Addressing vulnerability through social protection and livelihood promotion
4.3 Social protection and livelihood promotion .1 Social protection
cenário apresenta, no período das precipitações de primavera, uma cultura (tomateiro) com maior extensão radical e com maiores evapotranspiração e absorção de N potenciais (Figs.
5.6 e 5.9). Figura 5.9 – Resultados do balanço hídrico dos zero aos 100 cm de profundidade, para o sistema da Horta Granja Conv.
No período das precipitações de outono encontra-se a fava ainda em fase de crescimento inicial (Fig. 5.9).
Capítulo 5. Modelação dos impactos ambientais nas Hortas Urbanas “casos de estudo
60 Balanço hídrico
A Fig. 5.10 apresenta alguns termos do BH. Também neste cenário não há evidência da ocorrência de
stress hídrico (Fig. 5.10a). A
análise comparativa com o cenário Granja Bio mostra que aqui as perdas por drenagem são superiores em resultado do maior volume de rega aplicado aliado à maior condutividade do solo (Ks = 12 cm h-1). Novamente verifica-se a ocorrência de picos de drenagem em resposta às precipitações elevadas. Novamente o armazenamento de água no solo se apresenta sempre próximo da CC, mantendo- se o potencial para drenagem.
Figura 5.10 – Resultados do balanço hídrico dos zero aos 100 cm de profundidade, para o sistema da Horta Granja Conv.
No entanto, o pico de drenagem originado com as primeiras precipitações de primavera é menor do que na Granja Bio uma vez que a cultura instalada apresenta maior profundidade radical. Com o segundo acontecimento de precipitações (outono) há uma resposta rápida da drenagem, uma vez que o solo tem baixa capacidade de retenção e a fava apresenta raízes em início de desenvolvimento. Neste caso o volume de água drenado é maior do que na Granja Bio, em resultado das propriedades hidrodinâmicas mais condutivas.
O Quadro 5.9 mostra que no total ocorreu um volume de drenagem de 300 mm para as camadas de solo abaixo da zona radical máxima, representando 26% do total das entradas (rega + precipitação) e 32% da ETa. Nos ciclos do tomateiro e da abóbora os valores percentuais de drenagem foram baixos [15 e 10 % (R + P respetivamente)], sendo no caso da abóbora essencialmente devido à rega. No ciclo do tomateiro a ETa foi ligeiramente superior às entradas de R + P o que significa que a cultura esgotou ainda parte do armazenamento do solo. A maior demanda climática da época do ano aliada à maior
Capítulo 5. Modelação dos impactos ambientais em hortas urbanas em Lisboa
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profundidade radical do tomateiro permitem-lhe extrair uma maior quantidade de água do perfil diminuindo a disponibilidade para a drenagem. O maior valor percentual ocorre no ciclo da fava [D = 55 % (R+P)], em associação com a rega, que utilizou 49% das entradas de R+P, que foram superiores à sua ETP. A variação de armazenamento durante o ano foi de 7.4%.
Quadro 5.9 – Balanço hídrico até aos 100 cm de profundidade para o sistema Granja_Conv (todos os termos em mm)
Cultura Período Armazenamento P R D ES ETa
dias Inicial Final
Tomate 120 162 156 124 198 48 0 324
Abobora 150 160 157 37 450 49 0 415
Fava 90 163 174 187 180 203 0 180
Total 360 162 174 347 828 300 0 919
P-precipitação, R-rega, D-drenagem, ES-escoamento superficial, ETa-evapotranspiração atual
Balanço de azoto
Na Fig. 5.11a), que representa a evolução do azoto nítrico armazenado no solo, as setas representam a estrumação e as aplicações do adubo Foskamònio. Outra entrada importante neste sistema é o N transportado na água de rega, cuja concentração é de 83.5 mg L-1 de nitrato, praticamente igualando a contribuição da estrumação. Ao contrário do que se verifica na Horta Granja_Bio, aqui a disponibilização do N pelo estrume é muito mais lenta, em resultado da sua C/N mais elevada (Fig. 5.11a). Verifica- se a rápida disponibilização do N adicionado com o fertilizante, com parte na
forma amoniacal, mas que Figura 5.11 – Resultados do balanço de N dos zero aos 100
Capítulo 5. Modelação dos impactos ambientais nas Hortas Urbanas “casos de estudo
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rapidamente nitrifica. setas representam a estrumação e as fertilizações).
