DISKUSJON, BEGRENSNINGER OG IMPLIKASJONER
7.1. Forklaringstyper for evalueringer og bruk av kommunikasjonsteknologier
7.1.3. Sosial forklaring
FIG. 23. UMA TARDE DE SÁBADO NO META FOTO E ACERVO DO AUTOR.
Em 1966, procurei Dona Therezinha Fram, e disse-lhe que nós ex-alunos não agüentávamos mais as saudades do Experimental e lhe propus que criássemos uma Associação de Ex-Alunos. A Idéia foi aplaudida e prontamente aceita. Inicialmente faríamos uma reunião de ex-alunos onde a proposta seria apresentada. Ela foi marcada e me pus a trabalhar no levantamento dos ex-alunos, telefones, cartazes, circulares, um trabalho enorme.
No ano anterior em 31 de maio de 1965, havia sido criado no Experimental o META – Centro de Orientação Educativa, por Therezinha Fram (presidente), Thèrése Tollegan (psicóloga), Dalva Coelho e Margarida Moura (pedagogas) e Antônio Carlos Egypto (acadêmico de Ciências Sociais), todos voluntários.
O META propunha-se a ampliar os trabalhos comunitários do Experimental numa faixa que até então não era atendida, a dos adolescentes da comunidade, pois até então o Ginásio Experimental, apesar de já ser discutido, ainda não existia.
A primeira atividade colocada em ação pelo META, foi um Programa de Férias, durante duas ou três semanas, nas férias escolares de janeiro, oferecendo atividades esportivas, sociais e culturais para jovens de 14 a 18 anos. Esse programa expandiu-se para “Orientação do Lazer”, onde adolescentes reuniam-se todos os sábados das 15 às 19 horas no Experimental, divididos em Clubes por faixas etárias ou de interesses. Cada Clube tinha um coordenador, vice-coordenador e um técnico como orientador, planejavam suas atividades para os sábados, como por exemplo: esportes, rodas de violão, debates, bailes, idas ao cinema e teatro (no caso em horário diferentes), etc. Acontece que uma das idéias para a Associação de Ex-Alunos era justamente se reunir nos horários ociosos da Escola, para as suas atividades.
D.Therezinha viaja para os Estados Unidos em data que englobava a reunião de ex-alunos. Deixou uma professora encarregada de juntamente comigo organizar a reunião. Dona Diva Sgueglia permanece na direção da Escola, e usando o pretexto de que a Associação de Ex-Alunos iria de encontro aos objetivos e a utilização da Escola pelo META, praticamente suspendeu a reunião momentos antes dela acontecer, a sensação de frustração e trabalho perdido foi enorme.
Em seu regresso, Dona Therezinha propôs que o META expandisse o atendimento anterior dado a adolescentes de 14 a 18 anos, para jovens de 11 a 18 anos e englobasse assim o pequeno grupo de ex-alunos que havia comparecido à frustrada reunião.
O META através da sua programação de Orientação de Lazer, e depois ampliada com Cursos para Adolescentes, com palestras e debates sobre os problemas enfrentados pelos jovens, e Estudo Dirigido, que procurava fazer com que o adolescente criasse métodos próprios de estudos, ajudou-me a enfrentar a traumática fase da adolescência, agravada por conflitos familiares.
Foi com o META que aprendi o que era um debate, a deixar minha timidez de lado e expor minhas idéias, voltei a cantar em rodas de violão, a conseguir amigos, a participar de bailes e programar o meu lazer. Foi também graças ao META que adquiri o gosto pela Música Popular Brasileira, a freqüentar teatros e a discutir assuntos que de alguma maneira afetavam a nossa fase.
Em 1968, o prédio do Experimental entra em reforma e não há espaço para o META continuar suas atividades. Isso, aliado a uma necessidade de sobrevivência dos técnicos, fez com que fosse feita uma experiência de se conseguir uma sede própria onde o META pudesse ampliar suas atividades, e sem abandonar sua antiga sede, constituir-se em uma instituição ligada, mais independente do Experimental. Foi alugado um pequeno sobrado na Rua Clélia, a duas quadras da Escola. Para obtenção de fundos foi criada uma associação de sócios mantenedores. Agora tínhamos uma sede própria, podíamos ter atividades durante a semana toda.
