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5 On board power generation

5.2 Solar power calculation

Diante das dificuldades para o exercício da filosofia e das práticas culturais gregas, coube à escola de Atenas o papel de guardiã daquele modo de pensar, que era igualmente um modo de viver. Como bem se pode ver em Proclo ou sobre a felicidade, de Marino de Neápolis, na escola de Atenas se conservava todo o modo de vida grega através da valorização das

virtudes159. No entanto, no século VI a escola de Atenas é fechada em virtude do decreto de

Justiniano, promulgado em 529160. O decreto de Justiniano afetou profundamente as escolas de

155 “si Plotin et l’Académie ne s’ignoraient pas tout à fait, pourtant aucune influence réciproque ne s’est exercée

de l’un à l’autre.”. SAFFREY; WESTERINK, Op. Cit., 1968, p. XXXVIII. (Tradução nossa).

156 Cf. REALE, Op. cit., 2008, p. 176.

157 Cf. SILVA, Clemildo Anacleto da. O testemunho Histórico da Intolerância nos documentos relacionados aos Direitos Humanos. In: Protestantismo em Revista: Revista Eletrônica do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Protestantismo da Escola Superior de Teologia. V. 12, jan-abril de 2007. pp. 80-98. Disponível em:

http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/view/2088/2000. Acesso em: 08 de outubro de 2017. p. 84.

158 REALE, Op. cit., 2008, p. 77.

159 Como pode ser visto, por exemplo, em Proclo e de la felicidad de Marino de Neápolis.

160 “Ninguém que tenha sido contagiado por tais heresias poderá desempenhar grau no exército ou exercer ofícios

públicos, nem, na condição de professor que se ocupe de alguma disciplina (...) Proibimos que seja ensinada qualquer doutrina da parte daqueles que são afetados pela insânia dos ímpios pagãos”. JUSTINIANO. Codex

cunho pagão, de maneira que foi devido a tal decreto que a escola de Atenas foi fechada, levando alguns pensadores da Academia, como Simplício (490 – 560 d.C.) e Damascius (458

– 583 d.C) a fugirem para Pérsia161. Após a promulgação do decreto, foram proibidos os

ensinamentos das teses de Platão e Aristóteles, o que se deveu, segundo D’Ancona, ao modo

como Proclo interpretava os dois pensadores162. De forma mais específica, Proclo teria

influenciado para a promulgação do decreto devido o conteúdo das obras: Sobre a eternidade do mundo, no qual o Bizantino redigiu 18 teses contra a defesa cristã da criação, e Teologia Platônica, marcada pela presença do politeísmo.

Na escola de Atenas, ademais das práticas religiosas, bem como fizeram Plotino, Porfírio e Jâmblico, Plutarco interpretou o Parmênides de Platão. Ele o fez retomando a divisão de nove hipóstases e argumentou que o Parmênides dizia respeito aos princípios. Sua divisão segue tal exposição:

a) Deus;

b) Intelecto;

c) Alma;

d) Formas unidas a matéria;

e) Matéria.

As quatro últimas hipóteses, relativas à perspectiva da inexistência do Uno, são:

f) Ser sensível;

g) Todos os objetos do conhecimento;

h) Sonhos e sombras;

i) Tudo o que é inferior à imaginação onírica163.

Siríano, discípulo de Plutarco e mestre de Proclo, dividiu em nove hipóteses o Parmênides de Platão, seguindo o que foi estabelecido por Plutarco. Ele reconheceu e distinguiu no plano inteligível todas as classes divinas, afirmando que toda causa separada engendra uma dupla multiplicidade, uma separada e uma que é inseparável dos participantes. Ele introduziu,

Iustinianus. In: REALE, Giovanni. Plotino e o Neoplatonismo: história da filosofia grega e romana – vol. III.

Tradução de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2008 p. 206-208

161 SILVA, Francisca Galiléia da. AFLATUN: Trajetória e características de Platão na filosofia árabe. Kairós:

Revista Acadêmica da Prainha. Fortaleza. v.9, n.1. Jan-Jun: 2012. pp. 62-74. p. 66.

162D’ANCONA, Cristina. Greek into Arabic: neoplatonism in translation. In: The Cambridge companion to

Arabic Philosophy. Edited by Peter Adamson and Richaard C. Taylor. Cambridge, 2005. pp. 10-31. P. 17

ao lado do Uno, Hénadas (ἑνάδες) que constituem a multiplicidade separada juntamente ao Uno. A exposição de Siríano segue a seguinte lógica:

a) Todo primeiro deus;

b) Classe divina;

c) Almas procedentes da alma divina;

d) Seres unidos a matéria;

e) Matéria.

Segue-se, então, além de uma interpretação metafísica das hipóteses do Parmênides, uma teológica, o que corrobora com a tese da identificação da escola de Atenas com a tendência especulativa-teúrgica.

O Parmênides de Platão foi importante para o neoplatonismo por sugerir uma compreensão sistemática da doutrina platônica em torno de uma hierarquia que constitui os diversos níveis da realidade. Segundo Bezerra, há um consenso entre os historiadores da filosofia de que a leitura procleana do Parmênides de Platão é a mais sistemática e original, dado que o Bizantino não só interpreta o diálogo, como tece críticas às interpretações de seus

antecessores164. O citado estudioso afirma ainda que o objetivo de Proclo no comentário ao

Parmênides é a defesa da filiação de Platão à classe de teólogos gregos165. Neste sentido, pode-

se ver que, de fato, o neoplatonismo herdado por Proclo foi aquele iniciado por Jâmblico e levado a diante por seus mestres diretos, a saber, Plutarco e, principalmente, Siriano.

