4 Architectural Design
4.3 Design Decisions from Goals and Requirements
4.3.8 Solving Privacy Requirements
cumplicidade e ou afinidade irrestrita, mas principalmente na construção de uma relação em que o entrevistador contempla as visões de mundo dos entrevistados, defendendo suas ideologias opostas e contrastantes, o que tende a ser muito enriquecedor para a pesquisa (MEIHY, 2011).
3.2.1 História Oral de Vida
Dentre os gêneros narrativos da história oral, escolhemos para este trabalho a história oral de vida. Trata-se de narrativa com aspiração de alongado curso, daí o nome “vida”, que aborda sobre aspectos seguidos das experiências de pessoas. Neste gênero, as narrativas são decorrentes da memória, dos ajustes, contornos, derivações, impressões e até mesmo das contradições naturais das falas. Isso abre para a essência subjetiva deste gênero (MEIHY, 2011).
Ainda para Meihy (2011), a história oral de vida tem o intuito de valorizar a memória dos indivíduos, por meio da liberdade, requerida em lembrar e narrar os relatos de suas experiências. Em história oral não se procura a verdade, mas a versão sobre a moral existencial, não interessando a ordem cronológica dos fatos, mas a valorização da subjetividade dos detalhes.
Para Alberti (2007), uma das principais vantagens da história oral resulta justamente do fascínio do que foi vivido. A experiência histórica narrada deixa o passado mais concreto, tornando sedutora sua divulgação para conhecimento. A história oral, quando bem aproveitada, tem um elevado potencial de ensinamento do passado, através da experiência do outro.
3.3 Direcionamentos metodológicos
Meihy (2011) enfatiza que o tema em história oral deve sintetizar o significado da pesquisa, tem que ter uma relevância social, mas também deve assinalar para a possibilidade de políticas públicas. O tema que nos instigou para esta pesquisa contribuiu para o alcance dos objetivos propostos, pois evidencia a
comunidade de destino, a colônia a ser estudada e o gênero da história oral escolhido.
Comunidade de destino pode ser definida como grupos de pessoas que têm traços comuns, marcantes de um comportamento amplo que os caracteriza. Estas pessoas passam a ter afinidades, por ter destinos comuns, distinguidas pela repercussão dos fatos na vida comunitária (MEIHY, 2011).
A colônia é uma parte da primeira divisão da comunidade de destino, ainda que em blocos extensos. Esse bloco tem que guardar as características peculiares que justifiquem a fração menor e que mantenha uma forte ligação com o grande grupo. O conceito de colônia se liga unicamente ao fundamento da identidade cultural do grupo, formado pelos elementos vastos que marcam a identidade geral dos segmentos dispostos à análise. Essas divisões têm como objetivo a organização e condução do processo, tornando-o viável (MEIHY, 2011).
Para esse estudo, a colônia foi formada por usuários de saúde com diagnóstico de câncer e em uso de transfusão sanguínea, realizada no ambulatório do Núcleo de Hematologia e Hemoterapia (NHH), localizado na cidade do Natal/RN. Dentro da colônia é possível identificar uma unidade ainda menor que possui feições singulares, a rede. Entendendo que tais conceitos obedecem a uma hierarquia, logo a rede pode ser caracterizada como a parcela menor da comunidade de destino. A rede funciona como uma subdivisão da colônia que indica como as entrevistas devem se articular. Precisa-se ter uma atenção especial na escolha da rede, pois é neste momento que se inicia o trabalho prático.
A rede tem origem sempre no ponto zero. Meihy (2002) sugere que se defina uma entrevista que deve ser conhecida como ponto zero, e daí retirar as perguntas específicas que favorecem a continuidade das demais. A cada entrevista o colaborador deve indicar alguém para compor a rede. A vantagem dessa tática é que por ela se monta a rede de acordo com o argumento dos entrevistados, fortalecendo a razão do grupo. Sendo assim, o ponto zero de nosso estudo foi o primeiro colaborador a ser entrevistado e que aceitou participar, voluntariamente, desta pesquisa.
Na gênese deste trabalho, o interesse estava em formar a rede com doze indivíduos portadores de doenças oncológicas, submetidos, ao menos, a três
transfusões sanguíneas. A definição desse número de participantes levava à condição de se estar trabalhando com um quantitativo significativo para representar as narrativas das histórias de vida dos participantes.
A coleta dos dados dos colaboradores foi realizada através de informações contidas na ficha de atendimento ambulatorial no NHH. Para facilitar a seleção, fez-se uma planilha no Microsoft Word com todos os prováveis colaboradores e seus respectivos dados para manter contato posterior. A ficha era composta por informações como nome, endereço, diagnóstico, telefone e conduta (prescrição médica). No entanto, muitas delas não estavam preenchidas integralmente, o que dificultou, em alguns casos, o trabalho de seleção daqueles que fariam parte efetivamente do corpus da pesquisa.
Após o preenchimento da planilha, com os dados dos prováveis colaboradores, foram escolhidas cores para identificar cada um deles, facilitando o trabalho de seleção. Houve limitações relacionadas a ausência de informações, como a falta de um número de telefone para contato, imprecisões no endereço e, principalmente, ausência de um diagnóstico ou, pelo menos, uma hipótese diagnóstica da doença. Essas informações, principalmente em relação ao diagnóstico, eram de suma importância ao andamento do trabalho, pois só participariam da pesquisa usuários de saúde oncológicos.
Durante a definição dos participantes da pesquisa, ao entrar em contato com eles e, mesmo antes de explicar o objetivo do contato ou da entrevista, recebíamos a notícia de que alguns tinham ido a óbito. Consequentemente, chegamos ao término do tempo previsto no cronograma de pesquisa com cinco colaboradores, sendo esse o número com que constituímos a rede. Os colaboradores incluídos sentiram-se livres para aceitar o convite e, com disposição e voluntarismo, resolveram participar da pesquisa. Tal informação é relevante, uma vez saber-se que a participação nesse tipo de estudo deve ser feita sob uma condição ética e metodológica a qual os colaboradores estejam com as faculdades mentais resguardadas e preservadas, para que não ocorram distorções que prejudiquem a integridade de suas recordações. Portanto, daqueles doze colaboradores da amostra intencional inicial, o estudo foi realizado com cinco deles, uma vez que a definição dos sujeitos que vivenciavam o diagnóstico do câncer em
uso de transfusão sanguínea foi realizada durante o processo de busca do objeto de estudo no campo de pesquisa. E, por último, completadas as articulações das cinco narrativas, o passo seguinte se deu com a análise e interpretação dos dados, em função dos objetivos elencados.