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Hva skjer med saken og varsleren?

4.4.1. Trajetória acadêmica, profissional e familiar

Rosemary tem 40 anos, é casada e não tem filhos. Trabalha há cinco anos como secretária de uma clínica de fisioterapia. Possui o 2º grau completo. Já trabalhou em vários locais e quando trabalhava em um salão de beleza foi convidada por uma cliente, fisioterapeuta, para ser secretária de sua clínica. Ali, ela desenvolve o trabalho de atendente e controla a agenda, procura relacionar-se bem com os clientes e ainda realiza trabalhos de apoio à fisioterapeuta.

4.4.2. Situação Econômica e Financeira

A análise dos dados evidenciou que Rosemary convivia com muitos problemas financeiros. Havia estourado seus cartões de crédito e inúmeros cheques dela haviam sido devolvidos pelo banco por falta de fundos. Seu nome figurava no cadastro dos inadimplentes há vários anos e ela não via solução no curto prazo.

Apesar desse quadro, não mudara os seus hábitos de compras e gastos. Ela pegou empréstimos em nome da mãe e da tia, ambas já aposentadas, que tiveram que fazer empréstimos consignados para socorrê-la.

Além disso, procurou fazer o refinanciamento de uma dívida junto ao Bradesco e a época pagava mensalmente R$ 50,54. Pelo financiamento da mãe pagava R$ 124,00 e pelo da tia pagava R$ 70,00. Seu salário mensal R$ 808,00, ela já havia comprometido R$ 244,25, o que equivalia a mais de 30% da sua renda mensal.

Com referência aos gastos pessoais, o maior gasto mensal dela era com salão de beleza e roupas, que também somavam mais de 30% da sua renda. Ela ainda usava um cartão de crédito em nome do marido o que causava constantes brigas do casal. Essa situação muito a incomodava, como se vê neste relato:

O endividamento é a pior coisa na minha vida e normalmente estou nervosa, ansiosa com problemas financeiros que tenho que resolver. Todos sabem do meu problema e meu marido já pediu que eu devolva o cartão de crédito para ele, porque não sei usar, contudo não sei viver sem um cartão, como vou fazer sem um cartão de crédito?(informação verbal)

Certo é que em todos os meses Rosemary gastava 20% a mais do que ganhava e isso foi a causa de todo o endividamento, como mostra este trecho da entrevista:

Não foi nenhuma compra grande que realizei. Gasto com roupas, salão e presentes para todos e quando vejo já estou toda endividada. (informação verbal)

De fato, o questionário sobre finanças comprovou que ela tinha sérios problemas de controle das finanças. Portanto precisava mudar o seu comportamento financeiro para resolver a situação e não causar mais problemas.

4.4.3. Estilo de vida

Com relação ao estilo de vida, segundo a análise dos dados, ela se inclui na característica dominante lutadora (striver), e como característica secundária religiosa (believer).

Cumpre ressaltar que o tipo Vals primário representa a abordagem dominante para a vida. A classificação secundária representa uma ênfase especial que cada um dá à sua abordagem dominante.

Por conseguinte, quanto ao estilo de vida, Rosemary se caracteriza como lutadora segundo o questionário Vals II. Geralmente essas pessoas buscam motivação, autodefinição e aprovação do mundo ao seu redor. Lutam para encontrar um porto seguro na vida. O dinheiro define o sucesso para elas, já que não tem o suficiente e, muitas vezes, consideram que a vida não lhes foi muito generosa. Os lutadores são impulsivos e se entediam facilmente. Muitos deles procuram ter estilo. Emulam aqueles que têm mais posses, mas o que desejam conseguir está muitas vezes além do seu alcance. Muitas dessas características realmente se aplicam à Rosemary.

Como característica secundária, Rosemary é religiosa. As pessoas que se enquadram nessa categoria, de acordo com Vals (2007) são: conservadoras, convencionais comprometidas com a família, com a igreja, com a comunidade e com a nação. Segundo a entrevista, ela é evangélica e fala muito em Deus, enquadrando-se realmente nessa categoria.

Realmente, Rosemary vivia segundo um código moral o que é muito importante para todos participantes desse estilo de vida. Também questões de renda, estudo e energia eram modestos, porém suficientes para satisfazer a suas necessidades.

Por fim, ao perguntar a Rosemary se ela recebesse 50% de aumento de salário, quanto lhe sobraria, ela respondeu que provavelmente nada, pois não se considerava em condições de se autocontrolar tendo em vista seus gastos.

4.4.4. Satisfação com a qualidade de vida

Tabela 5 – Dimensões de qualidade de vida de trabalho – Entrevistada Rosemary

Dimensões da QVT Escore

Médio(*)

Classificação

I- Remuneração 2,29 Insatisfatória

II- Condições de trabalho 4,14 Satisfatória

III- Uso e desenvolvimento de capacidades 3,71 Neutro IV- Oportunidades de crescimento profissional 3,29 Neutro V- Integração social na empresa 4,14 Satisfatória

VI- Direitos na empresa 3,71 Neutro

VII- Equilíbrio trabalho e vida 4,71 Muito Satisfatória VIII- Relevância do trabalho 4,71 Muito Satisfatória

Média Global 3,84 Neutro

Fonte: dados da pesquisa (2012)

Com uma média global do escore obtido conforme o questionário do Walton de 3,84, a qualidade de vida no trabalho de Rosemary foi classificada como neutra. Ela percebia equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, o que ela dizia ser muito bom, pois o trabalho na clínica possibilitava horários fixos e oportunidade de curtir a família. Esse foi o fator que atuou de forma mais positiva na sua qualidade de vida no trabalho, seguido da relevância do trabalho.

As dimensões que pesaram negativamente no caso de Rosemary foram a remuneração e as oportunidades de crescimento profissional. A clínica possuía um número restrito de

funcionários e não existem, dentro do estabelecimento, oportunidades de crescimento e melhor remuneração.

Quando perguntada se a qualidade de vida no trabalho estava sendo impactada pelo endividamento, ela mencionou que o principal problema dela era a falta de motivação, caudada pelo endividamento como se vê neste comentário:

Recebo meu salário e no mesmo dia ele praticamente acaba e sei que não terei condições de honrar todos os meus compromissos durante o mês, criando assim uma bola de neve. (informação verbal)

4.4.5. Conclusão do estudo de caso da Rosemary

Para Rosemary, a qualidade de vida no trabalho era prejudicada pela remuneração e falta de oportunidades de crescimento. Em decorrência de seu estilo de vida, e buscando autoafirmação por meio do uso de ferramentas de crédito, sem controle, Rosemary encontrava-se em elevado grau de endividamento e com sérios problemas, tais como cadastro negativo e restrição de crédito.

Como se observou, a solução encontrada por Rosemary era pegar empréstimos em nome de terceiros para limpar o nome dela, o que ela ainda não havia conseguido devido à continuidade do seu comportamento financeiro. Na verdade, ela demonstrou que sempre queria resolver a situação com dinheiro e aparência, seja dinheiro seu, seja dos outros. Quanto não tinha, ela pegava emprestado e contraia com diversas dívidas de cartões de lojas e referentes a cheques sem fundos.