2. LITERATURE REVIEW
2.3 P HYSICAL PROPERTIES OF AMINE SOLUTIONS
2.3.2 Solubility and diffusivity
Entendendo que os fenômenos sociais são parcialmente discursivos e com o intuito de melhor relacionar a prática social com o seu momento discursivo, Fairclough e Chouliaraki (1999) propuseram que as análises críticas de discurso fossem complementadas por métodos
etnográficos. Para eles, uma abordagem etnográfica forneceria elementos do contexto extradiscursivo que somente a análise linguística não oferece. Além disso, uma descrição mais concreta da prática social possibilita uma contextualização do discurso, de modo a fazê- lo mais compreensível, de modo a identificar o que é construído quando determinado sujeito empreende determinado discurso, a partir de certa posição e em determinada situação. É possível também identificar que orientações discursivas estão em jogo e qual a relação entre elas, se de concordância ou de tensão:
A etnografia é definida como uma tradição de pesquisa qualitativa que agrupa a análise de dados empíricos gerados e coletados sistematicamente para a pesquisa, provenientes de contextos situados e de uma variedade de métodos, embora o foco deva ser relativamente estreito em escala, envolvendo poucos grupos de indivíduos.” (RESENDE, 2008, p. 109).
Dessa maneira, uma abordagem etnográfica trata-se da utilização de diversos métodos para abordar determinado fenômeno social em suas manifestações particulares e da inscrição de dados, obtidos através desses métodos, em textos que, por sua vez, são interpretados de forma mais aprofundada. Nesta pesquisa, utilizamo-nos de entrevistas e de observação participante, para abordarmos o fenômeno de inculcação de modos de ser, de agir e de representar consonantes com o novo espírito do capitalismo, da forma como este se manifesta em práticas associativas de trabalhadores solidários da zona rural do Estado do Ceará.
A entrevista qualitativa é um instrumento eficaz para a compreensão de relações entre os atores sociais e seus contextos bem como para o entendimento das suas motivações, dos seus valores e das suas orientações (GASKELL, 2002). Como pretendemos, aqui, abordar as justificativas dos trabalhadores de empreendimentos coletivos solidários para aderirem a trabalhos vinculados à ES, ressaltando a aproximação ou distanciamento entre seus discursos e regimes de justificação hegemônicos, esse método faz-se adequado.
Para efeitos desta investigação, foram realizadas seis entrevistas com os integrantes da ACOOPAC (Associação Cooperativa dos Produtores do Assentamento Coqueirinho). Optamos pelo modelo de entrevista semi-estruturada, uma vez que nossos objetivos apontam para questões específicas, como as justificativas utilizadas por esses trabalhadores para aderirem a um formato coletivo e autogestionário de trabalho. Apesar disso, tentou-se manter a informalidade nas conversas, permitindo que os entrevistados se expressassem livremente. As entrevistas foram gravadas após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE A) e os pontos tratados foram os seguintes:
- Motivos que os (as) levaram à adesão à associação ou ao trabalho autogestionário; - Benefícios do trabalho realizado;
- Diferenças do trabalho autogestionário em relação ao trabalho assalariado; - Mudanças decorrentes da adoção desta forma alternativa de trabalho; - Dificuldades enfrentadas no trabalho;
- Capacidade de reprodução da vida gerada pelo trabalho;
- Imagem de si mesmo construída a partir da adoção do trabalho autogestionário; - Expectativas em relação ao trabalho;
- Conceito de Economia Solidária;
- Crença no poder transformador da Economia Solidária;
É importante ressaltar que as perguntas foram adaptadas a uma linguagem mais simplificada de modo a garantir o entendimento das questões pelos entrevistados que puderam se recusar a responder qualquer uma delas, no momento das entrevistas.
Já a observação participante é um método cujo objetivo é obter uma visão mais ampla, mais detalhada e mais completa de um determinado fenômeno ou circunstância bem como das reflexões que os atores sociais fazem sobre estes. Através da inserção naturalística no dia a dia dos sujeitos pesquisados, a observação participante destina-se a investigar as normas e os valores que baseiam essas práticas cotidianas, no entanto, sendo consciente de sua interferência nesta própria prática.
O pesquisador participa de uma maneira especial, enquanto as pessoas da comunidade fazem o que costumam fazer a cada dia, a menos que as incomode tanto ser observadas que decidam mudar de atividade e dedicar seu tempo para observar e interrogar o observador. (MONTERO, 2006, p. 204).
Este método foi, então, fundamental para esta pesquisa, uma vez que permitiu uma descrição detalhada da prática social, captando seus processos interativos e os consequentes processos de produção e interpretação que pressupõem. Além disso, permite identificar os aspectos discursivos do problema em questão dialeticamente relacionados aos outros momentos de forma imediata, o que dota de riqueza os elementos disponíveis para a análise. Apesar de voltar-se para o processo social particular, o método etnográfico não o concebe isoladamente de uma totalidade maior que o configura e é configurada por ele.
Ao todo, foram realizadas duas visitas ao Assentamento Coqueirinho, cada uma de duração de um final de semana; chegávamos sábado pela manhã e saíamos domingo à noite. Optamos por conviver durante certo tempo com as famílias, no intuito de podermos melhor
realizar observações participantes, compreender o modo de vida da comunidade, seus códigos linguísticos e os valores que orientam suas práticas sociais. Ficamos hospedados em um dos chalés que a associação dispõe e fazíamos refeições na casa das próprias famílias ou no restaurante comunitário. As visitas foram registradas tanto através de diários de campo como por meio de registros visuais, quando consentidos pelos sujeitos de pesquisa. As transcrições das entrevistas bem como os diários de campo foram analisados sob a ótica da Análise Crítica de Discurso e as análises articuladas com conceitos desenvolvidos pela Nova Sociologia do Capitalismo. As estratégias de análise serão mais bem discutidas posteriormente. Partiremos, agora, para a descrição do grupo pesquisado.