2.5 Technologies
2.5.1 Solar PV
A ocorrência de um AVC é o equivalente no cérebro a um EAM. Este pode ser definido
como “uma perda rápida e não convulsiva da função neurológica devido a um evento
vascular, de natureza hemorrágica ou isquémica, cuja sintomatologia dura mais de 24 horas ou quando a duração dos sintomas for menor que esse período e haja imagem radiológica
compatível com lesão tecidual” (Joaquim, Avelar, Pieiri, & Cendes, 2008). Callaway, C. W. et al. (2012) afirmam que este termo diz respeito a “um prejuízo neurológico agudo que se
segue à interrupção no fornecimento de sangue para uma área específica do cérebro”. O AVC é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em todo o mundo. De acordo com Silva, G. S., Gomes, D. L., & Massaro, A. R. (Janeiro - Março de 2005)
constitui mesmo “é a terceira causa de morte no mundo e a primeira de incapacidade”. “É
também a segunda causa mais comum de demência, a causa mais frequente de epilepsia no
idoso e uma causa frequente de depressão” (Ringleb, 2008).
“Anualmente, 15 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem um acidente vascular
cerebral. Destes, cinco milhões morrem e outro 5.000.000 ficam permanentemente
dependentes, constituindo uma responsabilidade para a família e comunidade” (WHO, The
Atlas of Heart Disease and Stroke, 2012). Assim, nos últimos tempos, esta doença tem sido reconhecida como uma emergência médica.
Quanto à fisiopatologia, o AVC pode ser classificado em isquémico, no qual há uma diminuição do fluxo sanguíneo numa determinada área cerebral devido à obstrução de um vaso sanguíneo que conduz o sangue a uma região do cérebro e hemorrágico, em que este
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défice é secundário à rutura de um vaso sanguíneo no cérebro. “O AVC isquémico é
responsável por 87% dos casos” e “o AVC hemorrágico é responsável por 13% dos casos”
(Callaway, 2012). Neste último, o tratamento fibrinolítico encontra-se contraindicado bem como deve ser evitado o uso de anticoagulantes.
Os fatores de risco atualmente conhecidos e identificados podem ser classificados em
modificáveis e não modificáveis.” Entre os modificáveis destacam-se: hipertensão arterial
sistémica, dislipidémia, obesidade, sedentarismo, dieta pobre em frutas e vegetais, além do consumo de álcool, nível socioeconómico, stress emocional e o uso de certos medicamentos, tais como os anticoncecionais. Os fatores não modificáveis são: idade, sexo, etnia ou raça, história familiar ou hereditariedade” (WHO, The Atlas of Heart Disease and Stroke, 2012).
No que diz respeito à prevenção primária desta doença, “um estilo de vida saudável
consistindo em abstinência tabágica, um índice de massa corporal normal-baixo, consumo moderado de álcool, exercício físico regular e dieta saudável, associa-se a uma redução de
AVC isquémico” (Ringleb, 2008).
Os sinais e sintomas de um AVC podem ser subtis. “O quadro clínico é bastante
variado e depende da localização da lesão e da artéria comprometida” (Joaquim, Avelar, Pieiri, & Cendes, 2008). Estas manifestações clínicas incluem:
Fraqueza súbita ou entorpecimento da face, braço ou perna, especialmente num dos
lados do corpo,
Confusão súbita,
Dificuldade para falar ou compreender (afasia de expressão ou de compreensão), Dificuldade súbita para ver com um ou com os dois olhos (anopsia uni ou bilateral), Anisocoria, respiração difícil, taquicardia, convulsão,
Dificuldade súbita para caminhar por diminuição da sensibilidade ou perda da
capacidade motora (parésia ou plegia associada),
Tonturas ou perda de equilíbrio ou da coordenação, Cefaleia súbita e intensa de causa desconhecida.
Estes episódios podem ser súbitos e fugazes (com recuperação espontânea, assumindo, neste caso concreto, a designação de AVC isquémico transitório) ou mais graves confirmando a extensão do comprometimento cerebral.
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(CPSS) (figura 9) que constitui uma ferramenta de avaliação neurológica extra-hospitalar validada e resumida que permite identificar um AVC tendo por base 3 achados físicos:
Paralisia facial (que pode verificar-se por exemplo, através do desvio da comissura
labial para o lado afetado),
Queda do braço, Fala anormal.
“Usando a CPSS, o pessoal médico pode avaliar o paciente em menos de um minuto”
(Callaway, 2012).
Figura 9: Escala Pré-hospitalar de Cincinnati para diagnóstico de AVC (Callaway, 2012).
“O tratamento de
emergência dos doentes com AVC agudo depende de uma cadeia com quatro elos:
Reconhecimento
rápido e reação aos sinais de AVC e AIT,
Contacto de imediato com o SEM e prioridade no envio de socorro pelos Serviços de
Emergência Médica,
Transporte prioritário com notificação do hospital que recebe o doente,
No hospital que recebe o doente, triagem imediata no serviço de urgência, avaliação
clínica, laboratorial e de imagem, diagnóstico preciso e administração do tratamento
apropriado” (Ringleb, 2008)
Assim, o médico dentista deve efetuar um diagnóstico e encaminhamento do paciente com AVC para o hospital o mais velozmente possível. É igualmente importante definir temporalmente qual o momento em que o doente se encontrava sem défices neurológicos. Esse instante representa o tempo zero e pode ser determinante para a seleção das medidas terapêuticas hospitalares a adotar.
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intracraniana incluem elevar a cabeceira em 30°, evitar estímulos dolorosos, aliviar a dor e
normalizar a temperatura corporal” (Silva, Gomes, & Massaro, 2005), bem como
tranquilizar o paciente mantendo-o em repouso, monitorizar os sinais vitais, avaliar o estado de consciência e manter o doente aquecido devem ser prontamente providenciadas
pelo médico dentista e sua restante equipa médica. Para além disso, “o paciente com AVC
agudo está sob risco de comprometimento respiratório devido à aspiração, à obstrução das vias aéreas superiores, à hipoventilação e (raramente) ao edema pulmonar neurogénico. A combinação de perfusão deficiente e hipoxemia exacerbará e ampliará a lesão cerebral
isquémica e está associada a um pior resultado do AVC” (Callaway, 2012). Deste modo,
preconiza-se que deve ser fornecido oxigénio suplementar a todos os pacientes com suspeita de AVC que apresentem oximetria inferior a 94% ou com saturação desconhecida. O grande objetivo do todo tratamento no AVC é manter a menor área cerebral possível de enfarte permanente, impedindo que as áreas de isquémia cerebral reversível na penumbra se transformem em áreas maiores de enfarte cerebral irreversível, minimizando sequelas.