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4.3 Vilkårene for foretaksstraff

4.3.4 Skyldkravet

Na análise da produção científica colhida não se utilizaram técnicas específicas de tratamento de dados, tendo sido feita a leitura e análise de cada um dos textos numa lógica de apurar como é que estava retratado o uso das metodologias qualitativas (em termos de objectivos, abordagens metodológicas e resultados) ao nível da intersecção quer do pensamento crítico e do ensino de enfermagem, quer do pensamento crítico e da literacia em saúde.

Na área das Ciências da Saúde, e especificamente no domínio profissional da Enfermagem, pensamento crítico e raciocínio clínico são frequentemente usados na literatura como sinónimos ou conceitos parcialmente sobreponíveis, a par de outros conceitos como pensamento analítico, julgamento clínico ou tomada de decisão, e as competências inerentes ao pensamento crítico estão presentes em todas as decisões e intervenções de Enfermagem (Cerullo & Cruz, 2010).

Simultaneamente, a investigação tem demonstrado que o pensamento crítico, ou melhor, o conjunto de competências de raciocínio que em conjunto possibilitam o pensamento crítico, são competências essenciais ao estudante no ensino superior (Mundy & Denham, 2008). No domínio do ensino da enfermagem esta é uma área com alguma tradição que se tem focado na procura de metodologias de ensino que promovam o pensamento crítico, em ordem à necessidade de formar profissionais capacitados para a tomada de decisão e para a provisão de cuidados de saúde efetivos e seguros, num mundo em transformação de complexidade crescente e onde a revolução, face à conservação, é a regra.

Deste modo, no contexto da investigação no ensino da enfermagem, diferentes estudos têm demonstrado que, em geral, metodologias de ensino centradas no estudante, que se distanciem da prática tradicional do ensino expositivo, criando ambientes propícios à reflexão, a criatividade e a confiança dos estudantes em desenvolver e implementar estratégias inovadoras,

são mais eficientes na promoção das competências de pensamento crítico (Peixoto & Peixoto, 2017; Lee, Lee, Gong, Bae, & Choi, 2016). Salientando- se, nestes aspetos, a título de exemplo, o estudo de Kong, Qin, Zhou, Mou e Gao (2013), que indica que a metodologia de aprendizagem baseada em problemas promove o pensamento crítico, os estudos de Goodstone et al. (2013), Wane e Lotz (2013), e de Park et al. (2013), cujas conclusões sugerem que a aprendizagem baseada em situações de simulações de alta-fidelidade estão associadas com o aumento da capacidade de pensamento crítico (Scheffer & Rubenfeld, 2000), ou ainda os estudos de Kaddoura (2011) e de Moattari, Soleymani, Moghaddam e Mehbodi (2014) que concluem que a elaboração de mapas conceptuais potencia o pensamento crítico.

As competências propriamente ditas em termos de pensamento crítico no domínio profissional da enfermagem, são objeto de diversas abordagens, salientando-se o quadro teórico de Scheffer e Rubenfeld (2000), onde se propõe como competências de pensamento crítico a capacidade de análise, de julgamento e aplicação de regras ou normas, de discriminação, de pesquisa de informação, de raciocínio lógico, de capacidade de planeamento, e da capacidade de transposição de conceitos, práticas ou funções entre diferentes contextos (Esquema 2). Estes autores propõem ainda como hábitos de pensamento essenciais ao pensamento crítico do enfermeiro: a autoconfiança, a capacidade de perspectivar, a criatividade, a flexibilidade, a curiosidade, a integridade intelectual a intuição, a mente aberta, a perseverança e a reflexividade.