Na interpretação procleana são considerados todos os níveis do diálogo, i. é, cada cenário de encontro entre os personagens corresponderia a um grau da realidade e nível de consciência. Bezerra apresenta os quatro modos pelos quais o Bizantino entende como possíveis de transmitir os ensinamentos teológicos, quais sejam:

a) Orfismo, no qual os princípios divinos são revelados por meio de símbolos;

b) Pitagorismo, cuja ascensão ocorre por meio das matemáticas e da reminiscência;

c) Pelos mistérios ou revelação que se dá mediante iniciação e;

d) Cientificamente, identificado com a filosofia de Platão166.

164 BEZERRA, Cícero Cunha. Algumas considerações sobre a leitura procleana do Parmênides de Platão. In:

Princípios. v.11; n.15-16. ano 2010. p. 99-107. jan-dez. Disponível em: http://www.principios.cchla.ufrn.br/15- 16.html. Acesso em: 20 de Julho de 2015. p. 99.

165 Cf. Ibidem, p. 100. 166 Cf. Ibidem, p. 100.

Como herdeiro da atribuição da filiação de Platão ao Orfismo, característica da escola de Atenas, o Parmênides é tido pelo Diadoco como um meio de purificar a alma para

chegar à verdade mediante a dialética167. É em vista deste objetivo que cada personagem é

interpretado como possuidor de um papel que, de algum modo, se direciona ao personagem Parmênides.

Neste sentido, a discussão do Parmênides tem como base a necessidade de um raciocínio purificado, ou seja, de uma preparação do espírito para compreender o Uno primeiro. O diálogo, mais que uma crítica à teoria eleática, é, antes de tudo, uma exposição completa de toda a geração cósmica por meio das processões e as henadas. Para Proclo o diálogo tem na sua forma (simples e natural) a harmonia perfeita do Uno.168

Relativo às hipóteses presentes no diálogo, Bezerra defende que o Uno da primeira hipótese do Parmênides se converteu no Uno-Bem da primeira hipóstase do neoplatonismo, dado que ambos são interpretados como aquele que não-é, estando fora de

qualquer relação169. A segunda hipótese, aquela do uno que é, dá ao uno dois atributos: ser e

unidade170, o que significa que cada parte é independente, de maneira que o uno que é é múltiplo

e se converte na segunda hipóstase, no Noûs, que é marcado pela multiplicidade e pela

existência171. Já influenciado pela interpretação de Jâmblico e Siriano, Proclo não admite uma

passagem direta entre o Uno e o Noûs, ou seja, entre a unidade absolutamente simples e a multiplicidade, de modo que, como seus antecessores, postula elementos intermediários que fazem a mediação, as Hénadas.

Deste modo, vê-se que o Parmênides de Platão é central para o neoplatonismo, pois é por ele que os sistemas, desde Plotino, são divididos em hipóstases. Todavia, esta prática interpretativa e exegética dos textos platônicos deixa uma questão: seriam os neoplatônicos, principalmente os da escola de Atenas, que tinham o costume de comentar os textos de figuras como Platão, Aristóteles e mesmo dos Oráculos Caldeus, apenas exegetas? Tendo em vista que Platão era por eles concebido como a grande autoridade, seria o pensamento destes autores e, mais especificamente de Proclo, apenas uma exegese dos Diálogos? Tal tese pode ter algum respaldo na medida em que: os neoplatônicos se julgavam os mais exímios platônicos e grande

167 Cf. BEZERRA, Op. cit., 2010a, p. 101. 168 Ibidem, p. 104.

169 BEZERRA, Cícero Cunha. Unidade e Pensamento no Parmênides e nos Elementos de Teologia de Proclo. In:

ARCHAI: Revista sobre as origens do pensamento ocidental. N.5, 2010. pp. 91-104. p. 94. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/archai/article/view/1492/1120. Acessado em: 05 de Outubro de 2017.

170 Ibidem, p. 97.

parte daquilo que nos chegou, pelo menos da obra de Proclo, se refere a comentários de textos. Ademais, é válido lembrar que:

Naturalmente, em uma evolução tal que se estende ao longo de quatro ou cinco séculos, não faltaram influências laterais e secundárias que se exerceram entre estas escolas, e se tomarmos um filósofo como Proclo, vemos claramente que há nele tanto erudição escolar quanto construção especulativa, e sabemos que ele praticou a teurgia e exerceu a teoria.172

Embora o Parmênides de Platão tenha sido fundamental para o neoplatonismo,

na medida em que de suas hipóteses foram formuladas as hipóstases neoplatônicas, Proclo não deve ser considerado somente como um exegeta. Concordes com esta perspectiva, estudiosos como Rosán, ao tratar do corpus procleano, apresenta obras classificadas como originais, fazendo perceber que o Bizantino é mais que um exegeta. Proclo escreveu tratados nos quais expõe, sistematicamente, sua teoria, indicando sua compreensão da ordem do real. Dois tratados são particularmente importantes no que diz respeito à demonstração procleana da realidade: Elementos de Teologia e Teologia Platônica. Nestas obras fica evidente a preocupação do Bizantino com as questões que envolvem a relação entre unidade e multiplicidade, bem como suas implicações.

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