2. TEORIKAPITTEL
2.4 Ledelse
2.4.1 Skoleledelse
Nesta parte do capítulo será apresentada a construção do conceito de autonomia. Introduz- se, portanto, a estruturação dos princípios que foram elencados para constituir o conceito de autonomia do trabalho, e finalmente, apresenta-se o conceito construído, resultante deste movimento de sistematização e análise.
119 6.1.1 Estruturação dos princípios do conceito
A necessidade de um outro conceito para autonomia foi percebida na medida em que, durante a sistematização dos conceitos, pôde-se notar que nos quatro grupos organizados haviam princípios necessários para a explicação do que se encontrou como autonomia dos sujeitos, mas que isoladamente não conseguiam contemplar a gama de características com as quais a autonomia se apresentou neste estudo e nem a sua complexidade.
Serão descritos a seguir os princípios básicos que foram desenvolvidos a partir dos quatro grupos de conceitos estudados, princípios estes que auxiliam na construção da proposta do conceito de autonomia do presente estudo:
A relação dependência/independência
Esta relação aparece em dois grupos da sistematização proposta. Primeiro, no grupo que concebe a autonomia de forma fragmentada. Segundo, no grupo que considera a autonomia como uma forma de liberdade social. No entanto, a distinção da forma como os grupos de autores tratam a relação entre dependência e independência chama a atenção.
Para o primeiro grupo a relação de dependência é sempre negativa. Isso porque, ao considerarem aspectos mais recortados de uma determinada realidade, a relação de dependência aparece sempre como forma de oprimir a liberdade dos sujeitos e suas capacidades de ação. Para o segundo grupo, há dois níveis de dependência. Aquela que oprime o sujeito e impede a promoção de sua autonomia, como por exemplo, no acesso à informação, na participação da vida pública e no acesso à vida material básica, e aquela dependência benéfica – e até certo ponto inevitável – resultado da vida em sociedade, que amplia as capacidades, oportunidades e condições de ação e escolha dos sujeitos.
Inicialmente, na formulação da proposta deste trabalho, acreditava-se que autonomia e independência eram conceitos bastante distintos e que de certa forma poderiam ser abordados separadamente. No entanto, pôde-se perceber que a independência sempre é tratada como um dos princípios para a promoção da autonomia dos sujeitos. Desta maneira, o conceito de autonomia formulado para este trabalho compreende a análise da relação dependência/independência como necessária ao estudo da autonomia dos sujeitos. A compreensão do nível das dependências existentes, ou seja, se trata de uma dependência benéfica ou prejudicial, ajuda a conhecer o nível de autonomia dos sujeitos em determinada
120 situação. Por dependência prejudicial, entende-se aquela em que o sujeito, sem a presença do outro, não consegue executar determinada ação ou atividade. Em contrapartida, entende-se como dependência benéfica aquela em que os sujeitos conseguem executar a ação ou atividade sozinhos, mas juntos, trabalhando coletivamente, maximizam suas capacidades físicas e cognitivas.
Status de ação
Outro princípio que pôde ser formulado com base nos vários conceitos vistos e estudados, foi o de que a autonomia parece corresponder sempre a um status de ação. Isso porque, ao se considerar que não existe um conceito universal e sim “autonomias”, construídas em uma rede complexa de relações com os outros sujeitos vivendo em sociedade, há que se considerar que “o ser autônomo” está sempre relacionado a determinado contexto de ação em uma atividade.
Considerando, portanto, a vida em sociedade, a autonomia do indivíduo nunca é plena como alguns autores podem acreditar – sobretudo aqueles aqui sistematizados nos três primeiros grupos. Isso porque, a organização social pressupõe sanções aos sujeitos, através da cultura, das normas e valores, instituindo direitos e deveres. O “ser autônomo” seria, neste contexto, o agir autônomo em determinada situação. Este status de ação, por sua vez, é resultante de outro princípio importante, que é o equilíbrio existente entre o que os sujeitos “desejam” fazer e o que eles efetivamente “podem” como membros de uma sociedade. Este é outro dos elementos que se considerou importante na construção do conceito de autonomia para o estudo e está descrito a seguir.
