2 Motivasjonsfaktorer og kategorier av fagvalg
2.5 Sosial kontekst: omgivelsenes betydning for fagvalget
Se a moradia se torna algo, que de certa forma é inacessível, tendo em vista as questões políticas já levantadas, a centralidade, então só é acessível à classe operária, quando esta ocupa ilegalmente o espaço criando enclaves ou na condição de local da produção da força de trabalho.
O centro principal possui em alto grau todos os serviços urbanos e ao seu redor se localizam as zonas residenciais da população mais rica. Os serviços urbanos se irradiam do centro à periferia, tornando-se cada vez mais escassos à medida que a distância do centro aumenta (SINGER 1982, p.29).
A contradição que envolve centro e periferia revela como ocorre o processo de segregação sócio-espacial a partir de uma organização seletiva e hierárquica do espaço. Todavia, faz-se necessário compreendermos que esta contradição não se dar de forma linear. Se partirmos do pressuposto de que centro e periferia são conceitos geográficos e não, geométricos, devemos ter a noção de que a centralidade diz respeito ao lugar onde várias funções se concentram e que com a dinâmica da sociedade, o centro e os sub-centros passaram a surgir em vários lugares, inclusive na periferia. E também não é de agora que existem favelas em lugares centrais. Fortaleza é uma cidade que exemplifica bem este fenômeno.
Até a década de 1970, observava-se que as favelas espalhavam-se por toda a cidade, ocupando parte do centro e as áreas dos setores Leste, Oeste e Sul da cidade. Essa população foi sendo deslocada para outras áreas a partir da década de 1970 com a política de desfavelamento da prefeitura (SOUZA 2006, p. 154).
Apesar desta política racionalista do espaço que empurrou os moradores das favelas para a periferia. Na Aldeota, algumas destas favelas resistiram a esse processo e ainda permanecem no bairro, como é o caso do Campo do América e Santa Cecília, que passaram por um processo de urbanização, devido à aproximação com os prédios e às ruas pavimentadas. A maioria dos moradores destas localidades trabalha na própria Aldeota, geralmente como empregados domésticos ou operários da construção civil, onde realizam o trajeto casa-trabalho a pé ou de bicicleta. Nestas circunstancias, o trabalho e a moradia se aproximam pela localidade. Mas na realidade, as precárias condições dos mesmos, fazem com que a luta para melhorá-los seja ainda mais difícil, tendo em vista a dupla informalidade (no trabalho e da casa). No entanto, muitos moradores receberam propostas tentadoras para venderem seus imóveis, como o Seu Gomes (ex-mestre de obras), morador do Campo do América há 42 anos, diz “Aqui é um lugar de muito valor, por isso não vendo minha casa para ter que morar num lugar distante, pois no dia que eu não tiver dinheiro para ir ao Centro da cidade eu vou a pé” (Entrevista realizada no dia 04/10 às 15h45min).
O trabalhador com menos recursos é relativamente mais cativo da proximidade de seu local de trabalho, em decorrência de seu salário irrisório, dos custos de transporte que, em particular, pesam em seu orçamento; e, no caso do “peão”, soma-se a necessidade de estar perto do “mercado de peões” e as jornadas prolongadas de trabalho reduzindo ainda mais seu tempo de locomoção. Embora, em termos micro-espaciais, ou no que diz respeito às áreas mais urbanizadas, seja, sobretudo um habitante da periferia da cidade (DAMIANI 1984, p. 128).
Tendo em vista a estreita relação estabelecida entre centro e periferia, e a distância percorrida entre elas, faz-se necessário definir a importância das verticalidades e das
horizontalidades para a compreensão de um território formado por redes e fluxos. Estes conceitos foram difundidos por Santos (2000) que concebeu as verticalidades como as relações estabelecidas num sistema de produção constituído por fluxos e redes, onde se instalam forças centrífugas, que determinam um conjunto de comportamentos sociais baseados nas atividades econômicas, que por sua vez, são portadoras de uma racionalidade hegemônica postas num sistema reticular, de cima para baixo.
Tais espaços de fluxos vivem uma solidariedade do tipo organizacional, isto é, as relações que mantêm a agregação e a cooperação entre agentes resultam em um processo organizacional, no qual predominam fatores externos às áreas de incidência dos mencionados agentes (SANTOS 2000, p.106).
Em contrapartida as verticalidades, mas também como resultado destas, existe as horizontalidades que se constituem pela oposição do espaço econômico, agindo através das forças centrípetas. “Pode-se dizer que a partir do espaço geográfico cria-se uma solidariedade orgânica (...). Trata-se, aqui, da produção local de uma integração solidária, obtida mediante solidariedades horizontais internas, cuja natureza é tanto, econômica, social e cultural como propriamente geográfica” (SANTOS 2000, p. 109-110).
Desta forma, os enclaves que permeiam o tecido urbano do bairro Aldeota podem ser considerados lugares, cujas horizontalidades caracterizam um espaço de resistência, onde se evidenciam as práticas de solidariedades em meio às atividades econômicas de pequeno porte como mercadinhos, açougues, padarias, dentre outros serviços, como salões de beleza, oficinas mecânicas, chaveiros, etc, que se proliferaram à medida que a população residente dos prédios passou a ser um público consumidor deste circuito inferior da produção. Estes prédios fazem parte de um processo de verticalização e foram produzidos sob a lógica hegemônica de racionalização do espaço, e, portanto, produzem verticalidades à medida que se manifestam relações baseadas no estranhamento da vizinhança, onde os vínculos de sociabilidade foram sendo diluídos devido o medo da violência, da exacerbação da individualidade, da exaustão causada pelo trabalho, etc. Entretanto, também existem horizontalidades que se diferenciam num espaço edificado repleto de ícones verticais, entrelaçando-se com as verticalidades existentes.