Não se registam lixiviações durante o ciclo do tomateiro, pois as suas raízes atingem os 95 cm e é elevada a sua absorção potencial (Fig. 5.11b).
No entanto, devido à lenta disponibilização por parte do estrume, o tomateiro sofre algum
deficit de N. A abóbora satisfaz as suas necessidades em N (Fig. 5.11c) mas, sendo
pequena a profundidade das raízes, o nitrato é gradualmente transportado para as camadas inferiores, ficando acumulado até às precipitações de outono, durante o ciclo da fava. O resultado demonstra que o armazenamento de N em profundidade constitui risco de contaminação, podendo ser facilmente lixiviado com os fluxos de drenagem para profundidades sem raízes capazes de utilizar o nutriente acumulado. O Quadro 5.10 apresenta o balanço de N mineral entre a superfície e os 100 cm, para todo o ano cultural. Verifica-se que cerca de 36% do N disponibilizado pelo estrume, pelo fertilizante químico e pela água de rega é perdido. A lixiviação representa 60% das perdas. A maior perda percentual ocorre no ciclo da fava onde 56 % das entradas são transportadas para fora do perfil pelo fluxo de drenagem que encontra elevada disponibilidade de N no perfil. Nos ciclos do tomate e da abóbora a perda percentual por lixiviação é nula ou não significativa. As perdas gasosas por volatilização e desnitrificação correspondem a 22 % do total de perdas. Os restantes 18 % ficam temporariamente indisponíveis por imobilização. No ciclo do tomate as maiores perdas gasosas ocorrem por volatilização da amónia presente no estrume aplicado e por imobilização temporária devido à razão C/N = 20. No ciclo da fava as perdas na forma gasosa associam-se à desnitrificação, apresentando o solo teores de água superiores à CC durante um período considerável. O armazenamento de azoto mineral no solo aumenta em 91 kg ha-1 durante o ano cultural.
Quadro 5.10 – Balanço de N mineral até aos 100 cm de profundidade para o sistema da Horta Granja Conv. Todos os termos em kg ha-1 (aplicação de 20 ton ha-1 de estrume com C/N de 20)
Cultura Período N_Arm N Min N Estr N Fert N Reg N Lix N ES N Abs N Gas N Imob (dias) Inicio Fim
Tomate 90 62 91 12 84 125 41 0 0 133 36 46
Abobora 120 92 210 20 63 125 67 36 0 198 1 2
Fava 150 210 153 16 52 125 36 120 0 80 20 1
Total 360 62 153 48 197 375 144 156 0 411 56 48
N_Arm é o N armazenado, N_Min é o N resultante da mineralização da mo do solo, N_Est é o N disponibilizado pelo estrume, N_Fer é o N aplicado com a fertilização química, N_Reg é o N presente na água de rega, N_Lix é o N lixiviado, N_ES é o N perdido por escoamento superficial, N_Abs é o N absorvido pelas culturas, N_Gas são as perdas gasosas de N e N_imob é o N imobilizado.
Apesar de se esperarem maiores perdas por lixiviação em relação à Granja_Bio, devido à maior cinética da água, verifica-se que o oposto acontece. O maior potencial para drenagem deste solo é de certa forma compensado pela C/N mais adequada de um composto com maior percentagem de estrume de cavalo que de galinha e que disponibiliza o N de forma
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mais gradual. Deste modo, aumenta a eficiência com que as culturas utilizam o nutriente existente, embora este, pela mesma razão, possa não ser o suficiente. O estrume da Granja Conv disponibiliza por ano cerca de 9 kg N por ton de estrume, enquanto que o da Granja_Bio disponibiliza quase 20 kg N por ton de estrume (cálculos apresentados no Anexo 6), valor em acordo com o apresentado em LQARS (2000).