Com o objetivo de verificar se os instrumentos apresentavam-se de forma clara e objetiva todos foram submetidos à pré-teste.
O instrumento para a coleta de dados dos EA/I foi testado em estudo semelhante realizado em Unidade de Terapia Intensiva do mesmo Hospital, no ano de 2009, do qual participaram uma amostra de cerca de 200 pacientes (75). Os instrumentos mostraram-se satisfatórios para a coleta de dados.
Para os instrumentos de coleta da equipe de enfermagem o pré-teste teve a participação de cinco enfermeiros e duas técnicas de enfermagem atuantes em UTI que não fizeram parte da população alvo do estudo.
Os dados demográficos e escalas estresse, coping e burnout foram entregues dentro de um envelope aos participantes do pré-teste, sendo-lhes esclarecidos os objetivos do pré-teste e da pesquisa. Posteriormente, agendou-se com esses sujeitos o dia para recolhimento dos instrumentos, observando-se um intervalo mínimo para preenchimento de três a cinco dias.
As sugestões dos participantes do pré-teste foram analisadas, aceitas e incorporadas aos dados biossociais.
O tempo médio para o preenchimento, segundo os participantes, foi de 20 minutos.
4.5.2.2 Implantação do NAS nas UTI do estudo
O treinamento para implantação do NAS no ICHC aconteceu em algumas fases. A primeira etapa iniciou em junho de 2011, com treinamento conjunto de todos os enfermeiros das UTI em relação à apresentação do instrumento, objetivos, método de utilização e esclarecimento de dúvidas.
Em agosto de 2011, para maior efetividade do processo, iniciou o treinamento individualizado de cada enfermeiro das UTI, na própria unidade, diariamente, durante o horário do trabalho e em todos os turnos (manhã, tarde e noite). No início, foram utilizados impressos do NAS (Anexo B) e, posteriormente, utilização de planilhas do NAS em Excel®. A cada enfermeiro foram sanadas as dúvidas na aplicação do instrumento e propostos casos para apoiar o processo de aprendizagem. Este processo teve duração de três meses.
Em janeiro de 2012 foram coletados dados preliminares dos pacientes internados em nove UTI adulto do Hospital das Clínicas para avaliação geral do perfil das unidades e devolutiva aos enfermeiros da instituição em março de 2012.
Em fevereiro de 2012, foi realizado um teste de concordância, em três dias consecutivos de coleta dos dados. Foi coletada uma amostra de 116 pacientes. O teste aconteceu por meio da coleta do NAS realizada por dois enfermeiros especialistas, chamados padrão-ouro. Posteriormente, os enfermeiros copiaram o NAS coletado pelos enfermeiros de cada UTI, nos respectivos dias de estudo. O resultado do teste de concordância apresentou correlação significativa, porém baixa. Houve baixa concordância nos itens que apresentaram subitens, e a diferença entre as médias dos enfermeiros das UTI e enfermeiros padrão-ouro foi de 8,9%.
Novos treinamentos foram realizados, de março a julho de 2012. Paralelamente, os pesquisadores realizaram avaliação e treinamento da utilização do NAS sistematizado, juntamente com a elaboração de um Manual de Utilização do NAS. Em agosto de 2012, o software NAS foi implantado nas unidades.
Durante mês de agosto de 2012, os enfermeiros foram treinados para a utilização do software NAS em suas respectivas unidades. A partir de setembro do mesmo ano, o NAS estava implantado nas UTI do ICHC.
4.5.2.3 Armazenamento e organização dos dados
Para o armazenamento e organização dos dados foi desenvolvido e implementado por um especialista em Tecnologia da Informação (TI) um sistema em C# (C-Sharp) com um banco de dados SQL (Structured Query Language ou Linguagem de Consulta Estruturada), alocado em um servidor de banco de dados da EEUSP.
Denominado Universal, o sistema serve para organizar o armazenamento dos dados e foi elaborado a partir do formulário impresso utilizado no estudo que incluiu informações sobre a Identificação do paciente; Dados de admissão; Parâmetros de Gravidade; Intervenções terapêuticas; EA/I, acrescido da prescrição medicamentosa e exames laboratoriais. Cada analista teve instalado esse sistema em seu computador pessoal e o acesso ao banco de dados ocorreu através da Internet.
Para o uso do sistema, os analistas foram previamente treinados pelo especialista em TI e por dois pesquisadores supervisores de coleta.
4.5.2.4 Identificação e análise dos EA/I
Com o objetivo de identificar e analisar os EA/I nos prontuários, uma equipe de analistas, composta por 8 enfermeiros, foi treinada antes do início da coleta de dados. Além disso, durante todo o período de análise, o pesquisador mais dois enfermeiros experientes em cuidados intensivos estiveram disponíveis para sanar eventuais dúvidas durante o processo de classificação.
Para uniformizar a identificação e classificação dos EA/I entre os analistas foi elaborado um manual com a descrição e classificação das principais situações e EA/I possíveis. Também, sempre que necessário, foram realizadas reuniões presenciais ou à distância para minimizar as diferenças nas interpretações dos achados e estabelecer consensos sobre os diferentes tipos de EA/I que ocorreram.
Cada analista recebeu um conjunto de prontuários digitalizados no formato PDF com a adenda de internação, evolução da UTI, anotação de enfermagem, prescrição de enfermagem, prescrição medicamentosa e interconsulta. A digitalização foi realizada por 14 monitores, técnicos do Departamento de Arquivo Médico (DAM) da instituição, devidamente autorizados, nas dependências desse setor e nas próprias UTI. O grupo de digitalizadores foi treinado quanto às partes dos prontuários a serem digitalizados e sua qualidade, visando a posterior análise. Esse processo permitiu a distribuição dos prontuários para os analistas realizarem a coleta de dados referentes aos pacientes e identificação e classificação dos EA/I.
4.5.2.5 Coleta de dados referentes à equipe de enfermagem
Os dados biossociais e características do trabalho dos profissionais de enfermagem foram obtidos por meio do preenchimento de instrumento específico entregue para a avaliação do estresse, coping, burnout e lista de sinais e sintomas de estresse.
Os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem responderam ao instrumento na própria unidade, durante o período de trabalho, geralmente na sala da chefia de enfermagem ou outro ambiente mais clamo e silencioso possível. Os grupos foram organizados pelos enfermeiros chefes, em horário de menor volume de atividades na unidade e foram acompanhados por um dos pesquisadores responsáveis que distribuía os instrumentos, bem como esclarecia os objetivos da pesquisa, assegurava o sigilo e anonimato das informações colhidas, bem como o esclarecimento dos riscos e benefícios da pesquisa. O tempo médio de preenchimento foi de uma hora.
Do total de instrumentos distribuídos, 100 enfermeiros, 37 técnicos e 150 auxiliares de enfermagem retornaram respondidos. Houve recusa da participação de dois enfermeiros e 15 técnicos de enfermagem. Os instrumentos foram respondidos na própria UTI durante o período de trabalho, no mês de outubro.
4.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO E ANÁLISE DOS DADOS