6. Findings
6.1 Research question one: Describe the Norwegian literacy events of Somali women
6.1.4 Literacy events in other languages
Elucidado que a crise na rede pública de saúde não é uma questão recente, mas sim que se arrasta ao longo dos séculos (Polignano, 2009), cabe uma observação quanto ao fato do porque recentemente essa se tornou uma das temáticas mais debatidas, seja na mídia ou até mesmo em instâncias acadêmicas.
Assim posto, tomemos como marco temporal o ano de 2012, período em que se realiza pesquisa de campo etnográfica para obtenção de dados dessa pesquisa, e também ano em que a Campanha da Fraternidade, uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) colocou o tópico da crise em evidência, visando propor reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil.
Sob o tema de “Fraternidade e saúde pública” e lema de “Que a saúde se difunda sobre a terra”, a campanha lançada em 22 de fevereiro de 2012 apresentou como objetivo geral ampla discussão sobre a realidade da saúde no Brasil e das políticas públicas da área de modo a contribuir na qualificação, no fortalecimento e na consolidação do SUS, tendo em vista a melhoria da qualidade dos serviços, do acesso e da vida da população17.
Reconhecendo melhorias nos indicadores da saúde, essa campanha trouxe a tona em caráter mais amplo, sobretudo, as camadas populares a que geralmente se destina, o fato de que apesar dos constantes investimentos na área da saúde pública e melhorias no quadro geral das problemáticas da população brasileira, ainda existem cerca de 16 milhões de pessoas na faixa da pobreza absoluta, que a poluição da água e ar das cidades e os estresses afetam constantemente a população que, apesar de ter seus direitos assegurados pela Constituição Nacional, longe estão de gozar dos plenos direitos de acesso aos serviços públicos de saúde, diante dos diversos problemas que o Sistema apresenta.
Entre esses problemas, pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre a saúde brasileira, aponta que para 58,1% dos entrevistados que utilizaram ou acompanharam alguém no SUS sinalizaram a falta de médico como o principal problema, seguido da demora no atendimento nos postos de saúde, centros de saúde e hospitais com
17
Para maiores informações sobre esses objetivos ver texto base Campanha da Fraternidade 2012 em HTTP://www.paulus.com.br/appendix/2845.pdf.
percentual de 35,4. Soma-se ainda a demora em agendamentos de consulta com especialistas, 33,8%18.
Na mídia em geral, os principais pontos da crise constatados e divulgados são as filas freqüentes de pacientes nos serviços de saúde; falta de leitos hospitalares para atender a demanda da população; escassez de recursos financeiros, materiais e humanos para manter os serviços de saúde operando com eficiência e eficácia; atraso no repasse dos pagamentos do Ministério da Saúde para os serviços conveniados; baixos valores pagos pelo SUS aos diversos procedimentos médico-hospitalares e denúncias de abusos cometidos pelos planos privados e pelos seguros de saúde.
Assim resumidos, esses aspectos já nos apontam que há uma grande diversidade de temas de relativa importância de debate e cujas justificativas de interesse inicialmente estão atrelados a um processo de humanização em amplas esferas e não só da saúde, que por sua vez acaba por tomar a situação vexatória por que passam os sujeitos em busca de um direito constituído, como algo que exige um posicionamento ou gera discursos inflamados como o do Deputado Federal Almeida Lima do PPS_SE em entrevista concedida ao Diário de Cuiabá: “É desgastante ver essas macabras cenas de seres humanos sendo tratados com menoscabo e com viés político. Eis que é passado a hora de algo ser feito”.
Todavia como exposto anteriormente e reiterada pelo posicionamento acima exemplificado, o funcionamento da saúde está atrelado a outras instâncias que interferem não só no seu funcionamento, mas também no interesse a que lhe é dedicado. Inclusive estudiosos apontam que a preocupação com a crise na saúde é na verdade, resultado de uma ênfase econômica em que a saúde passa de atividade alocada no campo do social, reservada a proteção do corpo sadio ou recuperação e reabilitação de doenças e lesões, para um dos setores que mais se modificou.
