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Esta fala é de uma de nossas entrevistadas, a capitã Claudilâine Silva Rocha, do terno Congo Pena Verde. Ela é bem emblemática para começarmos aqui a esboçar os resultados da pesquisa de campo, no que diz respeito às entrevistas que buscaram responder as seguintes questões:

1. Quais os significados atribuídos pelos jovens congadeiros à Festa de Nossa Senhora do Rosário, à religião e à tradição?

2. Por quais motivos os jovens integram-se à tradição congadeira e assumem o compromisso de chefiar os congos?

3. Qual a importância destes jovens para a manutenção do congado de Estrela do Indaiá? 4. Como se estabelece o processo de negociação intergeracional que decide sobre a

manutenção da tradição ou sua inovação?

5. Quais os significados atribuídos pelos jovens não congadeiros à Festa de Nossa Senhora do Rosário, à religião e à tradição?

Os questionários apresentados aos congadeiros tiveram por base responder a problemática proposta por essa pesquisa e levaram em consideração a tradição, o processo de transmissão dos rituais e o significado da festa de Nossa Senhora do Rosário para jovens e velhos, entendendo a importância do papel que a juventude exerce na preservação desta tradição. Foram entrevistados os capitães mais velhos - exceto o capitão do Congo Marujo que não foi encontrado para a realização da pesquisa, os suplentes jovens que estão sendo treinados para substituí-los – exceto o suplente Gilton não encontrado para a realização da pesquisa, assim como os capitães jovens que já exercem a função. O terno Gaita Dourada não entrou nesta pesquisa por não ter participado da festa em 2011. Os entrevistados formaram quatro grupos diferentes, sendo todos de ambos os sexos, e os jovens na faixa etária dos 14 aos 33 anos. Foram construídos três questionários para oito ternos, num total de treze pessoas. Um outro questionário foi construído para entrevistar sete jovens não congadeiros, com idades entre 15 e 29 anos, naturais de Estrela do Indaiá, mas não necessariamente residentes. Foram aplicados quatro questionários direcionados para cada um dos grupos de entrevistados, sendo

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o primeiro grupo formado pelos capitães mais velhos de cada terno em um total de três pessoas, o segundo grupo formado pelos jovens suplentes de cada terno em um total de cinco pessoas, o terceiro grupo formado pelos jovens que já exercem a função de capitão nos ternos em um total também de cinco pessoas e o quarto questionário, voltado para o grupo de não congadeiros formado por sete pessoas.

As perguntas, por sua vez, foram divididas em blocos para melhor acompanhamento dos resultados. Deste modo, apresentaremos os resultados de acordo com os blocos temáticos que foram baseados no mesmo princípio nos três questionários.

No primeiro bloco as questões foram iguais para todos os entrevistados e se referiam ao tempo de congado, a idade em que começaram, e o porquê de ainda continuarem participando nos dias de hoje.

No segundo bloco haviam questões que possuíam o mesmo sentido relacionadas às funções exercidas no terno durante o tempo de participação e o porquê do comprometimento com as funções de capitão e suplente.

No bloco três foram relacionados questionamentos diferentes, porém com os mesmos sentidos e objetivos para cada um dos grupos como acerca das possíveis inovações introduzidas no caso dos capitães jovens, o processo de ensinamento de suplentes pelos capitães jovens e velhos e de que forma os suplentes lidam com estes ensinamentos, questões que trataram da aceitação da tradição e de possíveis inovações por parte dos mais jovens e velhos, respectivamente, o significado da tradição pra todos eles, assim como a participação de jovens no congado e a importância atribuída a eles por jovens e velhos congadeiros.

No quarto bloco as questões, iguais para todos, se referiam ao significado do congado, da religião e da Festa de Nossa Senhora do Rosário na vida dos entrevistados, bem como a responsabilidade de todos em realizar a festa.

Finalmente, o quinto bloco procurou relacionar perguntas sobre os ternos e suas histórias, e perguntas sobre o relacionamento entre os ternos novos e os tradicionais, a questão da herança familiar e a participação de parentes no congado.

Para a análise, intercalaremos os três questionários nas perguntas sendo algumas iguais a todos eles e outras diferentes, para que seja mais fácil compararmos os resultados. Para a apresentação dos resultados sobre os jovens e os velhos congadeiros de Estrela do Indaiá vamos, primeiramente, caracterizá-los:

169 Quadro 3: Caracterização dos entrevistados.

Nome Idade Sexo Escolaridade Função

Edicarlos 24 M Médio completo Capitão

Contra Dança

Anderson 18 M Médio completo Suplente Marujo

Jeissiana 20 F Superior incompleto Suplente

Congo Pena Verde

Karine 17 F Médio incompleto Suplente

Estrela de Ouro

Tiago 25 M Superior completo Capitão

Congo Catupé

Gislaine 23 F Médio completo Capitã

Estrela de Ouro

Claudilâine 28 F Pós-graduação Capitã

Congo Pena Verde

Marcos 33 M Fundamental completo Capitão

Congo Sereno

Edmar 26 M Médio completo Suplente

Congo Sereno

Stanley 14 M Fundamental Suplente

Contra Dança

Geraldo 61 M Fundamental I

completo

Capitão

Congo Real Penacho José Vicente 60 M Fundamental I

completo

Suplente Moçambique

Amarildo 45 M Médio completo Capitão

Caixinha de Bombacho Fonte: Entrevistas, 2012.

De acordo com o quadro acima, constatamos que a presença em liderança no congado é majoritariamente masculina, mas, por ser uma tradição que em muitos lugares ainda não se concebe a participação das mulheres nos ternos, constatamos que a presença feminina no congado em Estrela do Indaiá é relevante, principalmente, porque nos dias de hoje elas podem participar de todos os ternos. A escolaridade é variável, sendo que alguns deles completaram a

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faculdade ou estão cursando, e possuem o segundo grau completo. Todos os capitães jovens encontram-se com idade acima dos vinte anos, e Marcos, que apesar de ter 33 anos de idade e não corresponder a determinação brasileira de juventude que vai de 15 aos 29 anos, é considerado jovem em Estrela no exercício desta função. O suplente José Vicente foi considerado nesta pesquisa por exercer todas as funções atribuídas ao capitão do terno que por morar em outra cidade aparece em Estrela somente por ocasião da Festa do Rosário.