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In document LAR I NORGE 10 år Statusrapport 2008 (sider 31-35)

A partir da análise de todos os questionários aplicados, verifiquei uma considerável consistência em algumas respostas dos alunos, no que respeita à natureza das suas dificuldades na expressão escrita, aos benefícios do trabalho em grupo na sua aprendizagem e ao impacto positivo na sua aprendizagem de um projeto de escrita criativa

Numa fase inicial, quando questionados se tinham dificuldades na expressão escrita, de todas as opções elencadas aquela que teve uma percentagem mais significativa, de aproximadamente 15%, foi a que estava associada às dificuldades ortográficas e de construção sintática. As restantes opções apresentaram todas uma percentagem muito baixa. No geral todos os alunos consideravam ter poucas dificuldades na expressão escrita, o que de alguma contradizia a realidade escolar.

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Esta falta de consciencialização, considerada por mim, na altura, uma consequência dos raros momentos dedicados à produção escrita, na maioria das aulas observadas, hoje parece-me incompleta. Na realidade, quando iniciei o meu projeto de intervenção, os alunos estavam a dar os primeiros passos na expressão escrita, com atividades muito simples, que Bordón (2007:151) designa de “composición controlada”, ou seja, encontravam-se numa fase em que só escreviam frases e parágrafos, logo, o nível de exigência, era ainda muito reduzido, por isso, é natural que considerassem que o processo de escrita não apresentava dificuldades significativas.

Depois de um longo período de intervenção (aproximadamente 5

meses), um dado relevante nestes resultados é que a opinião dos alunos manteve-se idêntica. Na generalidade, consideraram, em todas as unidades, ter facilidade na expressão escrita, ou melhor dizendo, não sentiram dificuldades em realizar as propostas de escrita criativa. Hoje, com algum distanciamento e com outra perspetiva do projeto, posso considerar que houve certamente alguns fatores que contribuíram para esta avaliação: as atividades de escrita criativa foram praticamente todas realizadas em contexto de sala de aula, apoiadas e orientadas de forma regular pela professora e com recurso a diferentes materiais de apoio; estavam enquadradas no tema da unidade, mas sempre precedidas por atividades de motivação e de explicitação; foram ajustadas o mais possível ao nível da língua que os alunos possuíam, e claro, desenvolvidas em contextos colaborativos (pares/grupo). Por todos estes fatores, considero que a opinião dos alunos traduz uma verdade inequívoca, as atividades de escrita não se revelaram difíceis, mas isso não pôs em causa o seu contributo imprescindível na aprendizagem da língua.

Relativamente às propostas de motivação e de preparação dos alunos para as atividades de escrita criativa, a opinião foi generalizada de que foram atividades motivadoras e despertaram o interesse para as atividades posteriores, proporcionado, assim, uma melhor preparação doas alunos.

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Gráfico 12 – Avaliação da fase de motivação para as atividades de escrita criativa

Quanto aos processos de composição, constata-se que, com o decorrer do projeto, os alunos foram ficando mais sensibilizados para as questões da planificação e da revisão final dos textos, evidente nos dados apurados nas três fases diferentes.

Gráficos 13,14 e 15 – Avaliação da ativação das componentes ao longo do processo de

composição 0 0 17,4% 34,8% 47,8% Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo bastante Concordo totalmente

As atividades realizadas previamente despertaram interesse e motivação para as atividades de escrita criativa?

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo bastante Concordo totalmente PL A NI FI CA ÇÃ O

Antes de escrever o texto, planificámos as atividades de escrita através de uma pauta ou de um esboço. 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo bastante Concordo totalmente TEXTU ALIZ A ÇÃ

O Seguimos as orientações e os modelos apresentados, mas procurámos ser criativos.

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo bastante Concordo totalmente

REV

IS

Ã

O

Reescrevemos o nosso texto, pelos menos uma vez, retificando erros ortográficos e de sintaxe.

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Como vimos no ponto 2 deste capítulo, os alunos (há exceção de 13%) consideraram que o recurso a atividades de escrita criativa poderia motivar para a aprendizagem da escrita. Após a intervenção, na avaliação final do projeto, verifica-se uma uniformidade nas respostas e todos afirmam estar de acordo com a afirmação de que as atividades de escrita criativa contribuíram para ultrapassar dificuldades e adquirir novas competências na escrita. Estes resultados apurados demonstram o impacto que teve na aprendizagem dos alunos um projeto desta natureza, bem como o seu contributo na motivação para a escrita.

Gráfico 16 – Escrita criativa como estratégia de motivação e de aquisição de novas competências na escrita

Por último, um outro aspeto que merece alguma reflexão, diz respeito ao trabalho colaborativo desenvolvido em simultâneo com a escrita criativa. Desde o início do projeto, privilegiei os trabalhos de escrita em contextos colaborativos, pares ou grupos. Inicialmente, porque das leituras realizadas, me pareceu ser um fator relevante na aprendizagem dos alunos, depois pelo interesse manifestado pelos alunos aquando da implementação do primeiro questionário, onde 97% referiu que gostava e via vantagens em trabalhar em grupo e, por fim, pelas avaliações positivas que foi recolhendo ao longo do projeto. No último questionário aplicado, agora numa perspetiva diferente, de avaliação final das atividades realizadas, quase 80% considerou que o trabalho em grupo foi positivo em todas as suas dimensões, quer na mobilização de

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo Bastante Concordo Totalmente Após a intervenção Antes da Intervenção

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conhecimentos entre os diferentes elementos do grupo, quer na própria aquisição de novos conhecimentos.

Gráfico 17 – Avaliação do trabalho colaborativo

Os resultados aqui apresentados são extremamente elucidativos do quanto este projeto foi interessante e importante para estes alunos.

Segundo Barbeiro (2003: 26 e 27), o ato de escrever é frequentemente descrito como um ato isolado e mesmo quando o texto é escrito por vários sujeitos, a dimensão individual não é negada, pelo que o texto comum será, assim, o reflexo da gestão das diferentes relações que se estabelecem na sua produção. Do ponto de vista individual este confronto com outras perspetivas poderá ser enriquecedor e desencadear o alargamento do relacionamento com a linguagem. A relação com a escrita alarga-se e mobiliza outro contexto. Ativa- se a “dimensão da interacção” em que o sujeito pode ganhar com a primeira audiência. Por esse, motivo, considero que envolver este projeto de escrita criativa em dinâmicas de trabalho colaborativo, em contexto de sala de aula, foi uma forma eficaz de implicar todos os elementos (professora e alunos) na produção dos textos.

De facto, o texto pode surgir da responsabilização individual por determinadas partes (id.:28), mas o resultado final é fruto do contributo de todos os colaboradores envolvidos na sua produção.

0% 50% 100% Sempre Muitas vezes Algumas vezes Raramente Nunca

Consideras que melhoraste na expressão escrita por realizar trabalhos de escrita com outros colegas?

Achas que as atividades de escrita criativa foram mais interessantes e tornaram-se mais fáceis realizadas em grupo?

Consideras que aprendeste melhor trabalhando em grupo?

Gostaste de trabalhar em grupo nas atividades de escrita criativa?

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