A metodologia utilizada na realização desta investigação empírica foi a qualitativa e quantitativa. Entendemos tal como Bardin (2008) refere que a abordagem qualitativa não tem o mesmo campo de ação da quantitativa. Pois a quantitativa pretende obter dados descritivos por um método estatístico sendo uma análise mais objetiva, fiel e exata o que se torna verdadeiramente útil na validação das hipóteses, assim utilizamos para a análise do conteúdo dos questionários. Relativamente a qualitativa é um procedimento mais maleável, adaptável sendo mais uteis nas fases de lançamento das hipóteses por isso utilizamos sobretudo para as entrevistas.
Utilizamos estas técnicas por querermos expor de forma clara aquilo que realizamos, baseando-nos em conhecimentos pedagógicos adquiridos anteriormente, na pesquisa e revisão da literatura relacionada com a temática do relatório, como a análise documental que permite obter um conhecimento autêntico dos factos dentro do contexto de estudo de forma objetiva.
Para alcançar os objetivos anteriormente propostos realizamos uma participação ativa nas atividades desenvolvidas no GES. Foi necessário recorrer à metodologia de questionário – quantitativa - para a recolha de informação, uma vez que o estudo pretendeu perceber quais as
motivações e desmotivações atuais dos jovens estudantes em prosseguirem os seus estudos para o ensino superior, em resultado de números.
Para a realização do questionário, utilizamos as técnicas aprendidas durante a licenciatura, sobretudo no 1º ano curricular de mestrado. Neste sentido, seguimos as linhas de orientação de Guerra, (2006); Ghiglione & Matalon (2005); Sousa, (2005); Hill & Hill, (2002); Bell, (1997); Almeida & Pinto (1980) e Lessard-Hébert, (1900). Assim, formulamos questões claras, com recurso à linguagem simples e para que fosse possível colocar todos os inquiridos nas mesmas condições. Preocupamo-nos em agrupar as perguntas por temas de sequência lógica, evitando as repetições desnecessárias (Hill & Hill, 2002; Ghiglione & Matalon, 2005; Sousa, 2005).
Na formulação das questões, recorremos mais às de tipo aberto, limitadas por duas linhas, para conseguirmos extrair o máximo de informação relevante para o estudo realizado. Utilizamos também questões de opinião com base da escala de Likert, que continham quatro opções de resposta (Hill & Hill, 2002; Ghiglione & Matalon, 2005; Sousa, 2005).
Relativamente às questões das entrevistas às diretoras de turma de 9º ano, foram de caráter exploratório (Guerra, 2006; Sousa, 2005; Bell, 1997), sendo indispensáveis para percebermos que tipo de motivação é ou não dada aos jovens prestes a ingressar no ensino secundário e que apoio lhes é concedido para a escolha dos cursos nos quais ingressam para o secundário, que determinarão, por sua vez, a entrada para o ensino superior. Às professoras diretoras de turma de 12º ano, questionamos sobre o que é feito para preparar e motivar os alunos para o ingresso no ensino superior.
Estudamos o problema sem qualquer tipo de preconceitos e utilizamos um método científico de explicação dos fenómenos (Sousa, 2005).
5.4.1. Tipo de estudo
Este estudo de caso (Bogdan & Biklen, 1994), investigação empírica, baseou-se numa metodologia mista, uma vez que implicou a metodologia qualitativa, procurando justificações a quantitativa, pelos resultados analisados estaticamente (Guerra, 2006; Sousa, 2005) tratando estes dados no programa SPSS, para podermos obter resultados de forma completa e uma análise fiável (Martinez, 2008; Marôco 2014). Nesta ótica Bardin (2008) afirma que “abordagem quantitativa funda-se na frequência de aparição de determinados elementos da mensagem. A abordagem não quantitativa recorre a indicadores não frequenciais suscetíveis de permitir influências” (p. 140).
