao mundo pré-moderno, onde igreja, tradição e a liturgia continuam a ser as suas fontes de autoridade primárias.

No entanto, a composição, quer de Católicos, quer Protestantes pura e simplesmente redefiniu-se, agora também elas internamente se encontram diversificadas. Este primeiro dado analítico é a primeira grande conclusão que pode ser retirada do trabalho de Woodhead, a morfologia da Igreja Católica Romana e do Protestantismo secularizou-se com a modernidade. Tal aspeto é mencionado por Dobbelaere (2004), que via nesta secularização interna, um processo com vista a atenuar os efeitos adversos resultantes da atual modernidade e a existência de dinâmicas e propostas de mobilização social cada vez mais seculares. Posto isto, e focando a análise nos católicos, segundo a autora, estes estão divididos em três tipos, os conservadores, os liberais e os carismáticos.

Com a chegada dos estados modernos e tendo em consideração a Revolução Francesa (1789-1799), a difusão de ideais de liberdade individual e de escolha religiosa, a Igreja, como forma de resposta procura o controlo dos seus próprios fiéis, mantendo a sua uniformização, centrando a sua ação nos sacramentos do batismo e da eucaristia, confissão, veneração dos Santos, devoção ao Papa, ao clero e às ordens religiosas. Ora, estes são os denominados católicos conservadores, que tal como indica a tabela 2, continuam a ver na Igreja, na tradição e na figura papal a fonte primária de autoridade. A instituição do Opus Dei é enquadrada nesta ala mais conservadora do catolicismo, chegando mesmo a ser definida como uma instituição sectária e tradicionalista (Moncada, 2004 cit. por Pinotti, 2008).

Conforme explicado em capítulos anteriores, o Concílio Vaticano II é considerado como o encontro religioso que viria a impulsionar uma parcial liberalização do catolicismo moderno. Segundo a autora, os efeitos das alterações promovidas após o

Concílio começaram a ser sentidas em várias extensões. Desde logo, num levantamento de todo o saber, seja ele espiritual ou intelectual de modo a fazer face aos problemas éticos do presente e futuro e com as inconsistências entre as escrituras e a tradição. A experiência individual começa também ela a ser um ponto de partida para o estudo e compreensão das sociedades modernas. Por conseguinte, todos aqueles que tinham o cuidado de examinar o conhecimento e que de certa forma, tinham em conta a experiência individual de cada um, podem ser colocados nos católicos liberais.

Apesar dos novos e modernos tempos seculares, a Igreja Católica Romana continua a ser aquela que congrega um maior número de fiéis em todo o Mundo. Não obstante, a visão eurocêntrica dos valores católicos, faz emergir um novo tipo de catolicismo. Como nos explica Linda Woodhead, os discursos dos máximos pontífices da Igreja Católica vão cada vez mais na promoção de uma religião globalizante, uma espécie de catolicismo moderno. Então, na América Latina, assiste-se a uma emergência de movimento que vai desde a teologia da libertação até aos carismáticos como resposta aos evangélicos, nomeadamente, no Brasil.

Após esta análise comparativa de mudanças dentro do catolicismo moderno, existe outro aspeto que é curioso retirar da tabela 2. Na configuração dos protestantes nas sociedades modernas, a Igreja enquanto fonte de autoridade primária desaparece das coagitações protestantes. Sendo que, também eles se encontram agora secularizados, podendo o leitor verificar a existência dos protestantes evangélicos, dos protestantes liberais e dos protestantes carismáticos. Ora, confrontando católicos liberais e carismáticos com os seus homólogos, isto é, com os protestantes liberais e carismáticos as fontes de autoridade primária de ambos são iguais, conclusão essa que espelha as grandes transformações religiosas que o mundo moderno trouxe e que veio, em termos de organização, aproximar católicos romanos e protestantes.

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