A equação (liberdade individual) – (liberdade social)
A equação existente entre a liberdade individual dos sujeitos e a liberdade social limita os campos do agir em que se torna possível a promoção da autonomia. Isso porque, está ancorado no princípio ético demonstrado anteriormente que busca o equilíbrio entre o que o sujeito deseja fazer como ser individual e o que ele realmente pode fazer na condição de membro de um coletivo.
Uma sociedade que repudia a violência, por exemplo, acaba limitando qualquer tipo de ação dos seus sujeitos que possam causar danos físicos ao outro. De fato, como tem sido
121 visto, uma sanção deste tipo não impede que as exceções à regra apareçam, e justamente por isso os sistemas punitivos são criados. Mas a sanção em si, que representa a liberdade social dos sujeitos, limita a possibilidade de autonomia em várias atividades que compreendem ações que possam ser prejudiciais aos outros. Desta maneira, compreender o campo de possibilidades de ação autônoma dos sujeitos é entender que este campo é o resultado de suas possibilidades como ser único e ao mesmo tempo, das permissões e proibições que se apresentam a ele como ser social. Este exemplo também se aplica aquelas sanções que existem fora dos códigos de lei, em que a própria cultura se manifesta, como valores, costumes e tradições.
Poder de decisão
A relação de dependência, o status de ação e a equação entre liberdade individual e liberdade social só podem ser compreendidas ao assumir de certa forma como os sujeitos se colocam na tríade da atividade. Isso porque, elementos como o poder de decisão que estes indivíduos têm sobre o curso de sua ação estão intimamente relacionados com os três conceitos já apresentados.
Um sujeito tem todas as suas escolhas condicionadas ao sistema coletivo de decisão e também à quantidade e qualidade das informações que possui. Essa afirmação está ancorada no fato defendido pelos teóricos localizados no segundo grupo de conceitos de autonomia, de que quanto mais conhecimento um determinado sujeito possui, mas conhecimento sobre o mundo material, prático e social ele detém e assim, suas capacidades de ação prática e consequentemente de decisão, se ampliam.
Entendendo que o conhecimento não é construído somente através do ensino formal, mas também na experiência prática durante a vida e no contato com o outro, sabe-se que o poder de decisão dos sujeitos pode ser resultado de processos de origens distintas, como a experiência prática, a mediação interpessoal e a experiência abstrata. Por isso, ao se propor a construção de um conceito de autonomia próprio ao trabalho, sugere-se considerar o poder de decisão que os sujeitos têm na atividade estudada, bem como o nível de conhecimento e informações que estes possuem com relação à tecnologia estudada.
Também há que se considerar a natureza das relações entre os sujeitos, que influenciam diretamente nestes dois outros constituintes – uma vez que a mediação interpessoal pode também representar a ampliação do poder de decisão dos sujeitos. Assim, esta é a última das
122 considerações que, somadas as apresentadas anteriormente, completam a construção de um conceito de autonomia próprio ao trabalho, apresentado a seguir.
6.1.2 Conceito de autonomia do estudo
Para este trabalho, agir de forma autônoma significa um sujeito capaz de, em uma dada situação, fazer suas próprias escolhas, planejando, avaliando e executando suas ações sem depender negativamente de outros sujeitos, conforme o código de valores, normas e condutas vigentes em dado momento histórico e social em que este sujeito está inserido.
O nível de autonomia das participantes foi analisado a partir dos seguintes critérios: existência da relação de dependência negativa com outros sujeitos e avaliação desta dependência; nível de experiência existente com o artefato do estudo; poder de decisão que as idosas demonstravam no decorrer da atividade; e possibilidades de ação destas idosas, que estavam diretamente relacionadas com o poder de decisão que demonstravam.