5.4.2. Local de estudo
O estudo foi realizado em seis escolas nas três principais escolas secundárias do Funchal da RAM, sendo duas de caráter público e uma de caráter privado e, também, nas três principais escolas de 3ºciclo do Funchal, sendo duas de caráter público e uma de caráter privado.
Para a realização deste estudo, foi pedida autorização ao Secretário Regional da Educação a 2 de Fevereiro de 2015, onde foi explicado, através de um ofício, o objetivo do estudo (ver Apêndice 8), sendo neste anexado uma declaração do Professor Orientador Doutor António Veloso Bento (ver Anexo 2), bem como o guia da entrevista de 12ºano e o de 9ºano e, ainda, o questionário (ver apêndice 7).
5.4.3. Delimitação do Campo de Estudo
Para a realização do estudo nas escolas solicitadas, após ter sido dada autorização por parte da SRE a 4 de Fevereiro de 2015 (ver anexo 3), foi previamente agendada uma reunião com cada Diretor das seis escolas, como podemos ver na tabela que se segue.
Marcação e datas das reuniões com os Diretores das Escolas
Datas Horas Descrição
11-02-2015 9h30 Marcação com o Diretor da Escola 2 11-02-2015 10h10 Marcação com o Diretor da Escola 3 11-02-2015 11h Reunião com o Diretor da Escola 2 11-02-2015 12h Reunião com o Diretor da Escola 3 12-02-2015 9h30 Marcação com o Diretor da Escola 1 12-02-2015 10h Reunião com o Diretor da Escola 1
12-02-2015 11h30 Tentativa de Marcação com o Diretor da Escola 6 12-02-2015 14h Marcação com o Diretor da Escola 5 13-02-2015 15h Tentativa de Marcação com o Diretor da Escola 6 16-02-2015 10h Marcação com o Diretor da Escola 4 16-02-2015 11h Reunião com o Diretor da Escola 4
16-02-2015 14h Tentativa de Marcação com o Diretor da Escola 6 19-02-2015 16h45 Reunião com o Diretor da Escola 5
23-02-2015 11h30 Marcação com o Diretor da Escola 6 26-02-2015 15h30 Reunião com o Diretor da Escola 6
Tabela 1 - Datas das marcações e reuniões com os Diretores das seis Escolas.
Relativamente às escolas de nível secundário, foi pedido a cada um dos Diretores das escolas na reunião para escolhermos uma turma de forma aleatória. Para tal, foram escritas as
turmas de 12ºano existentes em cada uma das escolas em papéis pequenos, sendo escolhidas por método de sorteio, assim, automaticamente, a diretora de turma entrevistada foi a da turma que saiu aleatoriamente. Em relação às escolas de nível de 3ºciclo, também foi previamente marcada uma reunião com os diretores de cada escola (ver tabela 2), onde fizemos a escolha da diretora de turma entrevistada por escola de forma aleatória, escrevendo em papéis pequenos o nome de todas as diretoras de turma de 9ºano de cada escola. Acrescentamos que, por coincidência da escolha aleatória, foram todas diretoras de turma, ou seja, do sexo feminino.
Uma vez tendo as turmas e as diretoras de turma identificadas, foi falado com cada uma pessoalmente, sendo dado os contatos telefónicos destas para agendarmos um horário para a realização das entrevistas (ver tabela 3) e um horário para a implementação dos questionários (ver tabela 4), numa das suas horas de aulas, onde tivemos a oportunidade de estar presente e poder responder a dúvidas e curiosidades dos estudantes inquiridos.
Datas Horas 11-02-2015 14h 19-02-2015 13h 20-02-2015 12h 20-02-2015 14h 23-02-2015 10h 27-02-2015 11h
Datas de marcações das entrevistas com as Diretoras de Turma das Escolas
Descrição
Marcação com a Diretora de Turma para a Entrevista da Escola 1 Marcação com a Diretora de Turma para a Entrevista da Escola 6 Marcação com a Diretora de Turma para a Entrevista da Escola 4 Marcação com a Diretora de Turma para a Entrevista da Escola 5 Marcação com a Diretora de Turma para a Entrevista da Escola 2 Marcação com a Diretora de Turma para a Entrevista da Escola 3
Tabela 2 - Datas de marcações das entrevistas com as 6 diretoras de turma das seis Escolas.
