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2   Theoretical  background

2.6   Soiling

processos que lhe dão determinada configuração.

A partir da análise das entrevistas, pois os questionários não foram capazes de responder à questão, fica claro identificar a natureza da avaliação que os sujeitos realizam em função dos relatos apresentados pelos professores. Neste sentido, gostaria de destacar a fala da professora Maria Júlia quando afirma que:

Freqüentemente a avaliação feita pelo professor se fundamenta na fragmentação do processo ensino-aprendizagem e na classificação das respostas de seus alunos, a partir de um padrão predeterminado, relacionando a diferença ao erro e a semelhança ao acerto... Saber e não-saber, acerto e erro, positivo e negativo, semelhança e diferença são entendidos como opostos e como excludentes, instituindo fronteiras que rompem laços, delimitam espaços, isolam territórios, impedem o diálogo, enfim, demarcam nossa interpretação do contexto e tornam opacas as lentes de que dispomos para realizar leituras do real. A avaliação escolar, nesta perspectiva excludente, silencia as pessoas, suas culturas e seus processos de construção de conhecimentos; desvalorizando saberes fortalece a hierarquia

161 A palavra tradição vem do latim: traditio. O verbo é tradire, e significa precipuamente entregar, designa o ato de passar algo para outra pessoa, ou de passar de uma geração para a outra geração. Em segundo lugar, os dicionaristas referem a relação do verbo tradire com o conhecimento oral e escrito. Isto quer dizer que, através da tradição, algo é dito e o dito é entregue de geração a geração. Bornheim, Gerd A., Conceito de tradição in Cultura brasileira: tradição/contradição, p.18.

que está posta, contribuindo para que diversos saberes sejam apagados, percam sua existência e se confirmem como a ausência de conhecimento.

Ver a avaliação como instrumento de formação e mediação do aprendizado não é comum no sistema de ensino, da escola básica à universidade. Porém, a prática que o professor leva para a sala de aula é aquela que lhe é transmitida ao longo de sua historicidade como aluno. Como o sistema de ensino faz uso dos instrumentos de avaliação de maneira a medir o aluno, nada mais natural que o professor também o faça. A formação do professor traz embutido um enorme tecnicismo. Sendo assim, a avaliação é vista como objeto e produto final do processo de ensino-aprendizagem. Esta visão de avaliação presente em diversos relatos destaca-se nas palavras do professor Seiji.

Ao iniciar a carreira docente em 1993, na rede pública estadual de ensino, já graduado em Tecnologia Mecânica (iniciei as licenciaturas somente em 1995), trazia comigo somente os modelos de avaliação provenientes da minha experiência como aluno. Dessa forma, meramente reproduzia as práticas a nós aplicadas ao longo dos anos, por nossos professores, sem reflexões mais aprofundadas, entendendo a avaliação não como processo, mas como produto. Dessa forma, a avaliação dentro de cada etapa encerrada tinha um caráter predominantemente classificatório e quantitativo.

Além disso, a avaliação não é vista somente como um instrumento de exclusão ou produto final de um processo. A fala do professor Marcelo aponta uma visão de educação que ainda se advoga nos dias de hoje.

Tudo era feito para obrigar o aluno a estudar. Os instrumentos utilizados eram uma forma de manter a ordem e exigir estudo do aluno. Estudando, o aluno aprenderia e prestaria atenção nas aulas. Assim não tínhamos uma avaliação verdadeira, mas um instrumento de coação.

O processo de reflexão por parte dos professores busca perceber de que maneira o aluno aprende, possibilitando a instituição de uma relação de cumplicidade e troca. Esta relação não subtrai autoridade do professor, pois ela hoje pode ser construída a partir de bases sólidas, tais como: confiança, respeito, amizade, conhecimento, e não a partir de um conjunto de estruturas de coação e repressão, maneira pela qual se instituía no passado a autoridade do professor.

Devido ao processo de reflexão e busca de novos caminhos, constato na fala dos professores entrevistados que mudanças envolvem perdas e ganhos, porém os ganhos ao longo do tempo se mostram maiores que as perdas. Acredito ser a avaliação, como aponta também a professora Maria Júlia, uma “atitude” tomada pelas partes, professor e aluno, que busca perceber na construção do conhecimento o caminho da mediação entre o que se estipula como meta, objetivo, e aquilo que realmente pode e se deseja almejar.

A avaliação é uma atitude constante em todo trabalho planejado. É a constatação da correspondência entre a proposta de trabalho e sua consecução. Todo trabalho realizado com o aluno é em potencial um instrumento de avaliação: provas, trabalhos de pesquisa, listas de exercícios (individuais ou em grupo), entre outros, devem avaliar os conteúdos e habilidades de forma clara e inteligível. Os instrumentos devem avaliar o aluno passo a passo, de forma contínua. São igualmente importantes a auto-avaliação e a avaliação formativa. Toda proposta deve levar o aluno a estar em contato com a construção do conhecimento. Os instrumentos devem avaliar o raciocínio e a criatividade do aluno.

Os relatos a seguir, do professor Marcelo e da professora Maria Júlia, são esclarecedores e indicam que as mudanças também possibilitam a reelaboração dos processos de ensino-aprendizagem e uma mudança na atitude do professor. O professor passa a observar seu aluno mais atentamente, ao perceber por quais caminhos este aprende, podendo desta maneira orientar o trabalho a ser feito.

Hoje em dia a visão de avaliação tem sido modificada, ela deve ser formativa, deve considerar os diversos aspectos da aprendizagem do aluno e não se restringir à avaliações finais. Ela não deve ter como foco classificar os alunos, mas verificar onde estão as falhas no ensino ou na aprendizagem para que o professor possa retomar seus procedimentos e administrar situações de aprendizagem cada vez mais eficazes. (Marcelo)

O que mudou foi a minha maneira de olhar para o aluno: tento ser menos rígida, em termos do que ele consegue, de fato, explicitar, e considerar, também, os indícios, o que o aluno demonstra saber no decorrer das aulas, mas que o nervosismo da hora da prova o impede de registrar. (Maria Júlia)

O professor, quando lhe é possível, em suas reflexões, identifica a natureza da avaliação e acredita na possibilidade de transformação e na viabilidade da proposta de fazer uso de instrumentos de avaliação na intermediação e mediação da formação dos

processos e metodologias de ensino, pois reconhece suas características, fenômenos e processos que lhe são particulares. Porém, sem condições e sem apoio necessário para realizar tal empreitada, ainda é mais fácil culpar o sistema que assumir a responsabilidade pela mudança.

Questão 2 - Dar significado às representações dos sujeitos, entendidos