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KAPITTEL 3. Jula i vikingtiden

3.3 Soldyrkelse i jula

3.3.3 Solas rolle i det norrøne tidsperspektivet

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Figura 13 - Vanitas, Philippe de Champaigne, 1671

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Memória Descritiva

Uma nova forma de vivenciar o mar, enaltecendo-o e aprisionando-o num forte protector. Nele vive um gigante, duzentos e sessenta metros de altura tem. Segura uma nova cidade, uma nova vida que ora paira, ora toca na antiga cidade de Sines.

A megaestrutura circular dá vida à cidade. Oferece possibilidades de movimenta- ção e de paragem nunca antes concretizadas. Contudo, a relação que estabelece com o mar é distante. As actividades dos portos industrial e civil condicionam a cota a que se posiciona, fixando-a nos sessenta metros acima da superfície marítima. O toque no mar é feito através de dois mastros que penduram a estrutura anelar garantindo o máximo de liberdade a nível de percursos marítimos. É condição deste tipo de estruturas a construção de um grande maciço de betão que funda e protege o mastro de possíveis colisões de embarcações. Foi a reinterpretação desse objecto pesado e sereno que deu origem a este projecto. O interesse pela posição do mastro sul advém do maior isolamento em relação à cidade. Este aproxima-se do porto e das suas grandes infraestruturas, permitindo uma me- lhor integração deste projecto na sua envolvente. De forma quase renascentista, esta grande pedra artificial é aberta, perfurada e escavada para dar espaço a um programa de sa- cralização do mar. Pela necessidade da celebração da infinidade do mar em contraponto com a nossa finita condição, a concretização de um crematório tornou-se eminente.

“Memento mori” ou “Respice post te. Hominem te memento.” são expressões do latim que enfatizam a constante presença da morte nas nossas vidas. Não num sentido trágico, mas como veículo para uma maior humildade e tranquilidade em relação à vida. “Lembra- te da morte” ou “Olha para além de ti próprio. Lembra-te que és apenas um homem.”21 Eram

ideia transmitidas na Roma antiga aos generais vitoriosos quando recebiam congratulações

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de toda a população. Relembrava-os de não caírem em arrogância ou ilusões de invencibi- lidade, continuam a ser apenas homens. Esta ideia foi abordada mais recentemente por Martin Heidegger quando nos fala de “das nichts”, ou “o nada” que nos espera depois da vida. Segundo Heidegger, é de forma libertadora que devemos olhar para a nossa exis- tência, admirando-a regularmente. Ideias bem ilustradas, ainda que com mensagens díspa- res, no filme Kárhozat (Figura 15), abordando a contemplação e a inércia; e na pintura de Philippe de Champaigne (Figura 13) que representa a vida a morte e o tempo.

Heidegger recomenda-nos que visitemos mais cemitérios. O contacto com as últimas marcas físicas da existência de alguém relembra-nos do ciclo existencial de todos os seres humanos. Relembra-nos de que daqui a uns instantes, será o nosso nome gravado na pedra, deixando ao resto da humanidade a possibilidade de conhecer ou imaginar o que terão sido as nossas experiências enquanto habitantes ou cidadãos.

73 A importância de um edifício como um crematório tornou-se compreensível depois deste raciocínio. Este é o espaço onde as pessoas se transformam em memórias. O processo é longo e difícil, mas a reflexão sobre a morte não só nos prepara melhor para a presenciar como também ajuda a perspectivar a forma como vivemos a nossa vida. Por isso nunca quis que o edifício fosse exclusivo para quem acompanha uma cremação ou trabalha nos basti- dores das operações necessárias. Tal como um cemitério que nos recebe a qualquer dia, também este crematório o faz, cumprindo com a sua função social de extrema relevância.

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Desenhos Técnicos

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77 Figura 19 - Planta do piso das salas de cerimónia, cremação e áreas técnicas

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79 Figura 21 - Secção NE - SO

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Fotomontagens

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83 Figura 25 - Sala de velório

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85 Figura 27 - Sala de cerimónias

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Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,

O que fui de coração e parentesco, O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino.

O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... A que distância!...

(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa, Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa. É terem morrido todos,

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No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!... O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...