A análise da investigação mobilizando metodologias qualitativas, referente ao pensamento crítico em estudantes de enfermagem e espelhada na literatura, revela quer diferentes objectivos, quer diferentes abordagens metodológicas, quer ainda resultados diversos. Assim, do ponto de vista dos objectivos, apresentam-se alguns estudos relevantes pela diversidade que apresentam. No contexto do aumento da procura e realização de programas de formação em e-learning, tem simultaneamente sido registada a tentativa de promover as competências de pensamento crítico nos sistemas de ensino virtuais, pelo que Gharib, Zolfaghari, Mojtahedzadeh, Mohammadi e Gharib (2016) procuraram desocultar as experiências de formadores e de formandos nestes sistemas. Noutro estudo de Itatani, Nagata, Yanagihara e Tabuchi (2017), num curso de enfermagem que usava a metodologia da aprendizagem centrada na resolução de problemas, o objectivo centrou-se em perceber que competências ao nível do pensamento crítico os estudantes de desenvolviam no decurso das sessões realizadas com aquela metodologia. Bittencourt e Crossetti (2013), definindo o pensamento crítico como uma aptidão essencial no processo diagnóstico em enfermagem, que implica um julgamento intencional e que resulta em interpretação, análise, avaliação e inferência, estabeleceram como objectivos do seu estudo a demonstração de quais eram efectivamente as competências de pensamento crítico que são utilizadas por estudantes de enfermagem na aplicação do processo de diagnóstico de enfermagem. Borglin e Fagerstrom (2012) procuraram estudar o ponto de vista dos estudantes de enfermagem sobre em que consistem as aptidões necessárias quer para o pensamento crítico quer para a avaliação, quer ainda para a escrita académica, pensadas serem, em conjunto, essenciais à frequência do ensino superior.

Por outro lado, do ponto de vista da metodologia qualitativa colocada em uso parece ser relativamente frequente o uso da entrevista como forma de recolha de informação e subsequente transcrição, análise de conteúdo e categorização da mesma, em função dos objectivos do respectivo estudo. É nesta modalidade que se incluem, por exemplo, os trabalhos de Borglin e Fagerstrom (2012), Bittencourt e Crossetti (2013) e Gharib et al. (2016). Já o estudo de Itatani, Nagata, Yanagihara e Tabuchi (2017) centrou-se, metodologicamente, na análise de conteúdo à documentação originada pelos ensaios produzidos pelos estudantes, coadjuvada por métodos quantitativos como o Text Mining.

Outro domínio onde se afiguram de primordial importância as competências de pensamento crítico é o da Literacia em Saúde, que de acordo com WHO (1998) se refere “à capacidade dos indivíduos para ganharem acesso a compreenderem e a usarem informação de formas que promovam e mantenham boa saúde”. Embora o conceito apresentado pela WHO seja a referência para outros trabalhos desenvolvidos posteriormente, atualmente, a Literacia em Saúde é um processo conceptual com maior complexidade e âmbito de compreensão e assimilação para as pessoas.

A Literacia em Saúde enquanto fenómeno complexo está relacionada com determinantes pessoais, sociais e ambientais (Sørensen, 2016), e implica o conhecimento, motivação e competências para aceder, compreender, avaliar e aplicar a informação; bem como de tomar decisões e tomar ações sobre cuidados de saúde, prevenção de doenças e promoção de saúde na vida quotidiana e manter e promover a qualidade de vida durante o curso desta (Sørensen et al., 2012). Do ponto de vista das referidas determinantes pessoais está demonstrado que o pensamento crítico relacionado com a capacidade de autocontrolo e empowerment constituem fatores que potenciam níveis mais elevados de literacia em saúde (Crondahl & Eklund-Karlsson, 2016).

Na Europa, por exemplo, o Plano de Ação para a Literacia em Saúde da Escócia expressa estratégias fundamentais para a promoção da Literacia em saúde, como por exemplo: ferramentas e técnicas de literacia em saúde, como o

Teachback; importância da comunicação e partilha de informações sobre a saúde

das pessoas no momento da alta; o investimento profissional e organizacional das instituições para a adopção de estratégias promotoras da literacia em saúde. Na verdade, a implementação destas estratégias promove, por um lado, o sentido de pertença na relação entre os utentes e os profissionais de saúde e, por outro, uma melhor atenção dos profissionais de saúde às necessidades dos utentes, sendo elementos facilitadores de comunicação efectiva, propiciando a qualidade em saúde e a satisfação dos utentes.

