Roberto Abdalla Moura 1
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Diretor do departamento de retina do Hospital Mater Dei, Belo Horizonte (MG) – Brasil; Diretor da BH Olhos, Belo Horizonte (MG) – Brasil; Fellow do American College of Surgeons (FACS); professor associado e adjunto da Baylor College of Medicine (1986-1997). Recebido para publicação em: 10/03/06 - Aceito para publicação em 27/04/06
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vítreo é a maior estrutura ocular, compreen-dendo cerca de 80% do volume ocular. Apre- senta uma anatomia de difícil estudo e compre- ensão, simplesmente porque é um tecido transparente.
A biomicroscopia mostra esta dificuldade pelas diferentes descrições de diferentes autores, em várias épocas, como as chamadas “membranelas” de Eisner e as “cisternas” de Worst, para citar apenas duas descri- ções clássicas da anatomia do vítreo.
Atualmente, a tomografia de coerência óptica veio elucidar melhor e mostrar detalhes anatômicos da interface vítreo-retiniana, mas a estrutura e ultra-estru- tura do gel vítreo e, em especial, a interação do colágeno
tipo II, com o hialuronato (ácido hialurônico-AH), conti- nua desconhecida.
Sebag JMD, FACS, cientista da Doheny e Harvard, no seu brilhante capítulo sobre a anatomia vítrea e interface vítreomacular, no livro de Madreperla e McCuen sobre buraco macular, de 1999(1), cita um autor
e pesquisador japonês, Asakura, que em 1985, estudan- do a histoquímica do ácido hialurônico do vítreo bovino, pela microscopia eletrônica em especimens coradas pelo rutênio vermelho, conjeturou um modelo tridimensional para a interação entre as fibrilas colágenas, o AH e a “cola”, entre o AH e as fibrilas, provavelmente o condrointin sulfato(2).
Figu ra 1: Mi croscopia de varredu ra em “p equeno aumento” de ví treo humano ; m icrofibri las d e col ágeno, com “art iculações” com out ras mi cro fibri las , po r mei o d o envó lucro s al mofadado s d e AH, t endo co mo “cola” po ssi velment e o condroi ti n su lfato
Figura 2: Idem, m ai or aumento , cerca de 6.000 vezes
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Scott, seguindo a mesma linha, sugeriu uma confi- guração tipo “escada” das fibrilas de colágeno e do AH, com o componente proteoglican como duplexos e agre- gados entre as fibrilas colágenas.( 3)
Fazendo a microscopia eletrônica de varredura rotineira em vítreo de pacientes operados pela vitrectomia posterior, em 1980, no Cullen Eye Institute, na Baylor College of Medicine, em Houston, Texas, e tendo como orientador o experiente microscopista ele- trônico, Frank Kretzer, nos deparamos com uma estrutu- ra vítrea que não sabíamos explicar (figuras 1 e 2).
Fi gura 3: Ult ra-estrutu ra concepcio nal de Asak ura, do vítreo bov ino Figu ra 1.3 - Hi sto quí mi ca do áci do hial urôni co d o ví treo bov ino , est udado pela m icros co pia el etrôn ica: U lt ra-est rut ura da i nteração hi al ur on ato -col ág eno no co rpo ví t reo; Es peci m en fi xa do em gl ut aral deí do-p arafo rmal deíd o e co rado co m o ru têni o vermel ho; Fibri las colág en as (C) são rev es ti das co m o mat erial am orfo (A), pos si velment e hi al uronat o. O materi al amorfo pode con ect ar-s e às fibri las colágenas por mei o de out ro gluco-amino glican, possivelmente condro it in s ul fat o; Fi lamen tos in terco nectant es (IF) parecem fazer pont e ent re as fibril as co lágenas, inserindo ou aderin do os l ocai s de adesão do h ialuronat o às fib ri las col ág enas. Acta So c Ophthal mol . 19 85; 8 9:1 79
Tomando conhecimento recentemente do traba- lho de Asakura, citado por J. Sebag, percebemos que tí- nhamos na nossa amostra de vítreo humano a contraprova da teoria de Asakura no vítreo bovino (fi- gura 3).
Estamos no século 21, mas ainda existem “misté- rios anatômicos” a serem estudados e esclarecidos.
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EFERÊNCIAS1. Sebag J. Vitreous anatomy and the vitreomacular interface. In: Madreperla SA, McCuen BW, editors. Macular hole: pathogenesis, diagnosis, and treatment. Boston: Butterworth Heinemann; 1999. cap.1. p. 1-23.
2. Asakura A. Histochemistry of hyaluronic acid of the bovine vitreous body by electronmicroscopy. Nippon Ganka Gakkai Zasshi. 1985; 89(1):179-91. Id: Jpn.
3. Scott JE. The chemical morphology of the vitreous. Eye. 1992;6(Pt 6):553-5
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