LIVROS DISPONIBILIZADOS)
Uma biblioteca deverá ser um local que oferece uma grande diversidade de intenções, por isso, deve ter uma quantidade/diversidade de livros considerável. Por este motivo, deve fornecer um espaço amplo para a leitura e, promover o acesso a diversos textos que despertem o interesse dos alunos e fomentem os seus hábitos de leitura (Pereira, 2000). De acordo com Curto et al. (2008)
“quanto menores forem os estímulos que o ambiente familiar proporcionar à leitura das crianças, maior deve ser o esforço da escola por compensá-los e oferecer a maior quantidade possível de ocasiões de ter prazer com a leitura.
A “obrigação” de olhar ou ler – diária ou semanalmente – um livro, pelo menos, não deve fazer esquecer que o objetivo é divertir-se e aprender a amá-los” (p.180).
Em 1996 iniciou-se o Programa Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) este, consiste num programa de políticas públicas de elevada importância e tem sofrido um considerável desenvolvimento. Esta rede surgiu devido a um atraso na sociedade portuguesa, comparativamente aos restantes países da União Europeia, no que se refere aos hábitos de leitura e às competências de literacia associadas aos mesmos (Costa et al., 2010).
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Segundo a Unesco (2000), uma Biblioteca Escolar tem de ter determinados objetivos, tais como: apoiar os objetivos educativos presentes no curriculum da escola; dar oportunidades de produção e informação para o conhecimento, apreensão, imaginação e lazer; fomentar o hábito e o prazer de ler nas crianças e, também ensinar as mesmas a utilizar a biblioteca; implementar atividades que sensibilizem a comunidade escolar para a consciência cultural e social; trabalhar com toda a comunidade escolar (Professores, Encarregados de Educação, Auxiliares de Ação Educativa) de modo a atingir os objetivos da escola; e valorizar a ideia que o acesso à informação é fundamental para a construção de uma cidadania responsável e participativa. Este espaço deve assim, ser um sistema vivo que apoia a educação e o desenvolvimento efetivo da cidadania (Costa citando Manifesto da Unesco, 2011).
A construção de uma biblioteca escolar é essencial para permitir que os alunos estabeleçam “as primeiras aproximações à aprendizagem de estratégias de pesquisa de informação, essenciais para a sobrevivência num mundo dominado pela produção e circulação de informação em contextos altamente diversificados” (Nunes & Nunes, 2005: 156). Por este meio, poder-se-á desde os primeiros anos de ensino, colocar os alunos a confrontar as suas opiniões e a criticar as informações que recebem de diversificados suportes didáticos/formadores pertencentes a este espaço de modo a construir desde cedo um saber individual (Nunes & Nunes, 2005).
Segundo Nunes & Nunes (2005), a biblioteca escolar é um recurso formador que deverá ser um espaço aberto e dinâmico que oferece respostas às necessidades/desejos dos alunos, formando-os “enquanto leitores e enquanto utilizadores e produtores de informação cumprindo, afinal, plenamente, a sua missão educativa” (Nunes & Nunes, 2005: 157).
2.3.5. ROTINAS
Coutinho & Azevedo (2007) afirmam que é necessário criar uma rotina/cultura de escola em que os alunos sejam encorajados a ser leitores aficionados e façam com que as práticas de leitura sejam um hábito consistente.
É importante implementar uma rotina em sala de aula que permita ao aluno ter um tempo para ler, ter um tempo para escrever sobre as suas leituras e ter um tempo para falar sobre as suas leituras (Gamboa, 2014).
Cada leitor, segundo Coutinho & Azevedo (2007), poderá pegar num livro e lê-lo nas mais variadas maneiras: pode ler e desfrutar de tudo o que ele tem do início ao fim; pode simplesmente usufruir de alguns pormenores; pode lê-lo repetidamente; pode iniciar a leitura no meio; pode apenas consultar o índice e ler o capítulo que lhe interesse; pode saltar páginas para antecipar o final da história; e até, pode lê-lo como se
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fosse o próprio escritor. Dito isto, podemos “incluir, aproveitar e valorizar, nas nossas práticas docentes, as maneiras como as crianças (…) se misturam com os livros pois, desta forma, estamos a partir das suas experiências de vida permitindo que eles próprios se relacionem de uma forma mais amistosa e autónoma com esses mesmos livros desenvolvendo-se naturalmente como leitores” (Coutinho & Azevedo, 2007:39).
Azevedo (2007), refere que depois de ler é importante dar um tempo para o aluno escrever sobre o que leu de modo a permitir que o mesmo construa os seus significados. “Os registos de leitura, que funcionam como uma espécie de breve recensão crítica do texto, associada a uma avaliação afectiva e justificada do mesmo, podem, pela possibilidade de partilha mais estruturada das respostas do leitor face ao texto, revelar- se actividades efectivas na promoção de um pensamento crítico e reflexivo” (Azevedo, 2007: 159). Este tipo de registo, assimilado num processo de partilha poderá ser um dos caminhos para desenvolver a escrita e um conhecimento resultante do domínio das respetivas competências retóricas e pragmáticas (Azevedo, 2007).
Finalmente e não menos importante, nesta rotina o professor tem de dar tempo para que o aluno fale sobre as suas leituras. Desta forma, Pereira (2007) diz-nos que o professor estará a permitir que o aluno expresse
“uma opinião tentando explicá-la aos outros, que a partilharão ou não, e sempre com a possibilidade de todos estarem a par do que se fala (…) os mais tocados pelo livro, positiva ou negativamente, apresentam sempre argumentos de uma forma tão apaixonada que, quem passou pelo livro sem a ele se ter apegado, acaba por ter vontade de a ele regressar e tornar a lê-lo” (p. 175).
Para além deste aspeto, os alunos têm oportunidade de desenvolver a sua expressão oral e, até os alunos mais tímidos querem-se fazer ouvir perante o público que o assiste (Pereira, 2007).