Mas, a casa pequena, os problemas para mantê-la, a ausência de quadra de esportes e as dificuldades financeiras para o pagamento do aluguel e de um pró- labore que proporcionasse aos seus técnicos a dedicação necessária, fizeram com que o mesmo encerrasse suas atividades no início de 1969. Os técnicos, que trabalhavam com a Orientação ao Lazer, transferiram-se para a Colméia – Instituição a Serviço da Juventude, até hoje existente e fundada pela educadora professora
Marina Cintra. A Colméia trabalhava praticamente nos mesmos moldes que o META, e eu junto com mais três ou quatro amigos também nos transferimos para lá.
Quanto ao Colégio Campos Salles, para onde me transferi em 1967, nada digno de nota a relatar. A única observação a ser feita era que era um colégio tradicional, e as aulas de desenho eram aulas de Desenho Geométrico.
Como comecei a trabalhar, e estudar a noite, a vantagem era que tinha algumas horas livres entre a saída do trabalho e o início das aulas, e assim tinha tempo para voltar ao Experimental e freqüentar também as atividades do META.
Em 1967 consegui meu primeiro emprego como contínuo, no Banco Sotto Maior, que na época era associado ao grupo Banco Nacional de Minas Gerais, posteriormente Banco Nacional, hoje extinto.
Foi Therezinha Fram quem me apresentou para fazer os testes e consegui. Trabalhava das 8 às 14h00min horas e, corria, como já foi dito, para o Experimental; a partir de 1967 esse tempo foi dividido com o META.
Vivíamos desde 1964 uma Ditadura Militar no Brasil, da qual muito pouco sabia ou tinha consciência. Mas, por outro lado, a repressão e a censura levavam a um desenvolvimento das Artes que trabalhavam basicamente por metáforas. Sem dúvida, foi à época mais fértil de desenvolvimento cultural que já vivi.
E o META ensinou-me a ver e entender toda essa efervescência cultural. ‘Nunca havia ido a um teatro, e fui pela primeira vez através do META, em 1966, aos quatorze anos de idade. A primeira peça que assisti foi O & A de Roberto Freire montado pelo TUCA – Teatro da Universidade Católica. Tenho que confessar que foi difícil entender a mensagem que o autor queria passar. Assisti à peça três vezes, seguida de debates, antes de começar a compreender alguma coisa.
Foi, portanto o META que me iniciou na paixão pelo teatro. Assisti a montagens memoráveis: “I Feira Paulista de Opinião”, “Cordélia Brasil” de Antonio Bivar, “Dois Perdidos numa Noite Suja” de Plínio Marcos, “Missa Leiga”, “O Balcão”, “Galileu Galilei”, entre várias outras.
Um dos meus orientadores do Grupo de Jovens, Antonio Carlos Egypto, na época acadêmico de Ciências Sociais na USP, e muito engajado no movimento estudantil, era apaixonado por Música Popular Brasileira e através dele, e com a
ajuda das rodas de violão, lideradas por Marga Moura, outra técnica do META , e que anos mais tarde viria a tornar-se esposa do Egypto, é que iniciei contato com a Música Popular Brasileira, e, acabei me apaixonando por ela também, numa época que a juventude curtia Beatles e os Rolling Stones e a “Jovem Guarda” era liderada por Roberto Carlos.
Acompanhei todos os memoráveis Festivais da Música Popular Brasileira. Vi nascer astros como: Ellis Regina, Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Gal Costa, Maria Bethânia, e tantos outros. Tive o privilégio de torcer pela “Banda” de Chico Buarque, interpretada por Nara Leão; “Disparada” de Théo de Barros e Geraldo Vandré, “Domingo no Parque” de Gilberto Gil e “Pra não dizer que não falei das flores” (Caminhando) de Vandré.