Datas Horas 13-02-2015 13h10 25-02-2015 13h30 27-02-2015 11h30 02-03-2015 11h30 03-03-2015 10h30 05-03-2015 9h Descrição
Datas da Implementação das Entrevistas
Realização da Entrevista da Diretora de Turma da Escola 2
Realização da Entrevista da Diretora de Turma da Escola 6 Realização da Entrevista da Diretora de Turma da Escola 5 Realização da Entrevista da Diretora de Turma da Escola 3 Realização da Entrevista da Diretora de Turma da Escola 4 Realização da Entrevista da Diretora de Turma da Escola 1
Tabela 3 - Datas da implementação das entrevistas com as 6 diretoras de turma das seis Escolas.
Datas Horas
09-02-2015 14h
13-02-2015 12h30
20-02-2015 11h
23-02-2015 9h
Aplicação do pré-teste a alunos de 12º ano (grupo de explicação)
Datas da Implementação dos Questionários
Descrição
Implementação de questionários aos alunos da Escola 2 Implementação de questionários aos alunos da Escola 3 Implementação de questionários aos alunos da Escola 1
Tabela 4 - Datas da implementação dos questionários a 3 turmas de 12º ano de três escolas secundárias do Funchal.
5.4.3.1. Critérios de Seleção do Campo de Estudo
Para a realização deste estudo, foi necessário recorrer a seis escolas da cidade do Funchal, sendo três de nível secundário e três de terceiro ciclo. Para tal, recorremos à autorização da SRE.
Neste estudo, foi preciso comunicar presencialmente com os seis Diretores de escola, bem como com uma diretora de turma de cada escola previamente selecionada e, ainda, foi necessária a presença de três turmas de 12º ano para a implementação dos questionários, sendo anteriormente pedido e realizado um pré-teste com dez inquiridos de 12º ano de um grupo de explicação do Funchal, estando, assim, este pré-teste num grupo representativo da nossa amostra.
O pré-teste colocará em evidência os problemas na formulação das questões, na sua sequência e na maneira de registar as respostas. Dado que a elaboração e a sequência das questões de uma entrevista estruturada são as mesmas que as da técnica do questionário (Bell, p.246).
Nesta perspetiva, após a elaboração dos questionários a aplicar aos estudantes de secundário, achamos pertinente e necessário realizar um pré-teste a um grupo de 10 elementos de 12º ano com as mesmas caraterísticas do grupo que íamos implementar os questionários - alunos a frequentar o 12º ano - tendo em conta que a nossa amostra seria de 58 alunos inquiridos. Assim, tornou-se possível identificar que o questionário dava-nos a informação pretendida e identificar alguma lacuna. Verificamos o tempo que necessitaríamos para aplicar o questionário, constatando que demorariam entre os 30-35 minutos. Neste sentido, após termos feito este pré- teste estudando todas as hipóteses de resposta, notou-se que havia uma questão a retificar assegurando assim que o questionário se adaptava a todos os inquiridos.
De acordo com Sousa (2005), o pré-teste (ou questionário piloto) deve ser implementado em todos os instrumentos de recolha de informação. Devem ser sempre testados para podermos saber quanto tempo demora a preencher e também porque permite eliminar algumas questões que não conduzam a dados relevantes para o estudo, sendo ideal testar o questionário com um grupo com as mesmas características ao grupo da amostra. Desta forma, é possível detetar os problemas encontrados pelo grupo do pré-teste, de maneira a que o grupo do estudo real - a amostra - não os sinta. Neste sentido, tivemos em conta o seguinte: quanto tempo levou a completar o questionário, se as instruções estavam claras, se achavam que deveria surgir mais alguma questão, o formulário do questionário estava claro atraente e se tinham algo a sugerir (Sousa, 2005).