4.4 Tre norske eksempler på reshoring
4.4.3 Sleipner Motor AS - Reshoring for internalisering
Quando se tenta enxergar o mundo através dos olhos dos outros, tenta-se entender o que as suas interpretações os levam a esperar do seu universo de pessoas e eventos (FRANSELLA et al., 2004). Isto é, sendo a interpretação parte do sistema de Construtos individual, e sendo tal sistema sujeito a uma hierarquia de Construtos (PARTINGTON, 2002; JANKOWICZ, 2004), onde valores pessoais tendem a ocupar espaços centrais na geografia cognitiva (KELLY, 1955), especial atenção deve ser dada para que não se negligencie a complexidade envolvida nas distinções, semelhanças e preferências manifestas pelo indivíduo em uma entrevista, sobretudo no que concerne à correlação com medidas independentes de conhecimento sobre o Tópico (object-domain, no original) (SCOTT, 1962) e a possibilidade de comparações simples (FRANSELLA et al., 2004) dos resultados obtidos com grids distintos.
Tratar cognição implica tratar estruturas e conteúdos cognitivos. Enquanto os conteúdos são praticamente inesgotáveis, independente de que possam ser caracterizados como atitudes, crenças ou valores, as estruturas cognitivas são finitas em sua classificação, atendendo a propriedades como diferenciações, integrações e flexibilizações (LEWIN, 1936) e correspondendo às relações entre os conteúdos (SCOTT, 1962).
Entre as propriedades da estrutura cognitiva, encontra-se a diversidade dimensional (KELLY, 1955), também denominada diferenciação cognitiva (SCOTT,1962) ou, ainda, integração cognitiva (CROCKETT, 1965; BIERI et al., 1966), que define a quantidade de conceitos distintos mantidos por um indivíduo para interpretar uma parte do seu mundo (SCOTT,1962) e que desenvolve o caráter psicológico e a singularidade (KELLY, 1969b), referente a características individuais que dão suporte a avaliações e interpretações do mundo.
A complexidade cognitiva também pode ser entendida a partir de uma definição do seu inverso: a integração cognitiva (BIERI et al., 1966). Pode-se dizer que uma pessoa que usa Construtos para interpretar diferentes papéis (role figures, no original) de uma mesma forma gerará um vasto número de Avaliações interligadas (tied-ratings, no original) e poderá ser considerada “cognitivamente simples”. A medida da complexidade reflete a tendência dos indivíduos de atribuírem traços positivos e negativos para as pessoas que servem de estímulo (SCOTT, 1962; KUUSINEN e NYSTEDT, 1972; FRANSELLA et al., 2004; BOWLER et al., 2009), quando pessoas, representadas por seus papéis (ou funções), são escolhidos como Elementos do grid (SEAMAN e KOENIG, 1974).
Nesse sentido, uma possível explicação para o fato de que se encontra maior complexidade cognitiva em relação à categorização de pessoas (ou papéis) dos quais não se gosta é a vigilância perceptual ou hipótese da vigilância, proposta por Erwin et al. (1967), que diz que uma das possibilidades para não se gostar de uma pessoa é percebê-la como ameaça real ou potencialmente ameaçadora. Para se proteger dessa ameaça, tende-se a prestar mais atenção aos seus atributos, o que leva a “construí-la” mais complexamente do que aquelas pessoas não ameaçadoras, tipicamente aquelas das quais se gosta (ERWIN et al., 1967; SEAMAN e KOENIG, 1974).
A complexidade positiva (+CC) ou negativa (-CC) de Construtos de Bieri et al. (1966) reflete a habilidade do indivíduo de usar Construtos bipolares como dimensões independentes quando avalia, positiva ou negativamente, objetos de estímulo. Assim, +CC e - CC são calculados pela contagem do número de Avaliações interligadas para cada um dos diferentes papéis, positivos e negativos. Avaliações interligadas indicam que as dimensões não são usadas independentemente (ZINKHAN e BISWAS, 1988). Isso significa que, quanto maior a pontuação +CC (ou -CC), menor será a complexidade cognitiva, positiva ou negativa, do indivíduo. A medida da complexidade total de Construto (TCC) é obtida pela soma de +CC e –CC (BIERI et al., 1966).
