4. Sample design and descriptive statistics
4.2 Sociodemographic characteristics
Nesta parte do estudo de caso, apresenta-se uma análise da empresa caso através de indicadores de desempenho baseados na literatura internacional. Esses indicadores são fixados como prova de que a empresa tem se financeirizado após a privatização. Em seguida, organiza-se um panorama das terceirizações do setor elétrico brasileiro. E, por fim, algumas considerações.
Os roteiros de análise de desempenho que foram aplicados nesta pesquisa encontram- se no Apêndice C. Eles foram retirados e adaptados do projeto enviado à FAPESP por Donadone (2008): “Novo conceito de empresa, internacionalização e financeirização estudos de caso no setor elétrico, bioenergia e eletrodoméstico de linha branca do Brasil.”
Além dos indicadores de desempenho acima referidos, foram retirados outros da obra
Financialization and Strategy: Narrative and Numbers de Froud Johal et al. (2006), a qual
traz análises das maiores firmas do Reino Unido e dos Estados Unidos, nos anos 80 até 2000. Os autores consideram que as grandes empresas têm se financeirizado com base em: (1) comparação entre o salário do CEO e o salário do trabalhador para valores reais pagos; (2) dívidas crescentes; (3) aumento do número de empregos temporários. Sendo assim, esses indicadores também foram aplicados na presente pesquisa.
Em suma, este estudo define como indicadores de desempenho: faturamento, volume de GWh (gigawatt/hora) consumido, taxa de crescimento, taxa de investimento, qualidade de energia entregue, quantidade de dividendos distribuída, valor do preço da ação preferencial, dívidas contraídas e patrimônio líquido. Além disso, indicadores utilizados para os dados de trabalhadores, foram fixados pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE.
Dados da empresa caso foram coletados de Relatórios Anuais, Relatórios da Administração, Demonstrações Financeiras Padronizadas, Formulários de Referência, todos eles retirados da página institucional da AES Eletropaulo, em Relação com Investidores. Os dados mais antigos não estavam digitalizados e foram encontrados em relatórios na Fundação da Energia e Saneamento e na biblioteca da Eletropaulo.
A empresa AES Eletropaulo tem lucros crescentes, como demonstrado na Figura 2, nos anos de 1996 até 2010, por meio de seu gráfico crescente. Entretanto, nos anos de 2001 a 2002, o chamado “apagão” resultou em uma crise de âmbito nacional, afetando o fornecimento e distribuição de energia elétrica, o que levou à necessidade de um programa de racionamento de energia por parte do Governo Federal.
Figura 2 - Lucro líquido em milhões
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
Tolmasquim (2000) comenta que entre 1990 e 2000 o consumo de energia cresceu em 49%, enquanto que a capacidade instalada foi expandida em 35%. O autor preconizava a ocorrência de uma crise energética em 2001.
Para o estudioso, essa crise energética teria como origem a falta de investimentos em geração e transmissão de energia, pois o Governo não deixou as Estatais investirem em razão de um plano de corte de gastos em 1999. Isto, somado às incertezas de um marco regulatório para o setor, fez com que as empresas privadas também não investissem na melhoria de seus serviços.
Proni e Lyrio (2005) destacam que o foco da empresa, nos anos de 2001 e 2002, era a diminuição dos custos, por isso ocorreu a falta de energia elétrica.
Na Figura 3 abaixo é possível observar que o volume de investimentos foi duplicado nos últimos cinco anos: passou de 404 milhões no ano de 2005 para 740 milhões em 2011.
Figura 3 - Investimento em milhões
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
A Figura 4 cruza os dois gráficos, de lucro e investimento, nos últimos 12 anos, e destaca que a AES Eletropaulo investiu R$4,9 bilhões frente a um lucro de 4,4 bilhões.
Figura 4 - Investimento e lucro em milhões
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
Esses investimentos foram na área de expansão do sistema. Desde o ano de 1998, foram investidos 100 km em novas Linhas de Subtransmissão; 19 novas Subestações e 1,8 milhões em novos clientes atendidos.
Figura 5 - Investimentos no primeiro semestre de 2012 (R$ milhões)
Fonte: Apresentação EXPO MONEY – AES Eletropaulo (2012).
Sobre os investimentos serem tão altos, comparados ao lucro, pode-se conferir no gráfico em forma de pizza, na Figura 5, que R$ 88 milhões (aproximadamente 25%) dos investimentos estão em serviços de manutenção. Portanto, depreende-se que a AES Eletropaulo considera manutenção como um investimento.
