Partindo das leituras de Egbert & Hanson-Smith (1999) e Lévy & Debski (1999), entendo que a aprendizagem colaborativa assistida por computador pode ser definida como uma estratégia educativa em que dois ou mais aprendizes constroem conhecimento por meio de discussão, de reflexão e de tomada de decisões, em situação em que os recursos tecnológicos também atuam como mediadores do processo de ensino-aprendizagem. Segundo Nussbaum-Beach & Hall (2012), a aprendizagem colaborativa destaca a participação ativa e a interação entre alunos, entre alunos e professor, e entre professores. O computador, nesse caso, é visto como um recurso para a aprendizagem colaborativa, porque ajuda aprendizes e professores a se comunicarem e a
desenvolverem atividades em conjunto. O processo educativo é favorecido pela participação social em ambientes que proporcionam interação e colaboração entre os envolvidos.
As ferramentas da web 2.0, por facilitarem a interação entre pessoas, levam- nos, entre outros, a dois conceitos: cooperação e colaboração. De acordo com Nussbaum-Beach & Hall (2012, p. 9-13), aprendizagem cooperativa é uma estratégia instrucional na qual qualquer um, em um grupo de aprendizagem, desempenha um papel único para a realização de uma tarefa em comum. Cada aprendiz trabalha individualmente sobre o mesmo tópico e, depois, compartilha com o grupo o que ele aprendeu, para se aprofundar a compreensão de todos. Em função de o trabalho ser feito individualmente, o fracasso de participação não afeta, negativamente, o resultado ou a aprendizagem do grupo, como um todo. Conforme salientam Johnson & Johnson (2010, p. 202), cooperação é uma abordagem individual para a construção do conhecimento realizada em um grupo em que todos contribuem de formas diferentes. Quando os indivíduos cooperam, eles pensam juntos para atingir objetivos comuns, havendo responsabilidade mútua para se alcançar o sucesso.
Okada (2003) ressalta que,
[n]essa concepção, os aprendizes devem ser encorajados a confrontar problemas práticos da vida, questões que ainda não têm solução clara. A interação e o trabalho cooperativo são um caminho não só para buscar um produto coletivo, mas para desenvolver uma visão ampla visando identificar as incoerências e incompletudes; e também para estimular a criatividade em prol de novas descobertas e alternativas inovadoras. Em tal concepção os aprendizes são co-autores da construção do conhecimento e do seu próprio processo de aprendizado (p. 275).
Nussbaum-Beach & Hall (2012, p. 9-13) enriquecem essa discussão, afirmando que a colaboração ocorre quando estabelecemos objetivos como aprendizes conectados, apoiados nos dons, conhecimentos e talentos uns dos outros, com disposição para compartilhar informações. Esses pesquisadores afirmam que a colaboração acontece quando as contribuições individuais fazem uma
diferença significante no resultado final de um trabalho; ou seja: cada um dos indivíduos traz algo valioso para o projeto ou trabalho, que só seria possível com o envolvimento e o compromisso das partes.
Segundo Palloff & Pratt (2004, p. 58), os projetos colaborativos em ambientes on-line são, possivelmente, bons instrumentos para se incluir os diferentes estilos de aprendizagem de um grupo. A colaboração pode fomentar o desenvolvimento crítico, a co-criação de conhecimento e de significados, a reflexão e a aprendizagem transformadora. Coll & Monereo (2010, p. 29) acrescentam que a incorporação das TIC aos diferentes contextos escolares e profissionais reforça essa tendência de se adotar metodologias de trabalho e de ensino embasadas na cooperação.
Onrubia, Colomina & Engel (2010) sintetizam as definições e as características de colaboração e cooperação, a seguir, no QUADRO 3:
QUADRO 3
Definição e características de aprendizagem colaborativa e cooperativa.
Aprendizagem colaborativa
é uma forma de organização social da sala de aula e dos processos de ensino e aprendizagem;
baseia-se na interdependência positiva de objetivos e recursos entre os participantes;
espera-se que os alunos se comprometam em um esforço coordenado e continuo de construção conjunta do conhecimento;
é enfatizada a necessidade de compartilhar objetivos e responsabilidades e de alcançar, manter e desenvolver uma representação negociada do problema que deve ser resolvido; é necessário haver processos de coordenação de papéis, de
construção conjunta de ideias e de controle mútuo de trabalho; e
almejam-se elevados níveis de conexão, bidirecionalidade e profundidade nas trocas comunicacionais entre os participantes.
Aprendizagem cooperativa
é também uma forma de organização social da sala de aula e dos processos de ensino e aprendizagem baseada na interdependência positiva de objetivos e recursos entre os participantes;
trabalho, no qual os participantes concordam em ajudarem-se uns aos outros em determinadas atividades;
frequentemente limitam sua coordenação ao momento em que são reunidos os resultados parciais dos diferentes membros do grupo; e
há variações nos níveis de conexão, bidirecionalidade e profundidade nas trocas comunicacionais entre os participantes. Tais variações dependem do nível de discussão, de planejamento conjunto e de troca de papéis.
Fonte: ONRUBIA, COLOMINA & ENGEL, 2010, p. 224.
Há pontos em comum entre aprendizagem cooperativa e aprendizagem colaborativa; uma não exclui a outra, mas ambas dialogam e se complementam. Nussbaum-Beach & Hall (2012) enriquecem o quadro de Onrubia, Colomina & Engel (2010), apresentando três elementos convergentes entre colaboração e cooperação: a) indivíduos trabalham juntos com um objetivo; b) os membros do grupo unem-se em esforços; e c) eles constroem conhecimento.
Acho importante entender a relação entre a aprendizagem colaborativa e aprendizagem cooperativa assistida pela tecnologia, uma vez que ambas estão alinhadas com o Pensamento Complexo. A interação entre as partes faz com que haja desenvolvimento das capacidades pessoais, enriquecendo a capacidade do grupo. As partes exercem influência no todo, e vice-versa. O conhecimento está sujeito a revisão, sendo, portanto, temporário, aberto, sujeito a construção, a reconstrução e a recriação, conforme aponta o macroprincípio da recursividade (MORIN, 2003). Por meio de diálogo e de interações entre os indivíduos, o conhecimento é construído e as partes se consolidam como grupo. O próprio grupo, constituído pelos seus membros, se auto-organiza, quando surgem conflitos e problemas. Essa dualidade de colaboração e cooperação, em um trabalho escolar, ajuda a construir sentido de solidariedade, acolhimento e responsabilidade de todos em relação ao grupo e do grupo com relação aos seus integrantes.