Outro aspecto a considerar é a diferença obtida com o uso de escalas dicotômicas (intenção original de Kelly) e aquelas com diferencial semântico ou baseadas em continuum, do tipo Likert (TRIPODI e BIERI, 1963, 1964). Seaman e Koenig (1974) relatam a comparação de resultados de estudos que aplicaram a versão original da técnica Repertory Grid, Role Construct Repertory Test (RCRT), com Avaliações interligadas e aplicações com Avaliações livres (free-response, no original). Os resultados indicaram diferenças cognitivas
significativas, negativa e positivamente, respectivamente. Para Erwin et al. (1967), os resultados do RCRT com Avaliações interligadas indicaram consistentemente que homens são cognitivamente mais complexos do que mulheres, enquanto Crockett (1965) obteve precisa e consistentemente o contrário, empregando Avaliações livres. Assim, Erwin et al. (1967) chamam a atenção contra a generalização sobre a complexidade cognitiva, quando técnicas de avaliação diversas são usadas. Por outro lado, Fiedler (1967) reporta que diferentes escalas têm sido usadas sem perda considerável de validade de construto.
Para Scott (1962), a medida de complexidade cognitiva é função da dispersão do “domínio de objetos” – os Elementos –sobre o conjunto de distinções (Construtos) que um sistema de Construtos gerou. A medida final é expressa em bits e indica o montante de informação que pode ser provido pelo sistema de Construtos. O montante é obtido pelo registro da frequência com que os Elementos são caracterizados por diferentes combinações dos vários Construtos, ou seja, obtém-se a quantidade de Elementos cujas avaliações são totalmente a favor do polo “positivo” de cada Construto (SEAMAN e KOENIG, 1974), de acordo com:
Σni log ni (1)
ni corresponde à quantidade de Elementos cujas avaliações são consideradas
totalmente a favor do polo “positivo” de cada Construto (SEAMAN e KOENIG, 1974; NAIR, 2006).
A multidimensionalidade de diferentes medições em situações de complexidade cognitiva também pode ser observada (SEAMAN e KOENIG, 1974). Devido a mais de uma dimensão disponível, o pesquisador depara-se com a necessidade de ter que escolher entre umas e outras, o que acaba por estabelecer um dilema, vez que uma escolha implica resultados distintos de outra. A solução indicada pelos autores é a adoção do RCRT como fonte de obtenção de diferentes medidas de complexidade, ao mesmo tempo e a partir do mesmo conjunto de dados de resposta. Usando pessoas como objetos de estímulo, positivo e negativo, três tipos de complexidade são derivados do grid RCRT (Tabela 4): três medidas baseadas em Avaliações interligadas; pontuações Fiedler MPC, LPC e ASO; e a medida da quantidade de informação. Os resultados indicam a forma como os indivíduos constroem “pessoas”, positiva ou negativamente.
Tabela 4: Medidas de complexidade cognitiva
+CC Complexidade de construto pessoal positiva (positive person construct complexity), obtida pela contagem de Avaliações interligadas em papéis positivos
-CC Complexidade de construto pessoal negativa (negative person construct complexity), obtida pela contagem de Avaliações interligadas em papéis negativos
TCC Pontuação total de complexidade (Total Complexity Score), obtida pela fórmula: TCC = (+CC) + (-CC)
MPP Pessoa de maior preferência (most preferred person) LPP Pessoa de menor preferência (least preferred person)
MPC Colega de trabalho de maior preferência (most preferred co-worker) LPC Colega de trabalho de menor preferência (least preferred co-worker)
ASO Similaridade de opostos assumida (assumed similarity of opposites), obtida pela fórmula: ASO = MPP- LPP
Fonte: adaptado de Seaman e Koenig (1974).
A medida da quantidade (em bits) de informação, ou complexidade relativa, definida como R de Scott, é obtida pela divisão da medida de complexidade absoluta (H), originária da teoria da informação (ATTNEAVE, 1959), pelo resultado da função logarítmica da quantidade de Construtos (N) na base 2 (SCOTT, 1962):
H = log2 N - 1 / N (Σni log ni) (2) R = H / log2 N (3)
N corresponde à quantidade de Construtos evocados, e ni corresponde à
quantidade de Elementos cujas avaliações são consideradas totalmente a favor do polo “positivo” de cada Construto (SEAMAN e KOENIG, 1974; NAIR, 2006).
O uso das medidas de quantidade de informação não compromete o pesquisador com pressupostos de que as pessoas ativamente pensam em termos de categorias binárias. Essa medida é simplesmente um indicador estatístico da complexidade existente em um conjunto de Avaliações (LINVILLE, 1982).