Chapter 8 – Discussion: the transformative potential of urban edible landscapes
8.1. Social relations as a multi-scalar concept
experimental da Ressacada)
A verificação da extensão da concentração dos HTPs e dos HTPvoláteis na água subterrânea é importante, pois geralmente estes parâmetros são determinados somente para contaminação por derivados de petróleo em solo. Desta forma, com a determinação dos hidrocarbonetos totais na área experimental da Ressacada será possível verificar a extensão de dissolução destes hidrocarbonetos, os quais englobam todos os constituintes do óleo diesel que podem se solubilizar para a água subterrânea. A dissolução dos HTPs e HTPvoláteis também será avaliada quanto ao possível efeito co-solvência do etanol.
As concentrações aquosas para os hidrocarbonetos totais de petróleo (HTPs) e os totais voláteis (HTPvoláteis), na fonte de diesel e diesel + etanol, estão apresentadas nas Tabelas 3 e 4 (Apêndice A). As Figuras IV.24 e IV.25 mostram a concentração destes hidrocarbonetos na água subterrânea, para o nível de 1,0m de profundidade na área experimental da Ressacada, em função do tempo.
As concentrações aquosas máximas dos HTPvoláteis (319 mg L-1, 96 mg L-1e 93 mg L-1) e HTPs (214 mg L-1, 51 mg L-1 e 40 mg L-1) observadas para os experimentos de campo foram superiores às concentrações de equilíbrio observadas em laboratório (Tabela IV.11) para o experimento na ausência de etanol, e desta forma, não representam concentrações destes hidrocarbonetos totais dissolvidos na água subterrânea. Estas concentrações máximas observadas nos dois cenários de contaminação estão representadas nos gráficos por um asterisco (Figuras IV.24 e IV.25), e foram observadas em sua maioria para o nível de 1,0m de profundidade (Tabelas 3 e 4, Apêndice A), provavelmente devido à proximidade do NAPL puro. Na prática, estas concentrações de HTPs e HTPvoláteis na subsuperfície servem para mapeamento de uma contaminação, com a determinação de pontos de maior concentração de hidrocarbonetos, até mesmo como NAPL puro (ASTM, 1994, CETESB, 2001).
FIGURA IV.24 - Concentrações aquosas para os Hidrocarbonetos Totais de Petróleo voláteis (HTPvoláteis), na fonte de diesel e diesel + etanol, no nível de 1,0 m de profundidade. *Concentrações aquosas máximas dos HTPvoláteis superiores às concentrações de equilíbrio observadas em laboratório.
FIGURA IV.25 - Concentrações aquosas para os hidrocarbonetos totais de petróleo (HTPs), na fonte de diesel e diesel + etanol, no nível de 1,0 m de profundidade. *Concentrações aquosas máximas dos HTPs superiores às concentrações de equilíbrio observadas em laboratório.
51mgL-1 26mgL-1 36mgL-1 *93mgL-1 *96mgL-1 *319mgL-1 0 100 200 300 400 0 5 10 15 20 Tempo (meses) HTP volátil, mg L
-1 Diesel + EtanolDiesel
*40mgL-1 14mgL-1 *35mgL-1 28mgL-1 *214mgL-1 *51mgL-1 0 50 100 150 200 250 0 5 10 15 20 Tempo (meses) HTP, mg L -1 Diesel Diesel + Etanol
Com exceção das concentrações acima das de equilíbrio, as maiores concentrações dissolvidas (Figuras IV.24 e IV.25) observadas para os HTPvoláteis (50 mg L-1) e para os HTPs (14 mg L-1) foram 78% e 51%, respectivamente, da concentração de equilíbrio. Isto demonstra que os HTPvoláteis ainda são os compostos que mais particionam para a água subterrânea. A seguir são apresentados cromatogramas do óleo diesel puro (Figura IV.26), e dos HTPs e HTPvoláteis particionados para a água subterrânea (Figuras IV.27 e IV.28) na fonte do experimento de diesel. Estes cromatogramas ilustrativos demonstram que, mesmo para os HTPs, os hidrocarbonetos mais leves (aparecem primeiro no cromatograma) são os mais representativos. Isto mostra que a análise dos HTPs na água não é muito importante, se comparada à maior quantidade de picos observados no cromatograma do óleo diesel puro (Figura IV.26). Vale salientar que a metodologia usada para os HTPvoláteis (Headspace) é diferente dos HTPs (Extração Líquido-Líquido), e o cromatograma dos HTPs é resultante de um fator de pré-concentração de 100 vezes, após extração com solvente.
FIGURA IV.26 - Cromatograma ilustrativo de hidrocarbonetos no óleo diesel puro
FIGURA IV.27 - Cromatograma de HTPs na fonte do experimento de diesel, para o nível de 1,0m de profundidade
FIGURA IV.28 - Cromatograma de HTPvoláteis na fonte do experimento de diesel, para o nível de 1,0m de profundidade
Os resultados apresentados para os hidrocarbonetos totais e totais voláteis do óleo diesel (Figuras IV.24 e IV.25) mostram que o efeito co-solvência do etanol não foi verificado para estes hidrocarbonetos, visto que não foi observada uma tendência de maior concentração para a fonte do experimento de diesel + etanol. Conforme foi discutido anteriormente para os hidrocarbonetos individuais, com o rápido desaparecimento do etanol da fonte do NAPL e sua baixa concentração verificada na subsuperfície nesta região, em relação ao volume que foi adicionado (20L), não foi possível observar o efeito co-solvência do etanol também para os HTPs e HTPvoláteis. A diferença observada na concentração dos HTPvoláteis e HTPs nos dois cenários de contaminação (experimento do diesel e diesel + etanol), similarmente ao comportamento dos compostos individuais, BTEX e HPAs (Figuras IV.20 e IV.21), está associada a diferenças na distribuição física do NAPL na subsuperfície (Pankow e Cherry 1996), não demonstrando estar relacionada ao efeito co-solvência do etanol.
Segundo Miller (2001) muitos estados e agências reguladoras dos EUA têm se baseado em padrões de remediação de HTPs na faixa de 10 a 10000 mg kg-1 em sítios contaminados. Hogg et al. (1994) e Miller (2001) consideraram uma concentração de TPH de 100mg Kg-1 como critério de remediação de solos contaminados por gasolina ou óleo diesel. Previamente ao processo de remediação de uma área contaminada por gasolina em um posto automotivo, Downey et al. (1994) encontraram em amostras de solo (zona insaturada) contaminadas, uma concentração de TPH de 1200 mg kg-1 e BTEX de 500 mg Kg-1. Estes resultados sugerem que geralmente valores bem maiores de TPH são encontrados em solos contaminados por derivados de petróleo, em comparação às máximas concentrações destes parâmetros observadas na água
subterrânea. Entretanto, não é recomendado se basear em concentrações de hidrocarbonetos totais para critérios de remediação, pois não fornece informação sobre o risco potencial de hidrocarbonetos individuais. Para efeito de saúde pública, deve-se basear em concentrações de compostos individuais (ASTM, 1994), sendo que estes parâmetros de hidrocarbonetos totais são interessantes somente para determinação da distribuição e pontos de maior concentração de NAPLs em sítios contaminados.
IV.5.4 - Cenários de contaminação de ambientes subterrâneos por derivados de