A Figura 6 mostra que o preço médio do MWh (R$) aumentou até o ano de 2006, e, após essa data, apresentou uma ligeira queda. Esse fato se deve a mudança na legislação para o mercado livre de energia. Segundo a Lei No 10.848, promulgada em 15 de março de 2004, a comercialização de energia elétrica passa a ser livre. Dessa forma, consumidores podem comprar energia diretamente do gerador, não sendo mais obrigados a adquirir da distribuidora que atende a sua região.
Figura 6 - Preço médio do MWh (R$)
Fonte: Elaborado pelo autor (2012).
A Figura 7 mostra a composição do preço da energia, para o melhor entendimento do porquê das variações tarifárias. Isso explica a necessidade de cada Estado ter sua precificação, com variação de taxas na geração e transmissão e, com isso, diferenças no valor da transmissão ao consumidor final.
Figura 7 - Composição do preço da energia
Para monitorar a qualidade do fornecimento de energia elétrica das distribuidoras, são utilizados os indicadores coletivos: Duração Equivalente de Continuidade - DEC e Frequência Equivalente de Continuidade – FEC. O DEC registra quantas horas em média por ano o consumidor fica sem energia elétrica, e o FEC indica em média quantas vezes em média a luz faltou para os consumidores. Esses indicadores são apurados pela própria empresa e auditados pela Agência nacional de Energia Elétrica – ANEEL.
A Figura 8 demonstra uma melhoria de qualidade de entrega de energia, pela AES Eletropaulo, ao longo dos anos.
Ano FEC DEC
1996 21,9 26,1 1997 21,7 27,2 1998 19,9 24 1999 17,6 18,8 2000 15,3 17,5 2001 14,6 16,6 2002 14,8 18,1 2003 13,1 16,7 2004 12,1 15,8 2005 12,6 16,8 2006 11,7 16,3 2007 11,7 16,1
Figura 8 - Evolução dos índices de qualidade da AES Eletropaulo
Fonte: Expo Money São Paulo (2012)
A AES Eletropaulo pratica a distribuição de dividendos sempre acima do mínimo obrigatório, o pay-out médio de 2006 até 2011 foi de 83% ao ano, e a média de dividendos desde 2006 até 2011 foi de R$ 904 milhões por ano. (EXPO MONEY, 2012)
Como determina a Figura 9, a Eletropaulo tem se notabilizado por ser uma excelente pagadora de dividendos. Em 2006, a empresa pagou 34,92% de seus lucros em dividendos;
em 2007, 100,34%; em 2008, 101,55%; e em 2009, 101,57%; e em 2010, 114,4%. (EXPO MONEY, 2012) Pay‐out 2006 34,9% 2007 100,3% 2008 101,5% 2009 101,6% 2010 114,4% 2011 54,4% 2012 25,0% 2013 25,0%
Figura 9 - Distribuição dos dividendos da AES Eletropaulo (em %)
Fonte: Expo Money São Paulo (2012)
O gráfico da variação da ELPL4, ação preferencial da AES Eletropaulo, traz a questão da queda no ano de 2011. Trata-se de uma medida das agências reguladoras para reduzir a tarifa em média de 9% ao consumidor final, e que teve como consequência queda no preço da ação da companhia. Valor da ação ELPL4 2006 9,1 2007 14 2008 11,15 2009 18,09 2010 21,59 2011 30,2 2012 16 2013 10,17 2014 6,99
Fonte: Formulário de Referência AES Eletropaulo (2014)
Sobre as dívidas da AES Eletropaulo, a empresa acaba por contrair grandes dívidas ao longo dos anos:
Emp/Fin 2006 396.635 2007 32.715 2008 50.430 2009 530.627 2010 252.668 2011 340.158 2012 85.161 2013 120.715
Figura 11 - Empréstimos e financiamentos da AES Eletropaulo (em milhões)
Fonte: Formulário de Referência AES Eletropaulo (2014)
Assim, a Figura 12, trata da queda do patrimônio líquido ao longo dos anos. O patrimônio cai em uma proporção maior que a dívida, posto que ele se refere ao que a companhia possui, após subtrair tudo o que ela teve que pagar.
Pat.Liq 2006 2.196.051 2007 3.321.788 2008 3.298.824 2009 3.281.274 2010 3.737.357 2011 4.009.711 2012 3.576.844 2013 2.829.462
Figura 12 - Patrimônio líquido da AES Eletropaulo (em milhões)