A análise realizada a alguns estudos mobilizando metodologias qualitativas, referentes à literacia em saúde revela também, e naturalmente, quer diferentes objectivos, quer diferentes abordagens metodológicas, quer ainda resultados diversos.

Relativamente aos objectivos que subjazem à investigação neste domínio, afigura-se de uma forma relativamente evidente, como denominador

comum, a intenção de desvelar o processo de construção de conhecimento em saúde por parte dos utentes do sistema, ainda que diferentes estudos foquem diferentes factores ou fases deste processo. Por exemplo, os trabalhos de McKenna, Sixsmith e Barry (2017), de Jang et al. (2017), McKenna, Sixsmith e Barry (2018) e de Loignon, Duperé, Fortin, Ramsden e Truchon (2018), procuraram explorar e descrever diferentes dimensões no acesso, construção e compreensão dos indivíduos do saber relacionado com a sua situação de saúde ou do sistema de cuidados de saúde, destacando-se McKenna et al. (2018) pela identificação de factores associados às mudanças e capacidades de literacia e na pesquisa de percepções de mudanças nos conhecimentos e atitudes dentro das consultas de saúde. Noutra perspectiva, numa lógica de conhecimento sobre o impacto de programas específicos de literacia em saúde, Muscat et al. (2017) procuraram perceber se o conteúdo comunicativo de literacia em saúde correspondia às necessidades de aprendizagem das pessoas, enquanto Rowlands, Shaw, Jaswal, Smith e Harpham (2017) tentaram perceber como pessoas que participaram em determinados cursos de literacia em saúde acediam, compreendiam, avaliavam e utilizavam informações e serviços para tomar decisões sobre saúde no seu contexto de vida. Ainda noutra perspectiva, Dunn, Margaritis e Anderson (2017) e Hawkins, Gill, Batterham, Elsworth e Osborne (2017), interessaram-se por averiguar e comparar diferentes perspectivas entre utentes e técnicos no processo de desenvolvimento de competências em literacia da saúde. Por fim, Carollo (2015), partindo da perspectiva de que a baixa literacia pode concretizar-se num obstáculo para o indivíduo, influenciando o seu acesso aos serviços de saúde e limitando a compreensão da saúde com impacto na qualidade das decisões, desenvolveu um estudo que tencionava especificamente explorar perspectivas de mulheres idosas minimamente alfabetizadas em saúde e dos seus cuidadores profissionais de saúde sobre a interacção com o sistema de saúde.

Do ponto de vista das particularidades da metodologia qualitativa, a entrevista semiestruturada consubstancia-se como uma técnica recorrentemente utilizada como modo de recolha de informação como espelhado nos trabalhos de McKenna et al. (2018), Hawkins et al. (2017), Kinsey et al. (2017), Muscat et al. (2017), Rowlands et al. (2017), Carollo (2015) e McKenna et al. (2017). Complementarmente, outras técnicas consistiram recursos adicionais para a colheita de informação, como o focus

group, por parte de Rowlands et al. (2017). Em estudo relativo à literacia em

saúde de utentes com úlceras por pressão e respectivos cuidadores (Durrant, Taylor, Thompson, Usher, & Jackson, 2018), foi usada uma metodologia mista em que se recolheu informação qualitativa por via da análise de narrativas produzidas pelos sujeitos do estudo e pela análise documental de informação escrita à população, paralelamente aos procedimentos metodológicos de natureza quantitativa. Ainda do ponto de vista das opções metodológicas levadas a cabo, o estudo de Loignon et al. (2018) destaca-se pela heurística decorrente da intervenção no terreno. Este estudo, partindo do pressuposto que um baixo nível de literacia em saúde afeta a capacidade das pessoas beneficiarem dos serviços de saúde e concluindo a partir daqui que alguns grupos sociais são desproporcionalmente afetados pelo baixo nível de literacia em saúde, nomeadamente, grupos com baixa escolaridade, com assistência social e aborígenes (no contexto canadiano), integrou processos participativos dos utentes e investigação-acção com utentes e membros da comunidade em tempo real na elaboração de recomendações e soluções para a navegação dos indivíduos no sistema de saúde.