6. Summary and conclusion ....... .... O........00.O
6.2 Sociodemographic determinants of third births in the
[...] dos primeiros dias de 1915 o número até então espantoso de construções caiu quase que verticalmente para as proximidades do zero. Somente depois de 1918 é que as estatísticas apresentam uma reação e a quantidade de novas obras passa a crescer (LEMOS, 1999, p. 63).
Com a Primeira Guerra Mundial em 1914, a Europa deixou de importar para o Brasil não só as quinquilharias, mas todo o material usado na construção civil, desde pequenas coisas como pregos, colas, parafusos, até as telhas de Marselha, talvez não viessem a areia, a cal e os tijolos. Tudo vinha da Europa em troca de navios abarrotados de café.
Com a interrupção brusca das importações e a falta de indústrias aptas para a fabricação destes produtos, o Brasil parou de construir, mas logo se voltou para as importações americanas.
A partir deste momento a influência americana mudou aos poucos até as nomenclaturas francesas usadas para dar nomes aos espaços domésticos, alterando para o inglês denominações como living, halls, bou, windows, toilets,
kitchenette, entre outros.
A arquitetura não era mais a mesma, principalmente pela falta de muitos materiais que não eram usados pelos Estados Unidos.
Devido aos produtos que faltava para a construção, a arquitetura não retomou à antiga dita tradicionalista.
O neocolonialismo nasceu neste período. Este estilo, caracterizado por meia dúzia de soluções inspiradas no passado, popularizou-se na década de 20. Os novos modos de ocupação do lote contribuíram muito para que isso ocorresse, pois neste período as prefeituras passaram a exigir recuos laterais e frontais.
Quanto à planta, a casa neocolonial foi muito ligada à moradia de inspiração francesa (sistema de circulação e zoneamento já mencionados).
Todas essas casas da década de 20 definiram melhor e elegeram uma dependência como área de estar por excelência da família: a copa. A copa dessas casas „francesas‟ converteu a velha varanda, ou sala de jantar, em mero apêndice da sala de visitas e ambas tornaram-se área morta de uso esporádico. (LEMOS, 1999, p. 66).
Agora a velha varanda deu lugar à sala de jantar, que esporadicamente seria usada juntamente com a sala de visitas. Estes espaços eram ocupados por imobiliário de pouco uso, mas de grande importância, pois eram eles que davam
status para as famílias.
A copa agora substituiu a varanda, firmando-se como espaço de convivência da família, e o rádio introduzido na casa através deste espaço vem entreter os familiares à volta da mesa, tornando esta área o centro de interesse das moradias.
A edícula, que havia surgido para acomodar, no quintal, a mão-de-obra crioula ao lado das galinhas e cachorros nas casas de famílias remediadas em que estas eram empregadas, firmou-se como área de serviço e de moradia da empregada doméstica.
Abro um parêntese neste instante para chamar a atenção para um detalhe da nossa história da vida privada, que vai refletir na planta do apartamento: A edícula, neste tipo de edificação, será o quarto de empregada e o WC junto à área de serviço.
Em nosso país, a figura da empregada doméstica teve papel importante na vida privada. Muitas das transformações ocorridas nas plantas, introdução tardia de eletrodomésticos e mesmo questionamentos do papel da mulher nos serviços domésticos foram diferentes de outros países, podemos dizer até tardios, devido a esta figura presente na casa.
Na verdade, só a partir da década de 30 é que as casas da classe média passam a conhecer os primeiros eletrodomésticos facilitadores da vida das donas de casa (ou podemos dizer das empregadas). O primeiro foi o ferro elétrico de passar roupas, e quase uma década depois vieram os refrigeradores, aspiradores de pó, enceradeiras e batedeiras de bolo.
Os liquidificadores e fogões elétricos são da década de 40, porém este segundo item não emplacou (mais uma vez devido à presença da empregada). A máquina de lavar roupas surgiu na década de 50. Mais tarde veio o rádio acoplado às vitrolas dominar o lazer doméstico, substituindo o piano e os outros instrumentos que dependiam da vontade de seus intérpretes.
No início dos anos 50 a televisão veio mudar a vida íntima da família, alterando a organização espacial e o relacionamento entre seus ocupantes, pois, ao contrário do rádio que podia ser ouvido de qualquer parte da casa, a televisão pedia um espaço para ser assistida e silêncio para ser ouvida. A acomodação mais apropriada foi encontrada na sala de visitas. A televisão uniu a sala de jantar à sala de estar, possibilitando enormes mudanças no mobiliário, e permitiu aos designers, aos decoradores e aos moveleiros novas concepções de projeto, visando o conforto, já que ela fixa o espectador num determinado lugar por muito tempo.
A copa, do velho rádio, centro de convívio da família, desaparece e a televisão faz surgir um novo espaço na planta, a sala de TV, voltando às salas de estar e de jantar as suas antigas funções: receber visitas.
“No início, caríssima e acessível somente aos bastante abonados – tanto que provocou o surgimento do televizinho [...] (LEMOS,1999 p.73)”. Este aparelho modificou por completo a vida privada, trouxe os vizinhos para as janelas e mais tarde quando se tornou popular não distinguiu as classes sociais, pelo contrário invadiu todos os tipos de moradia e interferiu no convívio da família. A hora de conversas e de convivência que ocorria nas varandas após o chá mate da noite à luz do lampião, ou das telenovelas dos rádios na copa, foi substituída por um aparelho que só ele fala e todos se tornam apenas ouvintes. Desta forma, para ela um espectador já basta. Então, ela invade os quartos de dormir.
Nas décadas de 80 e 90, a televisão invadiu o quarto dos jovens junto com aparelhagens de som cada vez mais sofisticadas. Na última década, este espaço recebeu mais um equipamento; o computador que veio completar este espaço, ao mesmo tempo trouxe para ele mais uma atividade, a de sala de estar virtual, já que aí os moços podem receber “seus amigos” para um bate-papo virtual.
[...] os dormitórios dos moços deverão receber um tratamento adequado com mobiliário que permita a superposição das atividades de estudo, lazer e descanso. A casa seria fragmentada em várias zonas de uso exclusivo, atreladas a uma zona de lazer e comer comunitária. (LEMOS,1999, p. 73).