Contudo, a Aldeota por se caracterizar num território, cuja centralidade é eminente, revela com bastante nitidez significativas transformações num espaço que ainda apresenta fortes permanências, como é o caso das residências que resistem ao processo de verticalização, evidenciando as rugosidades no espaço que consistem no confronto entre o antigo e o moderno, o velho e o novo. Vejamos a figura abaixo:
FIGURA 25 - Residência antiga na Av. Barão de Studart, onde funcionava uma central de serviços da empresa japonesa SHARP e que se encontra atualmente com aspectos de abandono
Fonte: MENDES, 2008
Para Santos (2004, p. 259) “os estabelecimentos humanos são definidos exclusivamente por variáveis já “antigas”, cuja evolução durante um curto período foi endógena. Quando novos fluxos se instalam, carreando varáveis novas ou renovadas, eles são deformados pela ação das vaiáveis já presentes”.
Tais esclarecimentos à cerca da questão centro e periferia, das verticalidades e das horizontalidades, objetiva elucidarem alguns paradigmas que a temática desencadeou com o passar do tempo. Entretanto, o que esta pesquisa procurará investigar é justamente a lógica que distancia espacialmente e socialmente o centro da periferia, o trabalho da casa, a produção e a reprodução do trabalho.
O que pode estar ainda na “margem” é também o seu oposto a flânerie, que desaparece enquanto possibilidade presente como forma de apropriação do espaço público, uma vez que o sentido do espaço público se transforma radicalmente como conseqüência da contradição entre a reprodução do espaço urbano da cidade enquanto estratégia para a reprodução da vida e enquanto estratégia de poder (CARLOS 1999, p.376).
Para Lefebvre (2006, p. 42) “se existe centro e periferia, o centro tem sua realidade trágica, a do sacrifício, da violência, da exploração. A periferia igualmente, à sua maneira”.
Partindo destas considerações, faz-se necessário analisar como se deu a expansão urbana e o processo de segregação sócio-espacial de Fortaleza, onde
(...) o setor leste e sudeste predomina a cidade moderna, verticalizada, e onde reside a maioria da população de estratos sociais de rendas alta e média alta. Na parte oeste e sul da cidade, apesar de existirem alguns bairros de classe média e áreas de expansão da verticalização voltada para atender a demandas de quadros médios (expansão em torno do North Shopping), predominam os bairros populares, com a grande expansão dos loteamentos periféricos na direção da Caucaia, Maranguape e Maracanaú (SOUZA 2006, p.153).
A expansão territorial urbana descontínua das cidades deve-se à forma pela qual os loteamentos urbanos foram planejados e implementados por parte do poder público, onde as regras foram feitas para serem burladas pela classe dominante e para serem cumpridas a partir da coerção moral da classe trabalhadora.
Spósito (2004) analisa o chão em pedaços da metrópole paulistana e exemplifica passo a passo como acontece este processo. Primeiramente, a expansão urbana é jurídica, pois para transformar uma gleba rural em área urbana realiza-se o parcelamento da terra a partir dos procedimentos legais conferidos pelo atendimento da legislação federal, estadual e municipal atreladas aos planos diretores de desenvolvimento urbano. Seguem-se, então, os procedimentos técnicos que a partir de uma equipe formada geralmente por engenheiros e arquitetos são encarregados de elaborar um plano de demarcação da área para avaliar a demanda potencial para o empreendimento. Tais procedimentos fazem parte de uma grande estratégia política, onde os responsáveis pelo setor imobiliário possuem influências diretas com o resultado da tramitação jurídica.
Não poucas vezes fazem parte desses procedimentos, acompanhar a tramitação da solicitação junto ao poder público executivo e efetuar subornos para que essa tramitação transcorra sem problemas ou, ainda organizar lobbies para a mudança da legislação junto à Câmara Municipal, de forma a incluir as glebas nas áreas passível de ser loteada ou diminuir os graus de exigência para o parcelamento (SPÓSITO 2004, 75).
O segundo passo consiste na operacionalização dos serviços de limpeza da gleba que se constitui desde o aplainamento do solo até a demarcação de vias, calçadas e lotes. De acordo com a legislação federal é preciso que haja antes do processo de ocupação a instalação das infra-estruturas como: tubulação para o abastecimento de água, asfaltamento, redes de captação de esgoto, iluminação pública ou rede de telecomunicações. No caso, dos lotes
localizados na periferia, a ocupação dessas infra-estruturas geralmente acontece durante a ocupação ou até mesmo muito depois.
E por último, temos a representação que a ampliação territorial significa para seus habitantes, pois à medida que uma nova gleba se torna um loteamento urbano, observamos um conjunto paisagístico que se integra na perspectiva de uma sociedade urbana, onde não só mudam as edificações, mas os valores e os hábitos sociais. Quando isso acontece, “essa nova parcela do tecido urbano passa a compor os territórios comprados, usados e apreendidos pelas práticas socioespaciais, compondo, assim, o mosaico que se elabora mentalmente como sendo a cidade” (SPÓSITO 2004, p. 76).
A cidade por sua vez, representa a materialização dos valores urbanos, entretanto, ela é constituída sob a lógica do não direito a mesma. E esta é a grande crítica levantada por Lefebvre (2001b), pois é no habitat da cidade que nem os direitos mais necessários à vida na cidade não se completam.
Segundo Lefebvre (2006, p. 29) “é preciso inverter a tendência dominante, a que vai em direção a fragmentação, à separação, ao esmigalhamento subordinados a um centro ou poder central, efetuado pelo saber em nome do poder”.