Num momento da história da humanidade em que o setor terciário da economia é o que mais tem crescido enquanto processo de acumulação, a área da saúde é de todas a mais dinâmica seja pela incorporação tecnológica desabrida ou pela mudança substancial dos processos de gestão das atividades do setor (CARVALHEIRO, 1999).
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Dados apresentados em 09/02/2011 em diversos veículos de mídia e acessado na mesma data em http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/02/09/para-285-dos-brasileiros-servicos-do-sus- sao-ruins-ou-muito-ruins.jhtm.
Historicamente caracterizado pela excessiva fragmentação e especialização das práticas de saúde e pelo predomínio da assistência curativa e de âmbito hospitalar, passa-se a ênfase nos procedimentos de alto custo (SENNA; COSTA E SILVA, 2010).
O fato incontestável nesse processo é que as grandes transformações globais marcadas, sobretudo, pelas crises em amplos setores quais sejam eles, econômico, social, político, ambiental, ético etc., trazendo à tona as iniquidades dos seus respectivos sistemas exige um redirecionamento das prioridades, na qual dentro do território brasileiro no ano de 2012 notam-se a crise da saúde como foco, ao menos no que toca a repercussão:
Crise na saúde foi destaque no ano de 2012 em Dourados: Praticamente a beira do colapso, a saúde pública de Dourados passou por diversas crises no ano que terminou. Dourados pecou no atendimento à saúde e durante o ano de 2012 vários foram os problemas nos postos de saúde e hospitais públicos, com destaque ao Hospital da Vida, que mantém pacientes nos corredores e não oferece condições adequadas de trabalho aos profissionais que lá atuam, conforme já divulgado pela imprensa, denúncia da própria direção clínica da unidade. Matéria publicada em 05/01/2013 no site http://www.94fmdourados.com.br.
Sindicato dos Médicos diz que crise na saúde é geral nos municípios fluminenses: “O que leva a uma situação de perplexidade entre nós da sociedade, e do sindicato dos médicos em particular, é esse discurso uniforme dos novos prefeitos de reconhecer a crise do setor de saúde em suas cidades. Se por um lado isso é positivo: um novo governo já assumindo reconhecendo uma situação de calamidade, por outro é preciso que esses discursos tenham como contrapartida ações governamentais que venham a transformar, de fato, a situação da rede de saúde, dando-lhe condições de atender bem a população” Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro em 02/01/13 Portal EBC
Crise na Saúde - greve de servidores prejudica população de SC: O impasse entre funcionários públicos e o governo já dura mais de 50 dias, deixando os pacientes sem atendimento adequado. Além das longas filas, a população sofre com a precariedade dos serviços. As cirurgias eletivas, que não são emergenciais, foram canceladas em todos os hospitais estaduais. Matéria Publicada no Portal R7.com em 14/12/12.
Saúde de São Luís em crise: A crise no sistema de saúde de São Luís, evidenciada desde o último fim de semana pela falta de alimentação e medicamentos no Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, repercutiu fortemente em toda a sociedade. A reação unânime dos cidadãos confrontados com fato tão grave foi de indignação. O Estado, 07/ 11/12
Crise nas Santas Casas prejudica atendimento na região noroeste, SP: Em Votuporanga (SP), Santa Casa teve de fechar setor de neurocirurgia. Já em Jales, a dívida acumulada chega a ser de R$ 2 milhões. Portal G1 em: 24 jul. 2012.
Diante do exposto, cabe afirmar que a situação de crise na saúde é grave, espalha-se por todo território e é resultado de contextos sociopolíticoeconômicos cujas mazelas, reforçadas pela má assistência e precariedade dos serviços de saúde, se refletem enfaticamente no Estado do Rio Grande do Norte, como veremos a seguir.